Governo do Distrito Federal
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2/12/13 às 11h40 - Atualizado em 30/10/18 às 15h09

São Sebastião combate a obesidade infantil

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Programa atendeu 2.124 crianças em 2013

O Programa de Combate à Obesidade Infantil em São Sebastião, reestruturado em 2013, atendeu 2.124 crianças no Centro de Ensino Fundamental de Nova Betânia, Centro de Educação Infantil 03 de São Sebastião e CAIC. Foram aferidos peso, estatura e circunferência abdominal. Ainda este ano serão avaliadas 810 crianças de três escolas.

O Programa, que visa educar a população sobre as causas, riscos, complicações e prevenção da obesidade, conta com o apoio da Secretaria de Educação do DF, Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS), Programa Saúde da Família e Vila Olímpica. Crianças com diagnóstico de sobrepeso, obesidade e outras complicações são encaminhadas para tratamento.

No primeiro semestre foram realizados treinamentos, sensibilização e capacitação de médicos, auxiliares de enfermagens e agentes comunitários de saúde para efetuar prevenção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento da obesidade infantil.

O programa identifica e encaminha para tratamento as crianças com diagnóstico de desnutrição, baixa e alta estatura, além de estimular os estudantes da ESCS/SES/DF a atuar no diagnóstico precoce e prevenção.

Segundo o coordenador de Saúde de São Sebastião, Marcus Costa, “o treinamento dos grupos de ação, com os agentes de saúde e estudantes do curso de Medicina da ESCS, é de fundamental importância. Os agentes de saúde responsáveis pela obtenção dos dados antropométricos e os estudantes de medicina foram treinados para calcular o índice de massa corporal – IMC, colocar os dados nas curvas da Organização Mundial de Saúde e fazer a classificação das crianças. As palestras dirigidas às crianças e aos pais, com orientações sobre alimentação saudável e exercícios físicos comuns, também fazem parte do Programa. Os pais recebem orientações sobre os riscos da obesidade e suas complicações”, completa o coordenador.

Na consulta de triagem os dados antropométricos são reavaliados, a pressão arterial é aferida e avaliada de acordo com as normas vigentes, os dados familiares mínimos solicitados no recrutamento (doenças crônicas de parentes próximos, peso e estatura das pessoas que moram na mesma casa) serão registrados e solicitados exames necessários de acordo com orientações do departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria.

O dados coletados são avaliados por uma equipe de estudantes do curso de medicina da ESCS, previamente treinados e as crianças classificadas em: baixa estatura, alta estatura, desnutrição, peso normal ou aumentado. O resultado é imprenso e encaminhado aos pais pelo Programa Saúde da Família- PSF ou pela escola, com data e local da consulta da triagem que ocorre no Posto de Saúde da Família de referência ou no Centro de Saúde, se a criança for de área descoberta.

Na consulta de retorno, os resultados de exames são analisados, é efetuado o diagnóstico das comorbidades e iniciado o tratamento. O atendimento em grupos e consultas individuais, é feito pelos pediatras e enfermeiros do Centro de Saúde e PSF, todos previamente capacitados em obesidade infantil ou pelos endocrinopediatras nos casos que apresentarem falha de tratamento ou comorbidades graves.

Os Agentes Comunitários de Saúde – ACS – são responsáveis pelo acompanhamento mais próximo do paciente. O enfoque principal será sempre a mudança de hábito familiar.

Pacientes que necessitarem deverão ser encaminhados para acompanhamento psicológico (muito importante para ajudar o paciente a aceitar as mudanças no estilo de vida e a lidar com a ansiedade relacionada à obesidade) e com nutricionista (para evitar rigor excessivo que possa comprometer o crescimento e corrigir erros nutricionais quando necessário).

A mudança no estilo de vida com aumento de atividades físicas tem o apoio da equipe de profissionais da Vila Olímpica de São Sebastião, respeitando as limitações e preferências das crianças, com programa de exercícios priorizando atividades aeróbicas e de baixo impacto para as articulações.

