Governo do Distrito Federal
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28/02/14 às 16h33 - Atualizado em 30/10/18 às 15h10

Servidores do Hospital do Guará recebem palestra sobre Câncer de Mama

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Hospital recebeu seis das 20 personagens fotografadas para a exposição

Esperança, fé, força e superação são palavras que definem bem o que as personagens da Exposição Recomeçar precisaram para enfrentar o Câncer de Mama. O Hospital Regional do Guará recebeu seis das 20 personagens fotografadas para a exposição que está no hall da entrada principal.

Em depoimentos emocionados, as mulheres puderam compartilhar um pouco do que viveram desde a descoberta da doença. Os servidores tiraram dúvidas e entenderam mais sobre a doença e a importância da prevenção. Renilda Fernandes, diretora administrativa e enfermeira, salientou ainda a importância da humanidade no profissional de saúde.

“Estou na SES/DF há 28 anos, entrei novinha e acompanhei e assisti a muitos pacientes nessa situação de doença. O que dava o diferencia no dia-a-dia, além dos cuidados médicos, era o carinho e atenção que dispensava a eles. Eu não consigo enxergar um profissional de saúde que cuida de um paciente de forma mecânica e automática”, afirmou.

As pacientes Luciene Araújo, Iraídes Lima, Lourdes Capitulino e Graça Moreira em breves depoimentos mostraram que o câncer de mama não é o fim e sim um recomeço de vida. Araújo destacou que é preciso tirar força de onde não existe. Na doença, descobriu vários talentos e criou um blog para ajudar mulheres que estão nessa situação.

“Enfrentei o câncer sozinha com a minha filha. Foi difícil aceitar a doença, mas eu lutei para viver por mais que eu soubesse que eu poderia morrer. Vou ter que lidar com o fantasma da doença a minha vida inteira porque o meu câncer foi de alto risco. Mas eu não penso mais nisso e vivo um dia de cada vez”, afirmou.

Iraídes Lima, além de enfrentar a doença, durante esse período teve que lidar com a perda da filha. Durante um ano, correu do diagnóstico com medo de morrer. Mas, encorajada pela filha, venceu a doença. “Foi muito difícil para mim porque além do câncer eu perdi a minha filha que mais me ajudou e deu força para derrotar o câncer. Com a morte dela, pensei em desistir de tudo, mas refleti e vi que seria covardia minha porque tenho outro filho e família. Seria egoísmo e o que ela mais queria ver era a minha cura”, declarou.

Com o diagnóstico e tempo de vida dado por alguns médicos, elas tiveram que lidar com outros problemas como o fim de um longo casamento. Capitulino, comerciante, chegou ao médico com estágio avançado. A mama não tinha caroço, mas ficou dura e saia um líquido. Quando foi ao médico e retornou com os exames, foi lhe dado apenas seis meses de vida.

“Vi ir embora 25 anos de casamento. Não tive apoio e companhia nenhuma do meu marido. Sofri muito. A própria doença te castiga na aparência. Mas, eu pensava nos meus três filhos que precisavam de mim e não podia me entregar. Orava a Deus e ele me deu mais uma oportunidade de estar aqui e isso já faz 10 anos”, afirmou.

Vencida a doença e após a percepção da mutilação que a mastectomia produz, as personagens enfrentaram problemas na sua autoestima. A reconstrução mamária, oferecida pelo SUS, proporcionou a reconstrução da mulher em si mesma. Com o diagnóstico de seis meses de vida, Graça Moreira ouviu do médico que ficaria aleijada, gorda e careca.

“Eu saí de lá me perguntando quem era esse médico para dizer isso e falava para Deus que Ele sim era o dono da minha vida. A forma que ele falou foi terrível e desumana. Fiz o tratamento e quando disseram que teria que tirar a minha mama, falei para os médicos o que era uma mama diante da vida. Eu queria era viver. Com a reconstrução, que são várias cirurgias, a minha vida tem mudado”, afirmou.

As dificuldades enfrentadas foram muitas e ainda são para mulheres que ainda estão doentes. Mas, as histórias de superaçãodeixam para trás o que foi ruim e dão forças para que outras continuem a sua luta.Carolina Abad, da Associação Recomeçar, declarou que a melhor recompensa é ajudar e ver que as mulheres que procuram a associação estão lutando para viver.

“As mulheres que nos procuram relatam histórias de descasos de alguns profissionais de saúde, frieza de médicos que todos os dias dão um diagnóstico desse, problemas na vida sexual após a retirada da mama, distanciamento do parceiro durante a doença, entre outras coisas. O nosso papel é contribuir para o fortalecimento desse ser humano e ajudar no que for para que a caminhada seja mais leve”, afirmou.

A Secretaria de Saúde do DF está com quatro unidades da Carreta da Mulher que realizam exames de mamografia e conta também com o atendimento nas unidades básicas de Saúde na Sala da Mulher.

Por Erika Bragança, da Agência Saúde DF
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