Governo do Distrito Federal
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2/06/20 às 8h27 - Atualizado em 2/06/20 às 18h47

Programa de Combate ao Tabagismo no DF ajudou 1,5 mil pacientes em 2019

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Este ano, Tabagismo e COVID-19 é o tema nacional de combate ao vício

 

ÉRIKA BRAGANÇA, DA AGÊNCIA SAÚDE

 

Foto: Geovana Albuquerque/Agência Saúde

O trabalho antitabagismo desempenhado nos 83 centros de referência da Secretaria de Saúde incentivou cerca de 1,5 mil pessoas a largar o vício do fumo em 2019. Os grupos acontecem em todo o DF nas unidades básicas de saúde (UBS) e centros de Atenção Psicossocial (CAPS). A abordagem adotada é a cognitiva comportamental com duração de quatro a cinco semanas sequenciais e encontros de manutenção até completar um ano. O tratamento conta com diversas estratégias e segue a linha nacional preconizada pelo Ministério da Saúde.

 

São palestras, consultas, medicamentos e adesivos de nicotina que ajudam o paciente a deixar de fumar. Por conta do isolamento social devido à pandemia do novo coronavírus, por enquanto, o atendimento em grupo foi suspenso, mas os atendimentos individuais continuam com o acompanhamento dos pacientes que já estavam em tratamento. As equipes ainda se organizaram de forma remota para continuar a rede de apoio. São feitos atendimentos via telefone e grupos de WhatsApp. Tudo para não dispersar o paciente que iniciou o tratamento.

 

VITÓRIA – O paciente João Araújo comemora a conquista de três anos sem tabaco. Ele fumou por 40 anos e aos 54 conseguiu largar o vício que começou acendendo o cigarro para terceiros. Essa história de vitória nasceu quando a sobrinha que trabalha num dos grupos do DF, convidou-o a participar dos encontros. Na primeira consulta, como de costume, a médica perguntou a Araújo que dia seria o “dia D” de lagar o fumo. Prontamente, avisou que era o dia seguinte.

 

“Depois de muita insistência, aceitei ir ao grupo. Tive a determinação mesmo de querer largar. Passei por muita ansiedade, engordei um pouco e deixei alguns hábitos que também me davam vontade de fumar, um deles foi o café. Ouvir as histórias das pessoas foi outro ponto impactante. Tive uma melhora em tudo na minha vida, principalmente, quanto à respiração. Senti a diferença no bolso também. Tem que ter opinião para o que ser quer para vida. Eu desenvolvi hipertensão, diabetes tipo 2 e estava com dificuldade para uma simples caminhada. Tudo isso melhorou. O meu conselho é dizer que é possível, você consegue. Não nascemos fumando. Hoje é vergonha, traz problemas sérios de saúde e prejudica o próximo. Inclusive, o meu olfato mudou, hoje, sinto o cheiro e me enjoa. Cigarro leva vida” , afirmou.

 

Débora Paz, técnica em Saúde Bucal, comemora porque foi uma insistência longa para o tio atender ao chamado. A servidora ouvia as histórias de superação e só imaginava o tio sendo uma delas. De fato, hoje ele é um exemplo para a família e amigos. “Meu tio é a história para a família e amigos de que é possível sim começar uma nova vida sem o cigarro. Ele mostra que independente dos anos que se fumou, largar o vício é uma escolha e decisão. É difícil sim, mas não é impossível. Graças a Deus ele conseguiu e hoje, ele é mais um exemplo positivo do programa por onde passa”, declarou.

 

O grupo de apoio, segundo Débora e a experiência do trabalho, ajuda mais que a medicação porque traz a vivência de outros participantes que dá força para largar o vício. Um apoio psicológico coletivo que contribui para vencer o desafio. O programa é bem consolidado no DF e possui uma capacitação mensal dos servidores promovida pela referência distrital do Programa de Combate ao Tabagismo, Nancilene Melo. Nesses encontros, os profissionais dão o retorno sobre a percepção dos pacientes em relação às estratégias adotadas e os relatos da conquista dos pacientes. Tudo para melhorar a assistência e serviço prestado pelos profissionais.

 

TABAGISMO E COVID-19 – O tema do Dia Mundial sem Tabaco 2020 foi “Tabagismo e Coronavírus (Covid-19)“. A escolha do Ministério da Saúde veio para alertar a população brasileira sobre o uso de produtos fumígenos como fator de risco para contrair a doença, bem como sobre a sua transmissão e o desenvolvimento de formas mais graves de Covid-19. De acordo com a pasta federal, fumantes parecem ser mais vulneráveis à infecção, pois além do comprometimento das vias respiratórias, o ato de fumar proporciona constante contato dos dedos com os cigarros e os lábios, aumentando a possibilidade da transmissão do vírus para a boca. Basta o dedo estar contaminado e espalhar o vírus para todos os cigarros em cartela e ser levado à boca.

