Governo do Distrito Federal
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28/08/19 às 14h55 - Atualizado em 28/08/19 às 16h14

DF se destaca como referência em Banco de Leite Humano no 1º Workshop Brics

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Representantes dos países visitam capital federal para conhecer a rede local

 

O 1º Workshop Brics sobre Banco de Leite Humano teve início, nesta quarta-feira (28), na sede da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Brasília. Representantes do bloco de países, composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, participaram da abertura do evento e conheceram mais sobre as experiências exitosas do país e do Distrito Federal, que é referência nas políticas públicas de saúde voltadas aos bancos de leite humano.

 

Devido à excelência do serviço, os representantes do Brics visitarão algumas unidades de saúde do DF para conhecer o modelo brasileiro de Banco de Leite Humano. Aqui é o único local do país com 100% de cobertura de bancos de leite e de postos de coleta nas unidades públicas e privadas de saúde que possuem UTI neonatal.

 

São 15 bancos de leite humano, sendo dez deles da Secretaria de Saúde, além de cinco postos de coleta, dois deles geridos pela pasta.

 

“É muito importante divulgar, junto aos países participantes do Brics, todo o trabalho desenvolvido no Brasil, principalmente, no Distrito Federal, onde somos referência e temos autossuficiência no fornecimento de leite humano para as crianças que necessitam”, afirmou o secretário de Saúde, Osnei Okumoto, que participou da mesa de abertura.

 

Sobre o atendimento aos recém-nascidos, nos primeiros sete meses deste ano, foram doados 10.227,3 litros de leite humano no Distrito Federal por 3.806 mães, com 17.094 visitas domiciliares feitas tanto por profissionais da Secretaria de Saúde como do Corpo de Bombeiros Militar do DF (CBMDF), parceiro da iniciativa, e presente à abertura do workshop.

 

“Somos exemplo para o Brasil e os Brics. Só conseguimos ser essa referência graças à rede da Secretaria de Saúde, à Rede Suplementar de Saúde do DF, ao Corpo de Bombeiros e, principalmente, a todas as mulheres doadoras do Distrito Federal, que dividem o alimento dos seus filhos com as crianças que mais necessitam”, agradeceu a coordenadora das Políticas de Aleitamento Materno e do Banco de Leite Humano da Secretaria de Saúde, Miriam Santos.

 

ALEITAMENTO – Outro ponto positivo na atuação do Distrito Federal foi informado pela primeira dama do DF, Mayara Noronha. “Nos destacamos no índice de aleitamento [materno] exclusivo. Aqui, nossa porcentagem está em 61%, sendo que em todo o Brasil o índice corresponde a aproximadamente 41%. Ou seja, o destaque é nosso e, com isso, os olhos do mundo estão aqui”, comentou.

 

Mãe do pequeno Mateus, nascido em julho, Mayara também destacou a importância da amamentação para reforçar o vínculo com os filhos recém-nascidos, além de o gesto minimizar ou até impedir a incidência de câncer de mama nas mulheres que amamentam. “Se temos condições de incentivar e abraçar a causa, temos de nos unir nesse assunto. Vamos disseminar o assunto e discutir bastante enquanto o Brics estiver aqui”.

 

SALA DE AMAMENTAÇÃO – Logo após a abertura do evento, o primeiro local visitado, informalmente, pelos representantes do Brics e pelo secretário de Saúde foi a recém-criada Sala de Apoio à Amamentação, instalada na própria sede da Fiocruz Brasília.

 

“Recebemos, do Ministério da Saúde, a certificação da nossa sala de apoio à mãe trabalhadora e estudante justamente para sustentar, no espaço da Fiocruz, as políticas de saúde voltadas ao aleitamento e à amamentação”, comentou a diretora da Fiocruz Brasília, Fabiana Damásio.

 

PROGRAMAÇÃO – A programação do workshop, que se estenderá até sexta-feira (30), inclui palestras sobre a trajetória da ação no Brasil; estratégias de operacionalização; alinhamento com a saúde global; aulas práticas de processamento e controle de qualidade, a partir dos preceitos técnico-científicos desenvolvidos no país; e um painel com a experiência de cada país no tema.

 

“Que possamos sair do workshop com uma decisão, ou encaminhamento concreto, de uma parceria dos Brics como parte dessa rede global de leite humano. Creio que isso será um motivo de grande satisfação, e um desafio a ser compartilhado, ao pensar que os países poderão cooperar em um elemento central à vida, que é o leite humano”, frisou a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade.

 

ÍNDICES – No Brasil, foi possível reduzir, significativamente, a taxa de mortalidade infantil com, dentre outras iniciativas, investimentos na implantação da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR), como as casas de apoio à amamentação em todo o território nacional.

 

Atualmente, o país possui a maior e mais complexa Rede de Bancos de Leite Humano do mundo, com 225 unidades em todos os estados, além do Distrito Federal. A título de comparação, no âmbito do Brics, até 2017, Rússia, China, Índia e África do Sul totalizaram cerca de 100 Bancos de Leite Humano, regidos sob as mais diversas formas de operação.

 

Vale citar que, em 2018, a rBLH-BR alimentou 184.595 recém-nascidos internados em unidades de terapia intensiva/semi-intensiva neonatais com 160.127,2 litros de leite pasteurizado, de qualidade certificada, envolvendo a participação de 181.893 mulheres que, de forma altruísta e voluntária, doaram leite para os BLH no Brasil.

 

 

Leandro Cipriano, da Agência Saúde
Fotos: Breno Esaki/Saúde-DF