Governo do Distrito Federal
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24/07/20 às 21h40 - Atualizado em 28/07/20 às 16h38

Hospital de Campanha celebra 803 altas ao som de duo de violoncelos

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Com dois meses de atividades, hospital mostra-se fundamental na recuperação dos pacientes

 

JOSIANE CANTERLE, DA AGÊNCIA SAÚDE DF

 

Julia Ferreira da Silva foi buscar a sogra Sônia Branquinho, de 54 anos, internada há 13 dias no Hospital de Campanha do Estádio Nacional Mané Garrincha. A família, que mora em Sobradinho, teve três membros acometidos pelo coronavírus: a própria Júlia, a sogra e o sogro. Com os sintomas mais graves, Sônia primeiro ficou internada no Hospital de Regional de Sobradinho, depois foi transferida para o Hospital de Campanha. Não precisou de internação em leito de UTI, mas o respirador foi fundamental na recuperação. O mais difícil para a família foi a espera para levar Sônia para casa, o que aconteceu na tarde desta sexta-feira (24).

 

“Foi terrível esperar por ela, ainda mais porque ela não tem celular. O contato era quando o médico ligava para passar informação, a gente ficava na expectativa de ela sair, porque havia melhoras e pioras e isso mexeu muito com a gente. Para nós foi muito difícil ficar sem ela”, lembra a nora emocionada e ainda esperando para dar o abraço que por dias precisou ser adiado.

 

Vitória

 

Sônia e mais 15 pacientes receberam alta na tarde desta sexta-feira com muita emoção e ao som de um duo de violoncelo da Orquestra Sinfônica de Brasília. Enquanto eram levados pelos profissionais do hospital até os seus parentes e cuidadores, os pacientes eram recebidos com palmas e músicas brasileiras para celebrar a vida. Os músicos Ocelo Mendonça e Gidesmir Alves fazem parte do projeto “Concertos da Saúde”, fruto da parceria das secretarias de Cultura e Saúde, que há anos leva música para as unidades da rede pública.

 

Hospital de Campanha celebra 803 altas ao som de duo de violoncelos

“Foi diferente porque é um momento complicado que a gente está vivendo, em que tantas vidas estão sendo perdidas e ver que essas pessoas estão se salvando é muito gratificante, emocionante”, refletiu Ocelo.

 

Ao som das belas canções, os olhos de Noel da Silva Dias, de 58 anos, apareciam com aquele leve sorriso de quem não consegue esconder a felicidade por estar a caminho de casa depois de perder a conta dos dias de internação. “Eu perdi até as contas, mas devo ter ficado uns nove ou dez dias hospitalizado. Passei primeiro na UPA de Sobradinho e depois aqui. Fui muito bem atendido nos dois lugares”, agradeceu o servidor da Saúde que mal pôde falar entre tantos sorrisos.

 

Como Noel, alguns sorriam bastante, outros agradeciam em voz alta. Não faltaram lágrimas de agradecimento pelos que estavam de partida, o que refletia na emoção dos olhos marejados dos profissionais que ficavam para continuar o cuidado dos demais pacientes ainda internados.

 

Homenagem para quem fica

 

Finalizadas as despedidas e os reencontros, os músicos também se apresentaram na arquibancada em frente a área de internação, onde os pacientes puderam sair de seus leitos para assistir ao espetáculo, à distância, todos com os equipamentos de segurança visando garantir a saúde de todos.

 

O hospital

 

Salvando vidas há 60 dias, no Hospital de Campanha Mané Garrincha, 803 pacientes que lutaram contra a Covid-19 receberam alta, curados. O secretário adjunto executivo da Saúde, Paulo Ricardo Silva, avalia o trabalho no hospital de campanha. “Essas altas representam uma diferença entre a morte e a vida. Sem essa iniciativa nós provavelmente não teríamos a condição de dar a resposta de que a saúde de Brasília precisa que é ter atendimento de qualidade, humanizado, para as pessoas que estão acometidas pela Covid-19”.

 

Com 197 leitos, a maioria de retaguarda, a média de permanência dos pacientes que chegam para a parte final de recuperação tem sido de seis dias.

 

Modelo inovador

 

Tudo no Hospital de Campanha do Mané foi pensado para dar o melhor atendimento à população e garantir um legado após a pandemia. Todos equipamentos que estão sendo utilizados nesta unidade ficarão para o patrimônio da saúde do DF e servirão para equipar as unidades e aplicar oferta de leitos e outros serviços médicos.

 

Este mesmo modelo também está sendo adotado no hospital de campanha que em breve funcionará no centro médico da PMDF.

 

EDIÇÃO: JOHNNY BRAGA

REVISÃO: JOSÉ AMÉRICO