 

Além disso, a substância presente no cigarro causa diferentes tipos de inflamação e prejudica os  mecanismos  de  defesa  do organismo. Com isso, os fumantes têm maior risco de infecções por vírus, bactérias e fungos e são acometidos com maior frequência de infecções como sinusites, traqueobronquites, pneumonias e tuberculose. Por isso, é possível dizer que o tabagismo é fator de risco para a Covid-19 e que é um agravante da doença: devido a um possível comprometimento da capacidade pulmonar. Sendo assim, o fumante possui mais chances de desenvolver sintomas graves da doença.

 

Os profissionais que trabalham nos grupos relatam que a grande dificuldade enfrentada pelos pacientes é combater a ansiedade. Além disso, ter paciência consigo mesmo ajuda muito a manter o tratamento até o fim. A faixa etária que mais procura o tratamento é de 30 a 50 anos. Nancilene Melo declara que parar de fumar não é fácil e exige determinação de quem deseja lagar o vício. Segundo ela, para aumentar a chance de sucesso, muitas vezes precisa de uma abordagem multidisciplinar. Os grupos possuem apoio multiprofissional e conta com médicos, psicólogos, nutricionista e dentistas, por exemplo. Para participar dos grupos o interessado deve procurar a UBS mais próxima de casa ou do trabalho.

 

DADOS – O tabagismo, na série histórica do Ministério da Saúde, caiu 40% no Brasil. Resultado de várias políticas públicas e leis implementadas ao longo dos últimos anos. No entanto, ainda é considerada uma pandemia*, causadora de mais de oito milhões de mortes por ano no mundo (casos relacionados também ao tabagismo passivo). No Brasil, por exemplo, estima-se que 438 pessoas morrem por dia em decorrência do consumo do tabaco.

 

Os homens ainda continuam sendo a maioria. No último dado do Ministério da Saúde, na faixa etária adulta, 18,9% de fumantes eram homens e 11% eram mulheres.  Já a idade média de experimentação de tabaco entre os jovens brasileiros é de 16 anos de idade, tanto para meninos quanto para meninas. O uso da substância ocupa o segundo lugar no ranking de drogas mais experimentadas no país. Sobre o fumo de forma passiva, as mulheres são as mais afetadas. Em casa, 11,7% são afetadas pela droga e 10,4 no trabalho em ambiente fechado.

 

SAIBA MAIS – O tabagismo é reconhecido como uma doença crônica causada pela dependência à nicotina presente nos produtos à base de tabaco.  O hábito constitui ainda um fator de risco para o desenvolvimento de diversos tipos de câncer e outras enfermidades como infecções respiratórias e úlcera gastrintestinal. Sobre o tipo consumido, há uma variedade  de  itens  derivados de tabaco que podem ser usados de várias formas: fumado, inalado, aspirado, mascado ou absorvido pela mucosa oral.  Todos contêm nicotina, causam  dependência  e  aumentam o  risco  de  contrair  doenças  crônicas  não transmissíveis (DNCT). No Brasil, a forma predominante do uso do tabaco é o fumado.

 

Algumas orientações do Ministério da Saúde para quem deseja para de fumar são:

1. Marque uma data ainda esta semana para deixar de fumar.

2. Enquanto não chega o dia que você marcou, reduza o número de cigarros diariamente, começando pelo adiamento do primeiro cigarro do dia. Não fume logo depois do café da manhã, do almoço, do lanche e do jantar. Essas medidas ajudam a diminuir o número de cigarros e vão preparando seu corpo para o dia da parada.

3. Um dia antes da data que marcou para deixar de fumar, quando for dormir, molhe com água todos os cigarros que sobraram no maço e jogue-os no lixo.

4. Não deixe nenhum cigarro para o dia seguinte porque, se tiver vontade de fumar e não tiver cigarros em casa, você terá mais sucesso, até porque você não sairá para comprar porque não se deve sair à rua devido ao risco da contaminação pelo coronavírus.

 

5. Se der vontade de fumar, lembre-se: a vontade de fumar só dura cinco minutos. Para se distrair nesses cinco minutos: ligue a televisão, tome um banho, coma uma fruta, faça um exercício respiratório… Enfim, faça alguma atividade para esse tempo passar.

6. Lembre-se de que essa vontade de fumar irá diminuir à medida que os dias forem passando. Tenha paciência.

 

*Nota Técnica – Ministério da Saúde