Governo do Distrito Federal
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21/06/16 às 19h38 - Atualizado em 30/10/18 às 15h15

Lacen faz monitoramento toxicológico de medicamentos

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Além dos remédios, os agrotóxicos também são acompanhados.Em 2015, foram analisadas aproximadamente 7,8 mil amostras

BRASÍLIA (21/6/16) – Intoxicações causadas por medicamentos agressivos ou terapias malsucedidas são riscos que pacientes oncológicos e transplantados, assim como quem precisa tomar anticonvulsivantes ou fármacos psiquiátricos, podem ter que enfrentar durante o tratamento. Para detectar precocemente níveis tóxicos e avaliar a adequação dos usuários aos remédios, o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-DF) realiza o monitoramento terapêutico desses pacientes.

Em 2015, foram examinadas 6,4 mil amostras de pessoas com esses diagnósticos, entre elas, 3,3 mil transplantados, 2,1 mil pacientes da saúde mental que apresentavam convulsão ou bipolaridade, e mais de 900 oncológicos. Os exames são solicitados pelos médicos da rede, que recebem o resultado após a análise.

“No caso dos anticonvulsivantes e do quimioterápico, é muito importante realizar essa avaliação porque a dose terapêutica pode ser muito próxima da dose tóxica, por isso, temos que monitorar para certificar que nenhum paciente terá problemas decorrentes do uso desses fármacos”, disse a farmacêutica e chefe do Núcleo de Toxicologia do Lacen-DF, Lorene Coelho.

Nas crianças com câncer, que precisam de doses diferenciadas para o tratamento adequado, o teste é fundamental para garantir a saúde. “Elas têm o metabolismo muito diferente, por isso, é necessário monitorar para evitar a manifestação da intoxicação”, alertou a profissional.

Embora os fármacos imunossupressores para transplantados sejam fundamentais, também podem causar reações, como o aumento de pressão arterial. “Um paciente quando recebe um órgão tem que usar continuamente os imunossupressores para evitar a rejeição do órgão. Há uma faixa terapêutica ideal para que o tratamento dê certo. Se ultrapassada, pode ser tóxica. Nós monitoramos isso”, destacou a profissional.

Um outro monitoramento é dos modulares de humor, que contém lítio, para quem apresenta transtorno bipolar. “O monitoramento permite constatar a adequação do paciente ao tratamento. Isso porque muitos, quando se sentem melhor psicologicamente, acabam deixando de utilizar os remédios “, informou.

Os exames são realizados em equipamentos automatizados. Após a coleta, os exames são processados entre 24 e 48 horas e a devolutiva ao paciente é feita entre 7 a 15 dias. A exceção é do teste de methotrexate, destinado a pacientes oncológicos, o qual o resultado é liberado em aproximadamente duas horas.

ÁREA RURAL – Além de realizar o monitoramento terapêutico de pacientes, o Lacen realizou, em 2015, outras 1,5 mil análises de trabalhadores rurais expostos a agrotóxicos e de agentes de vigilância ambiental da Secretaria de Saúde, que utilizaram compostos químicos no combate à dengue.

No caso dos trabalhadores rurais e agentes de vigilância ambiental, o teste realizado é o de colinesterase, uma enzima que ao apresentar níveis mais baixos indica a intoxicação. As classes de agrotóxicos identificadas no teste são o organofosforado e carbamatos, amplamente utilizadas no meio agrícola. As amostras são coletadas em ações promovidas pelo Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), da Secretaria de Saúde.

Segundo Lorene Coelho , o Distrito Federal é referência na realização do exame para os estados de Rondônia e Paraíba, que não tem aparato tecnológico para fazer os exames. “O monitoramento é essencial, já que em curto prazo essa intoxicação é sintomática e pode causar náusea, cólicas intestinais e dor de cabeça. Em caso de intoxicação aguda, pode levar à morte”, disse. A profissional citou, ainda, que a intoxicação crônica – causada pela exposição continua – pode gerar problemas como depressão, ansiedade e até mesmo câncer.

Veja as fotos aqui: