Governo do Distrito Federal
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22/03/17 às 21h55 - Atualizado em 30/10/18 às 15h16

Paciente de agora, a pioneira Maria José visita hospital em que foi paciente em 1957

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Onde um dia foi o primeiro hospital de Brasília, hoje funciona o Museu Vivo da Memória de Brasília. Ela queria revisitar o lugar onde nasceram seis dos seus 7 filhos. E foi atendida

BRASÍLIA (22/3/17) – O local onde hoje está o Museu Vivo da Memória de Brasília já abrigou o primeiro hospital construído em Brasília. Nesta quarta-feira (22), ele foi palco de grandes recordações para dona Maria José Alves, 71 anos. Em visita ao lugar, ela pôde reviver e relembrar momentos que marcaram sua vida. Foi neste hospital que a moradora de Sobradinho teve seis dos seus sete filhos.

Maria José é paciente de atenção domiciliar da Secretaria de Saúde há cinco anos. Sob o comando da médica Ruth Aben Athar, a equipe multidisciplinar, além de prestar toda assistência necessária ao paciente, tem o cuidado de descobrir o que pode ser feito para trazer ânimo a ele, sem medir esforços para que isso seja feito. Foi assim que a doutora Ruth descobriu o desejo de dona Maria de visitar o antigo hospital.

Durante a visita, Maria se emocionou ao rever fotos na parede do Museu do antigo galpão da Novacap, local onde foi realizada a cerimônia de casamento dela, em 1957, quando tinha apenas 15 anos de idade. Ela lembrou que, na época, enfrentou dificuldades, por causa da diferença de idade: seu noivo tinha 39 anos. Mas ao final deu tudo certo. A união durou 17 anos e gerou sete filhos.

A paciente e pioneira de Brasília também recordou os momentos em que vendia bolos aos operários do local. Lembrou do leite e do café que recebiam de doações e das missas que assistia na igreja São José do Operário, localizada na antiga Cidade Livre. Emocionou-se também ao rever a foto de Bernardo Sayão, ex-diretor da Novacap e um dos principais responsáveis pela construção de Brasília, na parede do Museu, um amigo querido que a vida lhe presenteou.

“São momentos valiosos, de grandes recordações, saudades de tudo isso que fez parte da história da minha vida. Estou muito feliz por estar aqui, acompanhada por essa equipe que é nota 10. São também meus filhos, recebo toda assistência deles e da Secretaria de Saúde, um atendimento maravilhoso”, diz dona Maria.

SATISFAÇÃO – Para a equipe de saúde que acompanha Maria José também é uma grande satisfação poder realizar esse desejo da paciente. “A equipe de cuidados paliativos preza pela qualidade de vida do paciente, oferecendo-lhe conforto e todos os cuidados necessários que possam amenizar seu sofrimento. É extremamente gratificante poder fazer a diferença da vida de um paciente”, ressalta Ruth Aben, que também se emociona ao falar do orgulho e do prazer que sente em realizar um trabalho desse porte, em que pode ajudar e contribuir para amenizar o sofrimento de uma pessoa que se encontra em cuidados paliativos.

A equipe de Atenção domiciliar é formada por dez profissionais e cobre um território de 100 mil habitantes. “É extremamente gratificante poder fazer a diferença da vida de um paciente”, afirma Ruth Aben.

Para dona Maria José, poder recordar esse passado não tem preço. “Foi muito lindo reviver tudo que fez parte da minha história é um momento de muita alegria, estou muito animada e feliz, só tenho agradecimentos”.

HISTÓRIA – O Museu Vivo da Memória Candanga de Brasília foi inaugurado em 1990, no mesmo espaço onde funcionava o hospital Juscelino Kubitschek de Brasília. Tombado em 1985 como patrimônio cultural local, reestruturado, hoje promove programas educativos sobre a história do Distrito Federal. O museu é hoje o único testemunho preservado dos acampamentos dos pioneiros da construção de Brasília.

O JK foi o primeiro hospital a funcionar na cidade, construído em 60 dias e inaugurado em 6 de julho de 1957. Os 1.265 m² de área edificada em madeira abrigavam ambulatório, centro cirúrgico, serviços gerais, administração, residência para médicos e funcionários com famílias e alojamentos para solteiros.

A parte hospitalar, que funcionava 24 horas por dia, continha 50 leitos, oito enfermarias dispostas em duas alas divididas em feminina e masculina, duas salas cirúrgicas, aparelhos de raio-x, laboratório de análise clínica, sala de ortopedia, maternidade, berçário, farmácia e gabinete dentário com raio-x. A partir de 1968, passou a funcionar somente como posto de saúde atendendo aos moradores do Núcleo Bandeirante e das invasões circunvizinhas ao hospital. Em 1974, o hospital foi totalmente desativado com a implantação dos serviços de saúde no Núcleo Bandeirante.

Confira galeria de fotos.