Governo do Distrito Federal
Governo do Distrito Federal
16/07/20 às 11h15 - Atualizado em 21/07/20 às 14h16

Hepatites B e D são infecções sexualmente transmissíveis que podem ser perigosas

COMPARTILHAR

Doenças silenciosas podem acarretar complicações das formas agudas e crônicas, levando à cirrose ou ao câncer de fígado

 

JURANA LOPES, DA AGÊNCIA SAÚDE

 

Julho é considerado o mês de combate às hepatites virais, por isso é  chamado de “Julho Amarelo”. Quando não diagnosticadas, as hepatites virais podem acarretar complicações das formas agudas e crônicas, muitas vezes levando à cirrose ou ao câncer de fígado.

 

A Secretaria de Saúde divulgou neste mês o perfil epidemiológico das hepatites virais B e C no Distrito Federal entre 2015 e 2019, um boletim informativo com dados de todos os cinco anos analisados. De 2015 a 2019, foram notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) 1.859 casos confirmados de hepatites virais no Distrito Federal. Destes, 801 (43,1%) de hepatite B, 23 (1,2%) de hepatites B+C e 2 (0,1%) de hepatites A+B. Não foram notificados casos de hepatite B+D.

 

Arte: Érick Alves

“De 2015 a 2019, segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), 95 óbitos tiveram como causa básica as hepatites virais dos tipos B ou C. Destes 14,7% a hepatite viral crônica B sem agente delta, 11,6% a hepatite aguda B sem agente delta. Em 2019 foram notificados 130 (4,3 casos por 100.000 habitantes) casos de hepatite B”, explica a gerente de Vigilância de Infecções Sexualmente Transmissíveis, Beatriz Maciel Luz.

 

O teste rápido para hepatite B está disponível no SUS. Um dos locais é o NTA da Rodoviária do Plano Piloto: Foto: Breno Esaki/Agência Saúde

 

As hepatites B, C e D só podem ser diagnosticadas por meio de exames de sangue específicos para essas hepatites virais. Os testes rápidos para hepatite B estão disponíveis na rede pública e todas as pessoas não vacinadas adequadamente e com idade superior a 20 anos devem procurar uma unidade básica de saúde para fazer o teste rápido para hepatite B.

 

“A hepatite B não tem cura. Entretanto, o tratamento disponibilizado no SUS objetiva reduzir o risco de progressão da doença e suas complicações, especificamente cirrose, câncer hepático e morte. Os medicamentos disponíveis para controle da hepatite B são a alfapeginterferona, o tenofovir e o entecavir”, informa.

 

 

SINTOMAS – As hepatites virais representam um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo. São doenças infecciosas causadas por diferentes vírus, que têm em comum o tropismo primário pelo tecido hepático. Nem sempre a infecção por esses vírus apresenta sinais e sintomas, mas quando presentes, incluem frequentemente febre, fraqueza, mal estar, dor abdominal, enjoo/náuseas, perda de apetite, urina escura, icterícia (olhos e pele amarelados) e fezes esbranquiçadas.

 

TRANSMISSÃO – A hepatite B é transmitida pelo sangue (via parenteral, percutânea e vertical), sêmen e secreção vaginal (via sexual). A transmissão pode ocorrer pelo compartilhamento de objetos contaminados, como lâminas de barbear ou depilar, escovas de dente, alicates e acessórios de manicure e pedicure, materiais para colocação de piercing e para confecção de tatuagens, materiais para escarificação da pele para rituais, instrumentos para uso de substâncias injetáveis, inaláveis (cocaína) e fumadas (crack).

 

Pode ocorrer a transmissão também em acidentes com exposição a material biológico, procedimentos cirúrgicos, odontológicos, hemodiálise, transfusão, endoscopia, entre outros, quando as normas de biossegurança não são respeitadas. Estima-se que 400 milhões de pessoas em todo o mundo estejam infectadas com o vírus da hepatite B (HBV).

 

Arte: Érick Alves

PREVENÇÃO – A principal forma de prevenir a infecção pelo vírus da hepatite B é a vacina, que está disponível nas salas de vacina do Distrito Federal, nas unidades básicas de saúde. As doses são aplicadas em todas as pessoas não vacinadas, independentemente da idade. Para as crianças, a recomendação é que se façam quatro doses da vacina, sendo: ao nascer, aos 2, 4 e 6 meses de idade (vacina pentavalente).

 

Já para a população adulta, via de regra, o esquema completo se dá com aplicação de três doses. Para população imunodeprimida deve-se observar a necessidade de esquemas especiais com doses ajustadas, disponibilizadas nos Centros de Imunobiológicos Especiais (CRIE).

 

Outras formas de prevenção devem ser observadas, como usar camisinha em todas as relações sexuais e não compartilhar objetos de uso pessoal. O preservativo está disponível na rede pública de saúde.

 

Preservativos estão disponíveis em todas as unidades básicas de saúde do DF – Foto: Breno Esaki/Agência Saúde

HEPATITE D – A hepatite D, também chamada de Delta, está associada com a presença do vírus da hepatite B para causar a infecção e inflamação das células do fígado. Existem duas formas de infecção pelo HDV: coinfecção simultânea com o HBV e superinfecção do HDV em um indivíduo com infecção crônica pelo HBV. A hepatite D crônica é considerada a forma mais grave de hepatite viral crônica, com progressão mais rápida para cirrose e um risco aumentado para descompensação, CHC e morte.

 

Da mesma forma que as outras hepatites, a do tipo D pode não apresentar sintomas ou sinais da doença. Quando presentes, os mais frequentes são: cansaço, tontura, enjoo e/ou vômitos, febre, dor abdominal, observação de pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras. Após o resultado positivo e confirmação, o médico indicará o tratamento de acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para hepatite B e Coinfecções.

 

Os medicamentos não ocasionam a cura da hepatite D. O objetivo principal do tratamento é o controle do dano hepático. Todos os pacientes portadores de hepatite Delta são candidatos às terapias disponibilizadas pelo SUS. Atualmente elas são compostas por alfapeguinterferona 2a e/ou um análogo de núcleostídeo. Todos os pacientes com hepatite D devem ser encaminhados a um serviço especializado. Além do tratamento medicamentoso, a orientação é de que não se consumam bebidas alcoólicas.

 

COMO PREVENIR – A imunização para hepatite B é a principal forma de prevenir a hepatite D. Usar preservativo em todas as relações sexuais, não compartilhar de objetos de uso pessoal são os meios de se prevenir a infecção pelo vírus. Além disso, toda mulher grávida deve fazer o pré-natal e os exames para detectar as hepatites, o HIV e a sífilis.

 

EDIÇÃO: JOHNNY BRAGA

REVISÃO:  JULIANA SAMPAIO