Governo do Distrito Federal
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28/08/17 às 11h20 - Atualizado em 30/10/18 às 15h18

Cidade Estrutural já tem 70% de cobertura da estratégia saúde da família

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Ação inédita avalia condições de saúde e faz tratamento de recicladores de lixo

BRASÍLIA (28/8/17) – A elevada vulnerabilidade social e econômica da Cidade Estrutural não tem sido impedimento para a expansão da Estratégia Saúde da Família (ESF). Em pouco mais de 10 meses, a cobertura da população local – estimada em 46 mil pessoas, incluindo os cerca de 7 mil moradores da Chácara Santa Luzia – já chegou em 70%. “Partimos de um patamar entre 10 e 15% e somente alcançamos esses índices em virtude do empenho e dedicação das nossas equipes, integradas a essas comunidades e, de certa forma, já integrantes dessa realidade”, avalia o gerente de Serviços de Atenção Primária do Guará, Maurício da Costa Baptista.

Detentora da menor renda per capita do DF, de apenas R$ 522 mensais, conforme a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (PDAD 2015/16), a Estrutural surgiu a partir de um núcleo de recicladores de lixo e foi consolidado com a integração da cidade à região administrativa Setor Complementar de Indústria e Abastecimento, que inclui a Cidade do Automóvel.

A atividade ainda subsiste, com cerca de duas mil pessoas que atuam no local. No entanto, até o próximo mês de outubro, com o encerramento das atividades do lixão da Estrutural, deverão ser realocadas para um conjunto de galpões de reciclagem instalados pelo GDF – mudança que não está ocorrendo apenas no campo ocupacional. “Em parceria com a UnB e a Escola Superior de Ciências da Saúde [Escs] estamos realizando um levantamento das condições de saúde de 1.500 recicladores, com entrevistas e exames laboratoriais, que já estão permitindo a aplicação de planos terapêuticos individuais”, informa Maurício Baptista.

Ele explica que o estudo foi desencadeado em virtude da exposição ao risco ocupacional vivenciado pelos recicladores, sujeitos ao contato com as mais variadas fontes de contaminação, tanto de origem orgânica quanto química. Na entrevista, são investigados o histórico das enfermidades, hábitos alimentares, acompanhamento da saúde da mulher, entre outras questões. “Nos exames laboratoriais, avaliamos níveis de colesterol, glicemia, a ocorrência de hepatite, HIV e, no caso positivo em qualquer uma das situações, há o encaminhamento imediato para tratamento”, diz o gerente.

ABRANGÊNCIA – A atuação das nove equipes da Estratégia Saúde da Família na Estrutural e Chácara Santa Luzia enfrenta diariamente uma série de desafios, diretamente relacionados com o baixo padrão socioeconômico do local. “Já fiz dois partos nesse ano, conta Maurício, acrescentando que a UBS 1 também funciona como referência para emergências, “atendendo casos relacionados à violência doméstica, contra a criança, perda de guarda e abandono.

A UBS 1 também funciona como unidade de ensino prático para docentes de graduação em enfermagem e medicina da Escs. Para cada duas equipes da ESF, há uma de saúde bucal, com dentista e técnico de higiene bucal, que realizam visitas regulares às escolas, orientando sobre a escovação e marcando consultas para tratamento, quando indicado.

Além da ação direta no enfrentamento de problemas decorrentes da infraestrutura urbana, os profissionais se desdobram em atender a alta rotatividade da população de Santa Luzia. Como se trata de uma ocupação irregular, os órgãos governamentais, por dever de ofício, fazem a remoção dos invasores, que retornam aos locais da retirada de forma contumaz, geralmente no dia seguinte. “Essa itinerância dificulta nosso trabalho, pois não permite a continuidade das ações de saúde. O crescimento descontrolado atrapalha a definição de prioridades junto a essa população flutuante”, relata a bióloga do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf), Kênia Cristina de Oliveira.

Mesmo as dificuldades na abordagem desse grupo não parecem arrefecer o ânimo da equipe de saúde 9, que atende Santa Luzia. Para contornar os problemas demográficos na cidade, os profissionais de saúde – além da assistência realizada nas unidades básicas de saúde e diretamente nos domicílios – se desdobram para acionar as redes de proteção social e minimizar os efeitos da situação transitória de parte da população.

“Realizamos as atividades de rotina, desenvolvendo ações de prevenção e promoção à saúde, como o controle de hipertensão arterial, da diabetes e orientação quanto aos métodos contraceptivos, por exemplo, mas devemos compreender que a saúde é um conjunto de elementos mais amplos, que incluem o bem-estar físico e mental, diretamente relacionado às condições sociais. Por isso, ampliamos nossa ação para questões mais abrangentes”, explica a coordenadora da equipe 9, Monique Bueno.

A atuação das equipes que atendem o local reflete de forma prática os princípios da Estratégia Saúde da Família. O conhecimento da realidade local, o enfrentamento solidário dos desafios decorrentes do quadro social e a interação com a comunidade são representados pelo reconhecimento da moradora de Santa Luzia, Dalmira Maria dos Santos. Enquanto segura a netinha de 4 meses no colo e é atendida em casa pelo médico José Ignacio Suarez, não economiza elogios. “Eles estão sempre por aqui, são os nossos protetores. Quando minha neta precisou, foi o doutor que correu para dar um jeito de internar. Desse pessoal eu só tenho o que agradecer”, deixa escapar com sincera gratidão.

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