Governo do Distrito Federal
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14/05/18 às 19h33 - Atualizado em 14/05/18 às 19h34

PAV Alecrim é reconhecido nacionalmente

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Serviço prestado no DF é pioneiro no país. Foto: Mariana Raphael

 

O Programa de Pesquisa, Assistência e Vigilância à Violência Rede de Programas de Atenção Integral à Violência (PAV Alecrim) recebeu, nesta segunda-feira (14), o Prêmio Neide Castanha, na categoria Boas Práticas.

 

A entrega do reconhecimento à equipe foi feita pela primeira-dama e colaboradora do governo de Brasília, Márcia Rollemberg, durante o II Congresso Brasileiro de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes.

 

O PAV Alecrim é o único programa no país a atender autores de violência sexual contra crianças e adolescentes que já cumpriram pena em regime fechado. Desde 2013, eles recebem atendimento psicológico em encontros individuais e em grupo.

 

Para a chefe do Núcleo de Prevenção e Atenção às Situações de Violência (Nupav), Denise Marreco, o prêmio é o reconhecimento ao trabalho desafiador feito pelo Alecrim.

 

“No início, até o local para iniciar o trabalho foi difícil, pois ninguém queria este público por perto. Mas nós conseguimos”, comemora.

 

Ao receber o prêmio, o subsecretário de Vigilância a Saúde, Marcos Quito, ressaltou o fato de ser um programa dentro do Sistema Único de Saúde.

 

“É um programa dentro da rede pública. É a expressão pública de um Estado que repulsa o estado de violência”, disse.

 

Uma das idealizadoras do programa, a chefe do Núcleo de Estudos e Programas na Atenção e Vigilância em Violências (Nepav), Fernanda Falcomer, lembra do começo desafiador.

 

“Éramos os primeiros, não tínhamos em quem nos espelhar. Sabíamos da importância de trabalhar o autor, como forma de prevenção, mas foi preciso muito estudo para organizar protocolo e ter o serviço estruturado como é hoje”, relembra.

 

PRÊMIO – O prêmio, em sua oitava edição, é uma homenagem a Neide Castanha, reconhecida defensora dos direitos humanos que dedicou parte de sua vida a lutar contra a violência a que são submetidas crianças e adolescentes no Brasil.

 

Além da Saúde, também foram agraciados a coordenadora do Movimento Estadual contra a Violência e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, Mariza Alberton, na categoria Cidadania; o Coletivo Filhas de Frida, na categoria Comunicação Digital; o livro infantil “Não me toca, seu boboca!”, na categoria Produção de Conhecimento; Grou Turismo, na categoria Protagonismo de Crianças e Adolescentes; e a Fibria Celulose, na categoria Responsabilidade Social.

 

No evento, ainda foram reconhecidos publicamente a senadora Lídice da Mata (PSB-BA) e o dramaturgo Walcyr Carrasco.

 

Esta é a segunda vez que a Secretaria de Saúde recebe o Prêmio Neide Castanha.

 

Em 2016, a pasta foi reconhecida na categoria Produção de Conhecimento, com o Manual do Grupo Multiprofissional, com prêmio entregue ao Nepav, pelo desenvolvimento da metodologia de atendimento às vítimas de violência.

 

PROGRAMA – Atualmente, a Secretaria de Saúde conta com 19 PAVs, com um total de 104 profissionais entre psicólogos, terapeuta ocupacionais, assistentes sociais, médicos, psiquiatras e técnicos.  O Alecrim é um deles e conta com seis servidores, além de três supervisores doutorandos da Universidade de Brasília.

 

Segundo o psicólogo do PAV Alecrim, Cássio Bravim Setubal, desde o início dos trabalhos, em 2013, até hoje, foram atendidos cerca de 150 homens. “Iniciamos com o foco em homens, mas há cerca de três anos, passamos a atender mulheres autoras também, porém, em número mínimo”, conta.

 

O atendimento é dividido em dois momentos: cinco atendimentos individuais, sendo um deles com a participação da família e um psiquiatra, com duração média de uma hora e meia; e outros oito encontros em grupos de 10 a 12 pessoas, com duração de cerca de três horas cada.

 

“Depois ainda fazemos um atendimento de monitoramento, sendo um três meses após o encerramento do grupo e outro seis meses após”, detalha Cássio.

 

Ele conta que a avaliação pós-atendimento mostra evoluções.

 

“A gente percebe que, no começo, eles vão mesmo por uma obrigação imposta pela Justiça, mas ao final, eles chegam com demandas próprias”, diz o psicólogo. Ele afirma que no atendimento, os profissionais precisam enxergar o autor não somente como acusado, mas como ser humano e, assim, eles encontram no PAV um apoio para ele como indivíduo.

 

TEXTO: Alline Martins, da Agência Saúde