Governo do Distrito Federal
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29/01/14 às 10h06 - Atualizado em 30/10/18 às 15h10

Medo e timidez podem afetar a adaptação do aluno numa nova escola

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Nova rotina, com professores e regras diferentes, provoca insegurança

O ano letivo começa e com ele novos desafios. Alunos que mudaram de escola e os que estão em fase de transição para ingressarem na faculdade passam por adaptações que muitas vezes geram bloqueios mentais e podem demorar a serem quebrados. O medo e a timidez, segundo a psicóloga Luana Jerônimo, são alguns deles a serem enfrentados na fase de adequação à nova realidade.

Fazer novos amigos pode não ser tarefa tão fácil quanto parece. Situações muitas vezes consideradas simples no cotidiano estudantil, são enfrentadas pelo aluno com muito nervosismo e ansiedade. Para Luana, transpor a barreira do medo e da timidez é um desafio grande. Entrar numa nova rotina, com professores e regras diferentes traz insegurança e intranquilidade.

A servidora Carolina Holanda é filha de militar e faz parte do time dos que conseguiram se adaptar mais facilmente. Até os 14 anos, morou em sete cidades diferentes, passando por oito escolas distintas. Afirma que não teve muita dificuldade de adaptação porque os pais sempre ressaltaram os aspectos positivos da mudança.

“Diziam sempre que eu iria ter novos amigos, nova professora, uniforme novo, brinquedos diferentes, tudo novo. Lembro-me de reclamar que perderia os velhos amigos e meus pais diziam que na verdade eu teria mais amigos que todo mundo, porque conheceria pessoas novas. Penso que se a mudança for bem conduzida ela não se torna um problema”, declarou.

Para quem vai entrar no mundo acadêmico, a ideia de saber que você mesmo é o responsável pela própria trajetória, assusta. A pessoa não enxerga a cobrança apenas da família, mas da sociedade e o mercado de trabalho que terá que enfrentar.

“O medo do novo, de quem e o que vai encontrar é predominante. O medo e a timidez tem o poder de paralisar a pessoa. Tanto para o aluno que está mudando de escola e para aquele que vai ingressar numa faculdade, a situação é totalmente nova. Costumo comparar que a escola é uma cidade e a faculdade o mundo. Na escola, o aluno pode até se inserir mais rapidamente porque são pessoas quase da mesma idade e com uma realidade mais próxima. A faculdade é um mundo totalmente novo com pessoas de faixa etárias distintas e regras que se a ela quiser, não precisa seguir”, afirmou.

O problema aumenta quando esse aluno já tem uma dificuldade agregada a uma característica mais retraída de interagir com outros indivíduos. Os medos vão crescendo e a situação vai tomando uma proporção maior. Segundo Luana, a ruptura maior acontece na transição para a faculdade ou até mesmo para o mercado de trabalho. A família nesse momento é um fator diferencial e com o poder de melhorar ou piorar.

“A pessoa muitas vezes se sente perdida nesse momento. O papel da família é essencial nesse processo porque ela pode incentivar, orientar e dar um suporte para ela conseguir ir enfrente no seu objetivo. Minimizar os problemas e rebaixa-la como um estímulo contrário é o caminho mais difícil. A insegurança é o ponto de partida para desencadear os medos e isso pode ter começado na infância e adolescência, que é uma fase crítica de qualquer ser humano”, afirmou.

Caso seja necessário, a família ou a pessoa pode procurar ajuda profissional de um psicólogo para aprender a lidar com o medo. Luana deixa aqui algumas dicas de como enfrentar essa fase de transição:

– Se encaixar em grupos que possuam afinidades com aquilo que você gosta;
– Participar de projetos que haja identificação com áreas de seu interesse;
– Se gosta de esportes, procure alguma atividade física compatível com você;
– Procure participar das festas promovidas pela turma. Geralmente, os mais descolados sempre organizam eventos para a galera.
– Antes de procurar um profissional, não tenha medo de se abrir com colegas antigos, ou pessoas (primos, tios, um vizinho…) mais próximas. Desabafar com alguém é sempre positivo porque o outro tem a capacidade de olhar o problema de fora e poderá ajudar.

Por Érika Bragança, da Agência Saúde DF
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