Governo do Distrito Federal
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15/10/15 às 18h02 - Atualizado em 30/10/18 às 15h13

Transtornos mentais podem estar relacionados ao trabalho

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Doenças podem levar ao afastamento do trabalhador

BRASÍLIA (15/10/15) – Situações variadas como um fracasso, um acidente de trabalho ou uma mudança de posição (ascensão ou queda) na hierarquia freqüentemente determinam quadros psicopatológicos diversos, desde os chamados transtornos de ajustamento ou reações ao estresse, até depressões graves e incapacitantes, variando segundo características do contexto da situação e do modo como o trabalhador responde a elas.

De acordo com informações do Centro Distrital de Referência em Saúde do Trabalhador do DF (Cerest), o crescimento das doenças mentais no trabalho, e como isso pode levar ao afastamento do trabalhador, é um fator que chama a atenção do ponto de vista institucional, organizacional e social, tornando-se mais um caso de saúde pública.

“Transtornos mentais e do comportamento, que têm como relação o trabalho, são produtos das situações vividas pelo trabalhador em seu ambiente laborativo e da exposição à agentes químicos ou tóxicos. Nos últimos anos se constata um aumento considerável de pessoas afetadas por transtornos oriundos da relação homem versus trabalho”, relata a psiquiatra do Cerest, Ana Karina Reis.

Existe uma multiplicidade de fatores envolvidos na determinação das doenças mentais e comportamentais relacionadas ao trabalho. Em alguns casos, são de natureza química ou mecânica, em outros, relacionados às formas de organização e gestão do trabalho ou mesmo da ausência de trabalho e, em muitos casos, decorrem de uma ação sinérgica desses fatores.

“O trabalho ocupa um lugar fundamental na dinâmica do investimento afetivo das pessoas. Condições favoráveis à livre utilização das habilidades dos trabalhadores e ao controle do trabalho têm sido identificadas como importantes requisitos para que o trabalho possa proporcionar prazer, bem-estar e saúde, deixando de provocar doenças. Por outro lado, o trabalho desprovido de significação, sem suporte social, não reconhecido ou que se constitua em fonte de ameaça à integridade física ou psíquica, pode desencadear sofrimento psíquico”, destaca a psiquiatra.

Os acidentes de trabalho podem ter conseqüências mentais quando afetam o sistema nervoso central, como nos traumatismos crânio encefálicos. A vivência de acidentes de trabalho que envolvem risco de vida ou que ameaçam a integridade física dos trabalhadores determinam, por vezes, quadros psicopatológicos típicos, caracterizados como síndromes psíquicas pós-traumáticas. Por vezes, surgem síndromes relacionadas à disfunção ou lesão cerebral, sobrepostas a sintomas psíquicos, combinando-se ainda à deterioração da rede social em função de mudanças no panorama econômico do trabalho, agravando os quadros psiquiátricos.

De acordo com a Portaria n.° 1.339/1999, do Ministério da Saúde, são considerados transtornos mentais e do comportamento relacionados ao trabalho:
• Demência e outras doenças específicas classificadas em outros locais;
• Delirium, não sobreposto à demência, assim descrito;
• Transtorno cognitivo leve;
• Transtorno orgânico de personalidade;
• Transtorno mental orgânico ou sintomático não especificado;
• Alcoolismo crônico (relacionado ao trabalho);
• Episódios depressivos;
• Estado de estresse pós-traumático;
• Neurastenia (inclui síndrome de fadiga);
• Outros transtornos neuróticos especificados (inclui neurose profissional);
• Transtorno do ciclo vigília-sono devido a fatores não-orgânicos;
• Sensação de estar acabado (síndrome de burn-out), síndrome do esgotamento profissional.