Governo do Distrito Federal
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21/03/19 às 11h16 - Atualizado em 22/03/19 às 10h09

Saúde reforça ações para combate ao racismo

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Dia Internacional contra a Discriminação Racial é celebrado nesta quinta-feira

 

Menos tempo numa consulta médica. Menor quantidade de acompanhamento pré-natal. Estes são apenas dois dados que refletem o que a população negra ainda enfrenta, também, na busca de atendimento em saúde, quando comparado a pacientes brancos. A discriminação racial ainda é um dos fatores que contribuem muito para este cenário.

 

Na tentativa de diminuir essa diferença, a Secretaria de Saúde tem trabalhado na melhoria da coleta de dados sobre esta população e na questão da discriminação racial, ainda existente e, muitas vezes, camuflada.

 

“Temos feito rodas de conversa com servidores, para falar sobre racismo institucional. É um trabalho árduo, porque muitas vezes nem mesmo a própria pessoa sabe quais situações podem ser descritas como racismo. Temos programados cinco encontros para este ano, com início em maio, para tratar do tema”, conta a gerente de Atenção à Saúde de Populações Vulneráveis e Programas Especiais, Aline Couto César.

 

Ainda com capacitações, a gerência também atua junto às equipes de saúde da família para que eles aprendam a preencher os formulários de cadastro de forma correta. “Queremos que eles deixem que o paciente declare sua cor. O que tem acontecido muito é que o profissional preenche esse campo e nem sempre é real, o que dificulta planejar ações específicas para a população negra”, explica Aline Couto.

 

DOENÇAS – Esse pequeno detalhe da definição da cor/raça faz uma grande diferença na hora de oferecer tratamentos em saúde. Isso porque negros são mais suscetíveis a determinadas doenças, como hanseníase, diabetes, hipertensão e maior índice de mortalidade infantil.

 

“Sabendo disso, quando uma pessoa negra é atendida, o profissional de saúde já pode direcionar a investigação para verificar essas doenças”, ressalta a especialista em gestão de políticas públicas para a saúde, Juliane Alves.

No Brasil, existe uma Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, instituída em 2009, que norteia as ações em todo o país. Ela reconhece o racismo, as desigualdades étnico-raciais e o racismo institucional como determinantes sociais das condições de saúde.

 

A política inclui ainda ações de cuidado, atenção, promoção à saúde e prevenção de doenças, bem como gestão participativa, participação popular e controle social, produção de conhecimento, formação e educação permanente para trabalhadoras e trabalhadores da saúde, visando à promoção da equidade em saúde da população negra.

 

DATA – Nesta quinta-feira (21), os olhares no mundo estão voltados para a questão da discriminação racial, em razão de data internacional dedicada ao tema. O dia foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em memória ao “Massacre de Shaperville”, de 1960. Nesta data, aproximadamente 20 mil pessoas protestavam contra a “lei do passe”, em Joanesburgo, na África do Sul. Esta lei obrigava os negros a andarem com identificações que limitavam os locais por onde poderiam circular dentro da cidade.

 

Desde então, uma série de iniciativas nacionais e internacionais têm sido implementadas para eliminação da discriminação racial, muitas delas voltadas para a área da saúde.

 

Alline Martins, da Agência Saúde

Fotos: Breno Esaki e Mariana Raphael – Saúde-DF