Governo do Distrito Federal
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9/12/19 às 12h25 - Atualizado em 10/12/19 às 9h08

HRT coordena estudo sobre novo medicamento para úlcera em pé diabético

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Pesquisa necessita de voluntários para ser concluída

 

Foto: Divulgação/Saúde-DF

O Hospital Regional de Taguatinga (HRT) é o centro coordenador de uma pesquisa solicitada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a liberação de um novo medicamento destinado à cicatrização de úlceras em pé diabético. O protocolo de pesquisa clínica é conduzido pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) e também é desenvolvido em outros nove centros de saúde pelo Brasil.

 

Desde março deste ano, os profissionais da Endocrinologia do HRT estão recrutando voluntários para participar do estudo e os primeiros pacientes já encerraram seu tempo de participação.

 

Foto: Divulgação/Saúde-DF

“Hoje, cinco pacientes já finalizaram o tratamento. É um duplo cego. A gente não sabe quem está usando e quem não está, mas é uma opção que não existia”, informa a endocrinologista Flaviene Prado.

 

A médica explica que esta é uma pesquisa que envolve o fator de crescimento epitelial para tratamento do pé diabético. A medicação, desenvolvida em Cuba, já foi aprovada e registrada em 18 países da Europa e passa pela fase de estudos no Brasil.

 

Flaviene ressalta que o tratamento de feridas em pacientes diabéticos é de extrema importância para evitar complicações da doença, como as amputações. “As úlceras demoram muito tempo para fechar e, com isso, elas infectam. A infecção pode resultar numa osteomielite e, consequentemente, na amputação”, relata a médica.

 

Atualmente, há dois tipos de tratamento para pessoas com esse tipo de ferimento, que são as coberturas ou curativos e o off load, que é retirar o pé descarga, ou seja, retirar toda a pressão exercida sobre o pé através do uso de muletas ou de cadeira de rodas.

 

“É muito importante que ele não pise. A grande maioria dos pacientes não sente dor, a sensibilidade se perdeu, que é uma consequência do diabetes, a neuropatia diabética”, esclarece. A endocrinologista explica também como surgem essas feridas. “Qualquer coisa simples, às vezes, um arranhão ou um calo que não percebeu, mas infectou e virou uma úlcera. E depois pode se tornar uma osteomielite, ou levar a uma amputação. É uma cascata de eventos”, lamenta.

 

MEDICAMENTO – A medicação que está sendo estudada tem o nome comercial Heberprot-P®. O estudo consiste na aplicação de injeções do medicamento na área da úlcera, três vezes por semana, ao longo de oito semanas, até o máximo de 24 aplicações.

 

Foto: Divulgação/Saúde-DF

Os pacientes/voluntários podem ser alocados ou no grupo placebo, ou no grupo de tratamento ativo de maneira aleatória. Os participantes da pesquisa permanecem com acompanhamento médico após esse período.

 

VONTUNTÁRIOS – Para ser concluído, o estudo necessita alcançar o número de 304 participantes. A médica do HRT faz um apelo aos pacientes diabéticos para que procurem a secretaria da Endocrinologia, no Ambulatório do HRT, para participar desse importante estudo.

 

Os critérios para integrar a pesquisa são ter diabetes do tipo 1 ou do 2; ser maior de 18 anos; não estar grávida; e ter uma úlcera/ferida no pé.

 

DADOS – O estudo Annual Direct Medical Costs of Diabetic Foot Disease in Brazil: A Cost of Illness Study indica que, nos países em desenvolvimento, 25% dos diabéticos desenvolverão pelo menos uma úlcera no pé durante a vida, ou seja, uma pessoa entre quatro terá problemas nos pés, desencadeados pela neuropatia e complicados pela Doença Arterial Periférica e por infecção, resultando em amputações.

 

 

No Brasil, estima-se que 40 mil pessoas por ano tenham complicações que levem à amputação dos membros inferiores. A maioria dos pacientes já chega com as úlceras em estado avançado nos prontos-socorros e sem saber que são diabéticos.

 

INSTITUIÇÕES ENVOLVIDAS – Além do Hospital Regional de Taguatinga, o estudo também está sendo realizado na Universidade Federal de São Paulo (SP); Policlínica Piquet Carneiro e Hospital Federal dos Servidores do Estado (ambas do RJ); Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte (MG); Hospital Memorial Arthur Ramos (AL); Hospital Universitário Lauro Wanderley (PB); Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (PE); e Fundação Hospital Adriano Jorge Universidade do Estado do Amazonas (AM).

 

Josiane Canterle, da Agência Saúde