Se não for possível a criança ou família praticar atividades físicas, serão estimuladas também atividades físicas na região onde moram, com o apoio da equipe do PSF, como já acontece no Morro da Cruz e Bosque 2 em São Sebastião.

Embora seja uma doença crônica, a obesidade já é considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) uma epidemia global. Sua prevalência tem aumentado numa taxa alarmante, tanto em países desenvolvidos quanto nos países em desenvolvimento, onde pode coexistir com a desnutrição.

A principal causa desse aumento é a mudança no estilo de vida, em pessoas cada vez mais sedentárias e com alimentação hipercalórica e pobre em fibras. De acordo com pesquisas populacionais realizadas, a dieta da família brasileira é rica em açúcares e pobre em frutas e hortaliças, e o consumo de gordura vem aumentando com o passar dos anos.

Entre as consequências da obesidade pode-se citar: diabetes mellitus tipo II, hipertensão arterial, esteatose hepática (gordura no fígado) infertilidade, doença arterial coronariana, dislipidemia, problemas sociais, osteartrite do joelho e apneia do sono entre outros.

No Brasil, as complicações representam cerca de 2 a 7% dos custos sociais com a saúde. O Brasil, como vários outros países do mundo, passa por um período de transição nutricional, com diminuição da prevalência da desnutrição e aumento da obesidade infantil.

Segundo dados da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica – Abeso, existem 155 milhões de jovens obesos no mundo, ou seja, um em cada 10 jovens no mundo tem obesidade.

A alimentação da população brasileira tem sofrido muitas modificações, com a substituição de alimentos ricos em fibras e vitaminas, para alimentos com com altos teores de gorduras saturadas e trans, como sanduíches, biscoitos recheados e sorvetes, por exemplo.

Além do erro alimentar, outro fator importante é o sedentarismo. As crianças não correm e brincam como antes e a grande diversão é assistir televisão, jogar videogame ou navegar na internet.

Existem poucos dados sobre a Obesidade Infantil no Distrito Federal, principalmente no que se refere à população pediátrica. Segundo o IBGE, a prevalência de obesidade na população adulta no DF é de 45,9% entre homens e 38% entre as mulheres. Esse aumento é observado também entre os adolescentes. Sabe-se que a obesidade tem aumentado em todas as classes sociais.

Para a coordenadora do Programa de Obesidade Infantil na regional de São Sebastião, pediatria Nathalie de Abreu, “as alterações de comportamento não aparecem de um dia para o outro, as crianças aprendem com os pais e parentes a se comportarem dessa maneira. Por isso é tão importante começar as orientações sobre alimentação saudável e exercícios mais cedo possível e não focar apenas na criança, mas em toda a família.” Completa a médica.

Por ser uma doença multifatorial, a obesidade, inclui além dos fatores genéticos, nutricionais e ambientais, mas pode ser prevenida com a educação da população.

Os principais pontos para prevenção e controle da obesidade infantil são vários entre eles está à realização de exercícios físicos e a mudança dos hábitos alimentares que nem sempre é aceita de imediato pelos familiares.

Mudança de hábitos como: consumir laticínios com baixo teor de gordura, diminuir alimentos ricos em gordura, aumentar frutas, vegetais e fibras, diminuir refrigerantes e o hábito de comer assistindo televisão como também a exposição à propaganda de alimentos e diminuir o tamanho das porções dos alimentos que diminuem a ingestão calórica e a prevenção de ganho de peso excessivo.

Ainda segundo a pediatra “diminuir o comportamento sedentário, caminhar, andar de bicicleta, nadar, praticar educação física na escola e após a escola e finais de semana com atividades de lazer familiares, proporciona um aumento de peso energético e a diminuição de calorias por meio da educação alimentar dá o equilíbrio necessário para o controle do peso infantil”. A família é de fundamental importância no processo de saúde contra a obesidade infantil”. Reforça Natalhie de Abreu.

Por Marina Ávila, da Agência Saúde DF
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