Governo do Distrito Federal
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21/05/13 às 15h08 - Atualizado em 30/10/18 às 15h05

Primeiro CAPSad da SES/DF já atendeu 5.439 pacientes

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Em nove anos de atendimento à comunidade, o primeiro Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (CAPSad) da SES/DF já teve dez mil prontuários ativos. A unidade que fica no Guará II, atualmente, possui 1.700 pacientes. Este ano, o centro já realizou 2.112 atendimentos individuais e promoveu 328 reuniões em oficinas com a adesão de 3.327 pessoas. 

À medida que foram inauguradas as outras unidades no DF, os prontuários foram transferidos. Esse projeto faz parte da reforma psiquiátrica brasileira produzida pelo Ministério da Saúde, no qual o CAPS tem valor estratégico essencial para a recuperação do cidadão sem que ele fique dependente do hospital.

A ideia central do Centro é a inversão do fluxo de atendimento, em que a unidade deve ser substitutiva e não complementar ao hospital. Para Maroa Santiago Gomes, coordenadora geral de saúde do Guará, é muito delicado porque precisa vencer o desafio de estabelecer um vínculo de credibilidade e confiança com o paciente para que o tratamento tenha sucesso e ele dê continuidade no que é proposto. “O nosso objetivo é recuperar a dignidade dessa pessoa dando a terapia apropriada e evitar que ela chegue numa situação crítica e extrema, tendo, por exemplo, que ser internada”, assegura.

A unidade do Guará

A equipe multidisciplinar da unidade é composta por 22 profissionais nas áreas de psicologia, psiquiatria, clínica médica, terapia ocupacional, assistência social, enfermagem e administração. O trabalho que é realizado não visa somente atender ao paciente, mas também convidá-lo à responsabilização e ao protagonismo em toda a trajetória do seu tratamento. Sua finalidade é oferecer o acompanhamento clínico e promover a reinserção social dos usuários pelo acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários.

Usuário do CAPS, Ezequiel Coelho, lembra até hoje o dia que chegou à unidade buscando ajuda para tratar o alcoolismo. “Fui o 16º paciente da lista. Estive aqui no dia 01/10/2004 onde permaneci por seis anos em tratamento. Não tinha vontade de nada. Pela abstinência, às vezes chegava a ser internado no Hospital Regional de Ceilândia”, afirmou. Após o sofrimento que passava todos os dias, brigas familiares e problemas no relacionamento, Coelho assumiu que tinha o vício e buscou ajuda no CAPSAd. “A recepção dos profissionais, o carinho e atenção me fez sentir acolhido. Participei de muitas palestras, teatro, coral e consegui vencer”, assegurou. Ezequiel terminou os estudos pelo supletivo. Passou na UnB em Saúde Coletiva e sonha em ajudar pessoas que passam pelo mesmo problema. A demanda para o CAPS hoje é outra. Ele procurou novamente o serviço para tratar fobia e pânico e foi encaminhado para o CAPS de Taguatinga.   

A unidade do Guará é do tipo II, para cidades de médio porte, e atende durante o dia a população adulta.  Acolhe também usuários do Guará, Riacho Fundo, Setor Habitacional Arniqueira, Águas Claras, Vicente Pires, N. Bandeirante, Park Way, Setor de Indústria e Abastecimento (S.I.A) e Estrutural. Em 2012, atendeu 14.284 pessoas, somados aqui o acolhimento e os trabalhos em grupo com reuniões e palestras. Mensalmente, 63 pessoas chegam a procurar o serviço.  Recebe encaminhamentos também da Defensoria Pública, Centro de Referência em Assistência Social, comunidades terapêuticas e outras instituições.

Novo Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas Infanto-Juvenil (CAPSADi III) em Taguatinga

Taguatinga ganhará, no dia 24, uma unidade especial de cuidado e proteção à criança e ao adolescente com dificuldade em álcool, crack e outras drogas. O funcionamento será de 7h às 18h e será especializado para o  público de 6 a 17 anos 11meses e 29 dias, através das modalidades intensiva, semi-intensiva e não intensiva. O centro funcionará na QNF Área Especial 24, Setor F, Taguatinga Norte.

O CAPSAdi-III contará com uma Unidade de Acolhimento e juntos somarão 18 leitos. Na unidade de acolhimento, o paciente poderá ficar até seis meses e no CAPSi, ele poderá ficar até 14 dias. Ambos serão utilizados para desintoxicação. Denise Santoro, responsável pelo centro, afirma que o maior desafio será a adesão ao serviço. “A procura é da família que tem dificuldade em impor limites. Pais buscam desesperadamente ajuda para os seus filhos, mas muitos deles não conseguem trazê-los porque eles não querem o tratamento. Nós damos o suporte e instrumentalizamos esses pais para convencer aos seus filhos a virem aqui. O grupo familiar é essencial nesse trabalho”, destaca. 

Nove regiões serão acolhidas pelo novo centro: Taguatinga, Águas Claras, Samambaia, Vicente Pires, Ceilândia, Brazlândia, Recanto das Emas e Santa Maria.

 

Tipos de CAPS preconizados pelo Ministério da Saúde


Existem cinco tipos de CAPS diferentes, cada um com uma clientela diferenciada (adultos, crianças/adolescentes e usuários de álcool e drogas) a depender do contingente populacional a ser coberto (pequeno, médio e grande porte) e do período de funcionamento (diurno ou 24h).

• CAPS I – são serviços para cidades de pequeno porte, que devem dar cobertura para toda clientela com transtornos mentais severos durante o dia (adultos, crianças e adolescentes, pessoas com problemas devido ao uso de álcool e outras drogas).

• CAPS II – são serviços para cidades de médio porte e atendem durante o dia a clientela adulta.

• CAPS III – são serviços 24h, geralmente disponíveis em grandes cidades, que atendem clientela adulta.

• CAPSi – são serviços para crianças e adolescentes, em cidades de médio porte, que funcionam durante o dia.

• CAPS ad – são serviços para pessoas com problemas pelo uso de álcool ou outras drogas, disponíveis em cidades de médio porte. Funciona durante o dia.

 

Todos os tipos de CAPS são compostos por equipes multiprofissionais, com presença obrigatória de psiquiatra, enfermeiro, psicólogo e assistente social, aos quais se somam outros profissionais do campo da saúde.

Érika Bragança