Governo do Distrito Federal
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20/03/18 às 13h36 - Atualizado em 26/03/18 às 17h39

Saúde capacita servidores para ampliar terapia comunitária

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Pratica integrativa genuinamente brasileira promove saúde mental

BRASÍLIA (20/3/18) – Considerada essencial para promover a saúde mental de pacientes que têm desde transtornos mentais simples como aqueles mais graves, os grupos de terapia comunitária serão ampliados nas unidades de saúde do Distrito Federal. A Gerência de Práticas Integrativas, da Secretaria de Saúde, iniciou a capacitação de 35 servidores que estão implantando a técnica, gradativamente, durante o ano de 2018. São 260 horas de teoria e prática.

A terapia comunitária é uma prática genuinamente brasileira, criada em 1987 pelo professor doutor da Universidade Federal do Ceará, Adalberto Barreto. A abordagem foi inserida na saúde pública, em 2008, pelo Ministério da Saúde. Na Secretaria de Saúde, a prática foi inserida em 2012. Atualmente, 12 lugares oferecem a terapia comunitária no DF. Com a formação, a expectativa é a de que aumente para 26.

A psicóloga e coordenadora técnica de Terapia Comunitária Integrativa, Doralice Oliveira Gomes, explica que a abordagem terapêutica consiste em rodas de conversa, sob a condução de um ou mais terapeutas comunitários, que promovem o espaço de fala. Com isso, permite ao indivíduo compartilhar experiências, dificuldades e inquietações do cotidiano.

“Quando não falamos dos nossos problemas emocionais, eles podem se transformar em depressão e sintomas físicos que, muitas vezes, parecem não ter causa”, explicou a coordenadora.

FOTO BAIXA 1 TERAPIA COMUNITARIA

A prática integrativa funciona com regras de convivência, que são falar sempre na primeira pessoa (eu), fazer silêncio para ouvir os demais integrantes, não dar conselho, não julgar, não discursar, não dar sermão e, por fim, lembrar-se de uma música, história ou poesia que tenha alguma relação para promover o aprendizado.

“O paciente pode participar quantas vezes quiser. Mas, em alguns casos, quando há várias queixas, são prescritas as sessões. Com isso, há melhora do quadro físico, porque muitas vezes são doenças da mente, como o estresse e a ansiedade”, relata Doralice.

O terapeuta comunitário é um facilitador do diálogo. A função dele é ajudar a estabelecer uma rede de solidariedade pela escuta respeitosa do outro, em que a pessoa tenha a história de vida valorizada. “Quanto mais eu conheço de mim mais eu posso conhecer do outro, mais consigo compreender os demais integrantes da roda de conversa”, observou.

FOTO BAIXA 3 TERAPIA COMUNITARIA

TREINAMENTO – A capacitação é feita com a colaboração da assistente social Nair Meneses, da ONG Movimento Integrado de Saúde Comunitária do DF. Os alunos são certificados pelo Movimento Integrado de Saúde Mental Comunitária do Ceará (Mismec), que é um polo formador credenciado pela Associação Brasileira de Terapia Comunitária.

Para participar da capacitação não é necessário ter formação em área específica, por isso, podem atuar tanto profissionais de nível superior, quanto médio. No grupo, atualmente, participam agentes comunitários de saúde, técnico de enfermagem, técnicos administrativos, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, entre outros.

Eles são oriundos das unidades básicas de Saúde das regiões administrativas do Cruzeiro, Recantos das Emas, Samambaia, Areal, Taguatinga. Também há servidores de serviços como Instituto Saúde Mental, Centro de Atenção Psicossocial e Centro de progressão Penitenciária (CPP), onde atua uma equipe de saúde.

A psicóloga Givani Guimarães, que trabalha no CPP, conta que já realizou 50 horas de capacitação e promoveu quatro rodas de terapia comunitária no local, já que o curso é prático e teórico.

“Os resultados estão superando as expectativas. Sabemos que as pessoas em privação de liberdade têm um núcleo positivo a ser resgatado. Essa recuperação ocorre de maneira mais fácil quando se tem uma prática em que ele é ouvido com mais freqüência, não é julgado, nem analisado, nem aconselhado, sem sermão. Eles se abrem mais”, disse.

FOTO BAIXA 4 TERAPIA COMUNITARIA

A psicóloga informou que ocorre o fortalecimento do autoconhecimento “Já tivemos 32 participantes e eles estão sinalizando que têm interesse em continuar com a terapia”, finaliza.

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