Governo do Distrito Federal
Governo do Distrito Federal
11/04/19 às 17h50 - Atualizado em 11/04/19 às 19h00

Bombeiros do DF que foram a Brumadinho passam por exames toxicológicos

COMPARTILHAR

 

Profissionais, que atuaram de forma exemplar, serão acompanhados pela Saúde

 

Militares do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal que participaram das operações de busca em Brumadinho (MG) iniciaram, nesta quinta-feira (11), acompanhamento no ambulatório do Centro de Informações Toxicológicas da Secretaria de Saúde. O monitoramento é para verificar níveis de metais pesados no organismo e identificar possível contaminação.

 

“A corporação já solicitou os primeiros exames e hoje eles trouxeram para avaliarmos. A partir daí, vamos pedir outros exames toxicológicos, de sangue e de imagem”, disse a médica toxicológica Andrea Amoras, responsável por este monitoramento que irá durar dois anos. “As avaliações serão feitas a cada seis meses, se tudo estiver normal, e em menor tempo, caso tenha alguma intercorrência”, explica.

 

Única mulher a integrar o grupo de 18 bombeiros do DF que foi para Minas Gerais, a sargento Fabiola Gomes Monteiro está com os exames sem alteração, mas não nega que houve preocupação dela e dos colegas com relação à própria saúde.

 

“Nós fomos ajudar e não poderíamos nos tornar mais uma vítima. Porém, isso não me impediu de fazer tudo que fosse preciso para cumprir nossa missão. Rastejei em lama, me entreguei mesmo. E, graças a Deus, meus exames estão com tudo certo”, disse ela, que está há sete anos no Corpo de Bombeiros e teve a operação de Brumadinho como a primeira grande atuação a nível nacional.

 

Segundo Andrea Amoras, os riscos para as mulheres em situações como esta são maiores que para os homens, em razão dos hormônios e por armazenar mais gordura no corpo.

 

Nesta primeira avaliação, nenhum dos bombeiros consultados apresentou problemas. “Mas a aflição antes de pegar o resultado existe, mesmo sabendo que a exposição não trazia riscos para gente naquele momento”, disse o capitão Ulisses, um dos responsáveis pela equipe do DF.

 

Durante a consulta, o sargento Felipe Gaspar lembrou que normalmente quem cuida das pessoas acaba não se cuidando. “Uma ação como esta é muito importante porque mostra que alguém está pensando em cuidar de quem cuida”, observa ele, que por apresentar uma irritação leve na garganta, fará exames de imagem para verificar se é por conta de um resfriado ou se tem a ver com a poeira tóxica de Brumadinho.

 

Ele frisou que a equipe toda se preocupou desde que foi detectada contaminação por metais em alguns bombeiros de Minas Gerais. O governo daquele Estado anunciou, em fevereiro, que três militares haviam sido diagnosticados com excesso de alumínio no sangue.

 

PSICOLÓGICO – Os 18 militares foram para Brumadinho 10 dias após o rompimento da barragem e lá ficaram por 15 dias seguidos. Outra equipe de cinco militares com dois cães retornaram a MG alguns dias depois, onde ficaram por mais 10 dias.

 

O sargento Franklin Amorim esteve nos dois momentos e conta que além dos exames físicos, estão sendo acompanhados por um psicólogo do Corpo de Bombeiros. “Foi um trabalho árduo. Mesmo a gente já tendo participado de várias ocorrências grandes, ainda é impactante ver todo aquele maquinário pesado destruído em meio a corpos”, conta.

 

Para a sargento Fabiola, tudo que ela viu por lá mudou a maneira de ver a vida. “Em toda ocorrência, a gente muda um pouco, pois além do profissional, temos nosso lado humano. Mas Brumadinho me deixou claro que a vida pode acabar em um rápido momento. As cenas que vimos deixou isso claro, como a de uma criança que morreu com o uniforme da escola”, disse.

 

TRAGÉDIA – A Barragem da Mina Córrego do Feijão rompeu em 25 de janeiro, atingindo a cidade de Brumadinho. Até esta quinta-feira (11), 395 corpos foram localizados, 225 já identificados e 68 ainda estão desaparecidos. As buscas continuam, com 130 bombeiros em serviço, nenhum do Distrito Federal.

 

Alline Martins, da Agência Saúde

Fotos: Mariana Raphael – Saude-DF