Governo do Distrito Federal
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19/08/20 às 11h41 - Atualizado em 19/08/20 às 15h29

Quase cem partos foram feitos no Hran desde o início da pandemia

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Hospital é referência no atendimento de pessoas com a Covid-19

 

JOSIANE CANTERLE, DA AGÊNCIA SAÚDE DF

 

A insegurança e as incertezas de entrar em trabalho de parto durante o um período de pandemia estão sendo a realidade de muitas mulheres. Uma doença nova que exige muitos cuidados e de alta transmissibilidade faz com que a expectativa das gestantes aumente nesse momento tão esperado.

 

Hospital da Asa Norte é referência no atendimento a pacientes com a Covid-19 no DF – Foto: Breno Esaki/Agência Saúde DF

Com suspeita de estar com a Covid-19, Yorrane Bruna Santos da Silva, de 26 anos, teve a sua primeira filha no último dia 10 de agosto. Com 36 semanas de gestação, a moradora de Samambaia teve pré-eclâmpsia e buscou atendimento no Hospital Regional de Taguatinga, referência para esse tipo de atendimento na Região de Saúde Sudoeste. Neste hospital, e com a suspeita de ter o coronavírus, Yorrane foi encaminhada para o Hospital Regional da Asa Norte (Hran), referência para as gestantes com a doença no Distrito Federal.

 

“Depois que cheguei (no Hran) fiquei bem mais calma. Desde o início, do primeiro atendimento, não tenho do que reclamar. Todos funcionários estão de parabéns”, agradece a paciente que aguarda a alta médica dela e da bebê. “Estou com minha filha no quarto, amamentando, mas com todo cuidado, máscara, álcool em gel, pegar só na hora que precisa mesmo”, conta.

 

Complicações

 

Essa preocupação de Yorrane não é em vão. Uma vez infectada pelo novo coronavírus, a gestante precisa de cuidados redobrados pois há mais possibilidade de complicações. “A gente observou que elas tiveram sofrimento fetal com mais frequência, é uma paciente que passa a ter risco de mortalidade neonatal, e por isso que a vigilância tem que ser redobrada”, explica o médico ginecologista e chefe da unidade de Ginecologia e Obstetrícia do Hran, Marco Antônio Resende Sampaio.

 

Os cuidados iniciam na chegada das pacientes, que são separadas entre aquelas que estão com suspeitas e as que já confirmaram a doença. Todas passam por tomografia para verificar a situação dos pulmões. Durante o tempo de internação das gestantes são realizados exames para verificar a vitalidade fetal com mais frequência para evitar ou diagnosticar o sofrimento fetal, como a ecografia e a cardiotocografia.

 

Unidade de Ginecologia e Obstetrícia do Hran mantém os atendimentos para pacientes com a Covid-19 – Foto: Breno Esaki/Agência Saúde DF

“Algumas confundem com pressão alta, às vezes, faz uma confusão com pré-eclâmpsia provocada pela doença. A Covid-19 também dá alteração renal, dá alteração hepática, então é um paciente que tem que ter um cuidado maior”, relata o médico.

 

Foi criada, no Centro Obstétrico, uma sala com respirador e equipamentos para intubação das pacientes. Quando a paciente passa por esse procedimento ela é encaminhada para o box de emergência ou para um leito de Unidade de Terapia Intensiva para receber os cuidados necessários, sendo encaminhada para a maternidade após melhora e alta dessas unidades. No Hran existe, hoje, um grupo só para realizar o procedimento de intubação que é acionado diante de qualquer intercorrência e o atendimento é imediato.

 

Na maternidade as puérperas também se encontram separadas em suspeitas e confirmadas. Quando o exame apresenta resultado negativo, a paciente retorna para a Região de Saúde de origem. As pacientes que tiveram resultado positivo continuam sendo atendidas no ambulatório específico e, à medida em que elas vão evoluindo, voltam para as unidades básicas mais próximas.

 

Números

 

“Acho que o Hran prestou um grande atendimento para essas mulheres. Nossa incidência de mortalidade é baixíssima e a grande maioria evoluiu muito bem”, avalia Sampaio. Os números mostram o sucesso do hospital nesse tipo de atendimento. Desde o início da pandemia, em março, foram feitos 95 partos, sendo dois partos de gemelares. Houve apenas três óbitos maternos e dois casos de bebês natimortos.

 

Maternidade do Hran registrou 95 partos, até o momento, durante a pandemia – Foto: Breno Esaki/Agência Saúde DF

Atendimentos

 

Ao todo, foram atendidas 1.027 gestantes suspeitas e confirmadas no pronto-socorro da Ginecologia e Obstetrícia do Hospital da Asa Norte e dessas, 272 foram internadas para tratamento clínico por pneumonia e ou trabalho de parto.

 

Equipe

 

Se para as mães está sendo um momento tenso, para os profissionais da saúde também. Com o novo coronavírus as equipes precisaram redobrar os cuidados com a assepsia, especialmente com o processo respiratório, muitos treinamentos, mudanças de rotina, fluxos e protocolos. “A gente leva muito tempo se paramentando e desparamentando e sempre tendo o cuidado para a nossa equipe também não se contaminar e ao mesmo tempo a gente lidar com a fragilidade das nossas pacientes que já chegam aqui com medo, ficam receosas”, relata a supervisora de enfermagem da maternidade, Juliana do Nascimento Simão.

 

Sendo o único hospital do DF a realizar os partos de pacientes com o coronavírus, as equipes precisaram superar o medo inicial de uma doença desconhecida para prestar um serviço de excelência. “Não tem sido fácil, mas a equipe superou a minha expectativa em relação ao engajamento, em relação ao entrosamento de equipe e tem havido uma integração muito grande entre a obstetrícia e as outras clínicas do hospital”, relata o chefe da Ginecologia e Obstetrícia, Marco Antônio, que conclui: “e esse entrosamento das equipes é que levou ao sucesso no atendimento também”.

 

EDIÇÃO: JOHNNY BRAGA

REVISÃO: JULIANA SAMPAIO