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Campanha nacional alertará sobre anabolizantes
(11/01/2006 - 18:50)

Cidades

Governo federal quer evitar uso entre os jovens

O caso de Emanuel Maia de Souza, 19 anos, que no dia 6 tornou-se a nona pessoa a ser internada no Distrito Federal por uso de anabolizantes, fez redobrar o alerta dos órgãos públicos responsáveis pela fiscalização desse tipo de produto. Preocupados com o problema, o Ministério da Agricultura e o Departamento de Fiscalização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) preparam uma campanha de conscientização sobre os riscos do uso de esteróides. O principal objetivo é conscientizar todos os jovens do País, principalmente os que freqüentam academias.

Segundo a gerente de fiscalização da Anvisa, Maria das Graças Ferreira, a idéia é alcançar, também, os estabelecimentos especializados na venda de drogas de uso veterinário. 'Vamos fazer campanhas na televisão e espalhar panfletos e pôsteres explicativos, mostrando os malefícios e efeitos colaterais provocados pelos anabolizantes.'

De acordo com a gerente, os jovens estão injetando as substâncias em razão de falta de informação. 'A grande parcela das pessoas que tomam os medicamentos sabe que faz mal. O problema é que nem todos têm noção da intensidade mortífera dos efeitos colaterais', observa.

Impotência
Nos últimos meses, o consumo humano de anabolizantes de uso exclusivo em cavalo vem aumentando. A constatação é do inspetor de saúde da Anvisa, André Godoy. A droga campeã, mais utilizada pelos jovens, é o Equipoise. 'Esse anabolizante é muito consumido devido à velocidade espantosa com que aumenta a massa muscular', explica.

O inspetor alerta para os efeitos irreversíveis causados pela droga. A pessoa que utiliza o Equipoise - ou o similar, chamado Equifort - poderá sofrer de impotência e até ficar estéril. Godoy explica que, no início do tratamento com esteróides, o homem passa por uma fase de excitação sexual, com o aumento da freqüência de ereções. 'Entretanto, esse estado dura apenas algumas semanas; isso se reverte gradualmente, até a perda do interesse sexual', esclarece.

Para evitar a utilização do Equipoise e de outros anabolizantes para cavalos, como o Equifort, as lojas especializadas na venda dos produtos passaram a ser fiscalizadas periodicamente. As vendas só podem ser realizadas com a apresentação de receita veterinária. 'Tudo deve ser feito em duas vias; uma das notas deverá ficar retida na loja e a venda, registrada no livro de medicamentos controlados, do contrário o estabelecimento poderá ser multado.' As multas variam de R$ 500 a R$ 1,5 milhão.

Vítima apresenta melhora

O quadro clínico de Emanuel Maia de Souza, morador de Ceilândia, começa a apresentar melhoras. O rapaz, que confessou ter tomado, durante 30 dias, um anabolizante para eqüinos, teve alta segunda-feira e está terminando o tratamento em casa.

O diretor do Hospital Regional de Ceilândia (HRC), Jorge Pitanga, comentou que o rapaz teve muita sorte, levando-se em conta as várias aplicações feitas por ele. 'Emanuel disse que chegou a injetar três doses do anabolizante em uma única semana.' Segundo o médico, os sintomas dos males causados pelo produto - entre eles, o início de trombose nas pernas - começam a recuar. 'O estado de saúde dele está evoluindo e não ficará nenhum tipo de seqüela', explicou.

O pai da vítima, Manuel Abadia Caetano de Souza, aliviado com a melhora do filho, tenta descobrir onde Emanuel comprava os anabolizantes. Manuel está tentando descobrir quem vende esse tipo de substância em Ceilândia com os amigos do seu filho . 'Se puder, quero denunciar essa pessoa à polícia. Emanuel escapou por uma bênção de Deus; um outro rapaz pode não ter a mesma sorte', desabafa Manuel.

Rapazes que utilizaram anabolizantes, assim como Emanuel, não tiveram a mesma sorte. No dia 19 de setembro, Jackson Vieira de Souza, 21 anos, ficou em coma durante uma semana, depois de ter injetado 18 mililitros de Estigor. Jackson morreu na UTI do Hospital de Base após sofrer uma parada cardíaca.

No dia primeiro de outubro, morreu, no Hospital Regional do Gama, pelo uso de ADE - complexo vitamínico veterinário -, Sílvio Santana de Couto, 19 anos. O rapaz chegou a tomar três doses da substância antes de morrer.


Jornal de Brasília