Governo do Distrito Federal
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27/06/14 às 17h32 - Atualizado em 30/10/18 às 15h11

Disfunção temporomandibular afeta mais público feminino

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Tratamento objetiva controlar a dor e reeducar o paciente

Estudos sobre a prevalência de Disfunção Temporomandibular (DTM) apresentam resultados bastante variados, mas a literatura e artigos científicos vêm mostrando que a taxa de prevalência do problema está voltada para as mulheres que chegam a somar cerca de 80% dos casos. É mais comum ainda aparecer a partir dos 30 anos quando a mulher está na sua melhor fase fértil. Esses foram os dados que a Dra. Érika Franco, mestre e especialista em ortodontia e Ortopedia Funcional dos Maxilares, relatou em sua palestra “Dor Orofacial – Disfunção Temporomandibular”, no Hospital Regional do Guará (HRGu).

O problema é caracterizado pelos distúrbios da articulação e dos músculos temporomandibulares (ATM) que conectam o maxilar inferior ao crânio. As principais causas estão relacionadas a fatores comportamentais, psicossociais e hormonais da mulher. A dor do músculo pode estar relacionada a várias causas. Pode ser devido a tensões emocionais, contração da musculatura, hiperatividade e traumas ocorridos na região. A má oclusão e o estresse também fazem parte da lista. Mas, o estresse tem sido apontado como uma das principais causas e nos últimos anos a incidência do problema tem aumentado, segundo Franco.

“Os fatores emocionais desempenham um papel significante nesse processo porque ele desencadeia o aparecimento das alterações e, além disso, pode contribuir diretamente para a perpetuação desse quadro. Ele aumenta a atividade muscular e contribui para a supressão do sistema imunológico”, afirma.
Diante da característica multifatorial da disfunção, o tratamento na maioria das vezes precisa ser interdisciplinar. O objetivo é controlar a dor, recuperar a função do aparelho mastigatório, reeducar o paciente e amenizar cargas adversas que perpetuam o problema. Inicialmente, são recomendadas terapias não-invasivas e reversíveis para os pacientes. São aconselhamentos, controle por fármacos, placas oclusais, fisioterapia, acupuntura, inativação dos pontos de gatilho, reabilitação e ortodontia.

A cirurgia é vista com cautela. É necessária em casos específicos, tais como anquilose, fraturas e determinados distúrbios congênitos ou de desenvolvimento. Excepcionalmente, são aplicáveis para complementar o tratamento em transtornos internos da ATM.

Jean Dias, dentista, percebeu o aumento da demanda em seu consultório com queixas características de DTM e quando o problema não é da sua área, costuma encaminhar os pacientes para outros profissionais.

“Percebo que hoje chega muito paciente aqui com um quadro de estresse. O assunto é novo e permeia outras áreas. Quando vejo que não há nenhum problema aparente, converso com o paciente e sugiro os outros profissionais. As minhas dicas são alimentação saudável e atividade física que ajudam muito nesse processo”, afirmou.

O desafio ainda é conseguir um diagnóstico preciso. Para Érika Fraco, o problema tem ganhado uma notoriedade maior devido a sua maior incidência. No entanto, as discussões sobre o tema são recentes e existe paciente saindo do consultório sem um diagnóstico fechado. Segundo Franco, a anamnese e inspeção clínica realizada pelo médico no consultório são essenciais porque muitas vezes os exames não mostram os problemas. A profissional defende o atendimento multidisciplinar.

“As portas de entrada mais comuns são a odontologia, otorrinolaringologia e neurologia porque os sintomas confundem o paciente. O problema geralmente causa dor de cabeça, no ouvido, na musculatura facial e estalos na região são comuns. Se não há uma sensibilidade do profissional em relação à DTM, esse paciente vai passar por outras áreas e corre o risco de ficar sem um diagnóstico. Quando detectado, muitas vezes é necessário um trabalho multiprofissional porque a disfunção pode ter vários fundos como, por exemplo, o emocional junto com um trauma sofrido”, afirmou.

Confira alguns dos sintomas relacionados à DTM:

– Dificuldade, dor ou ambos ao abrir a boca, ao bocejar, ao mastigar, falar ou ao usar os maxilares;
– Mandíbula “trancada”, presa ou cai;
– Notar algum ruído nas articulações da mandíbula
– Sentir a mandíbula cansada, rígida ou tensa;
– Dor nas orelhas, têmporas ou bochechas;
– Dor de cabeça, pescoço ou dor de dente com frequência;
– Trauma sofrido na cabeça, pescoço ou mandíbula;
– Alteração de mordida;

Érika Bragança, da Agência Saúde DF