Governo do Distrito Federal
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27/01/17 às 16h13 - Atualizado em 30/10/18 às 15h16

Região Norte lança linha de cuidado integral para hanseníase

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Em 2016, DF registrou 155 novos casos da doença

BRASÍLIA (27/1/2017) – O lançamento da linha de cuidado integral para o tratamento da hanseníase na Região Norte marcou o início, nesta sexta-feira (27), das comemorações do Dia Mundial de Luta Contra a Hanseníase, celebrado oficialmente em 29 de janeiro. A iniciativa define o fluxo de atendimento para diagnóstico e tratamento da doença em todos os níveis assistenciais.

Com isso, as 34 unidades básicas de saúde (UBSs) da Região Norte serão capazes de fazer o diagnóstico e dispensação farmacêutica para o tratamento. As ações na atenção primária contarão com acompanhamento de um grupo de seis médicos e uma enfermeira. Além disso, os pacientes poderão contar com o tratamento ambulatorial nos hospitais regionais de Sobradinho, Asa Norte e Unidade Mista de Saúde da 508 Sul, conforme necessidade.

“Esse é um ponta pé para ir ao encontro da população. Precisamos intensificar a busca ativa de casos novos de hanseníase e garantir a assistência e tratamento da população e familiares que coabitam com que tem a doença”, disse o subsecretário de Vigilância à Saúde da Secretaria de Saúde, Tiago Coelho, durante a solenidade, no estacionamento do estádio Augustinho Lima.

O diretor de Atenção Primária da Região Norte, Marcos Trajano, explicou que a SVS também disponibilizará os insumos necessários fazer o diagnóstico, assim como o treinamento dos servidores envolvidos. “Com isso, além de ampliar a divulgação dos sinais e sintomas da doença, vamos ampliar o acesso aos serviços”, finalizou.

Para o lançamento da linha de cuidados, uma tenda foi montada para que a população fosse avaliada por uma equipe de médicos para identificar casos novos. “Essa ação é muito importante. Eu não sei quais são os sinais da hanseníase e não conheço essa doença. Por isso, vim fazer a avaliação e ser orientada”, disse a moradora da região administrativa, Alcebíades Santos, 59 anos.

O QUE É – Segundo o dermatologista da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Divep), Alexandre Ricciardi, a hanseníase é uma doença infectocontagiosa transmitida por uma microbactéria (bacilo) conhecida como Mycobacterium leprae. Seu desenvolvimento está diretamente ligado à imunidade, portanto, é um problema que só tem progressão em pessoas em que o sistema imunológico não tem a capacidade de destruir completamente os bacilos.

“É um problema de saúde pública muito antigo e que ainda existe e precisa de atenção, pois, se tratado, tem cura. Cerca de 80% da população possui resistência natural ao bacilo que penetra, principalmente, pelas vias aéreas [boca e nariz]. Apesar de ter poder infectante elevado, possui baixa capacidade de produção da doença”, esclarece o médico.

Geralmente, quando a pessoa adquire o bacilo, leva-se cerca de dois a cinco anos até que ela desenvolva a doença.

SINTOMAS – Alexandre explica que a doença tem preferência por se desenvolver na pele e no sistema nervoso periférico (nervos). “Normalmente, ela aparece em regiões do corpo que têm a temperatura mais baixa, como os lóbulos das orelhas e os cotovelos, por isso, a hanseníase é conhecida como uma doença que surge nas extremidades”, ressalta.

Os principais sintomas apresentados são pequenas manchas localizadas que podem ser espessas ou não e ter coloração esbranquiçada, acastanhada ou avermelhada. Essas alterações na pele têm a capacidade de indicar sofrimento neural e costumam vir acompanhadas de sensação de formigamento, queimação ou dormência (perda de sensibilidade) na região que a mancha estiver localizada.

TIPOS – A doença tem dois tipos com maior incidência que recebem o nome de hanseníase tuberculóide e a multibacilar. A primeira é quando a imunidade da pessoa tem mais resistência e mais facilidade de destruir o bacilo, por isso, ela não terá capacidade de transmitir e, nesses casos, o paciente desenvolve pequenas manchas ou pode apresentar algum nervo afetado.

No segundo tipo, a hanseníase pode se desenvolver por todo corpo por meio de nódulos (feridas) e infiltrações, que é o espessamento da pele. Esse modelo é altamente contagioso.

TRATAMENTO – Em 1982 a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu qual o tratamento a ser disponibilizado à população com hanseníase. A partir de 1987, o método foi implantado no Brasil, sendo o Distrito Federal um dos pioneiros no oferecimento da medicação no sistema público de saúde.

O tratamento ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) consiste na “poliquimioterapia”, que é a combinação de três drogas que podem levar à morte do bacilo ou impedir a multiplicação deste no sistema. Em média, 99% dos casos respondem positivamente.

A quantidade de doses dos remédios e o tempo em que serão prescritos dependerá de cada caso, sendo que a quantidade máxima é de 24 doses. Desta forma, assim que o paciente recebe o diagnóstico, a cada 28 dias ele deverá comparecer à unidade de saúde para iniciar um novo ciclo de remédios.

No Distrito Federal, os casos podem ser avaliados nos centros de saúde e acompanhados em ambulatórios de referência no Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo e Candangolândia. Nos casos notificados em que há necessidade de reabilitação, o tratamento é realizado no Hospital Dia (508 sul) e os que precisam de cirurgia são direcionados para os hospitais regionais como o Base e o da Asa Norte.

DADOS – De acordo com dados do Ministério da Saúde, somente em 2015 foram registrados cerca de 29 mil novos casos no Brasil. Os países que mais apresentam ocorrências são Índia e Brasil.

No Distrito Federal, foram registrados 214 casos novos em 2015 e, 155 ocorrências em 2016. Nas menores de 15 anos, foram sete pessoas acometidas pela doença em 2015 e outras seis em 2016.

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