Governo do Distrito Federal
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16/05/18 às 8h09 - Atualizado em 16/05/18 às 10h02

UBS 3 de Vicente Pires ajuda crianças com problemas psicossociais

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Dinâmica de grupo é uma das ferramentas para trabalhar os conflitos familiares nos encontros. Foto: Mariana Raphael

 

“Não estava mais conseguindo lidar com a situação sozinha e resolvi procurar ajuda. A angústia do meu filho também me angustiava.”

 

O depoimento é da dona de casa Mayza Araújo, ao se referir ao comportamento de Natan, 11 anos de idade.

 

Dia após dia, ela o via repetir o mesmo comportamento, como calçar e tirar os sapatos, escrever e apagar repetidamente e, ao final do dia, acabava com dor de cabeça. Assim, ela procurou apoio na Unidade Básica de Saúde 3, em Vicente Pires, e encontrou o que precisava no Grupo de Crianças e Familiares, atividade desenvolvida semanalmente.

 

“Ele tem transtorno obsessivo compulsivo e tenho de tratar para não agravar quando adulto. E, aqui no grupo, tenho conseguido encontrar maneiras de ajudá-lo”, destaca Mayza.

 

Ela conta que antes do grupo ele sofria com baixa autoestima, se achava feio e rejeitado. “Agora ele já fala: mamãe, acho que sou o mais bonito da sala. Percebo que ele está mais seguro”, comemora, após nove meses de acompanhamento.

 

O grupo é aberto à toda comunidade de Vicente Pires, Colônia Agrícola Samambaia e Vila São José, tanto por demanda espontânea quanto encaminhados por escola, conselho tutelar ou por médicos. Ao todo, são ofertadas 20 vagas para cada encontro.

 

“Os encontros ocorrem toda terça-feira, sendo numa semana com os pais e na outra, somente com as crianças. Neste último, dividimos os trabalhos em dois grupos, um de 4 a 7 anos de idade e outro de 8 a 11 anos”, conta a assistente social do projeto, Cristiane Monteiro.

 

Segundo a psicóloga do grupo, Juliana Passos, em cada encontro há uma dinâmica diferente, utilizando recursos como vídeo, brincadeiras e jogos. “O tema a ser trabalhado surge nas próprias conversas com os grupos”, frisa.

Equipe da UBS diretamente ligada ao trabalho no grupo: a residente em saúde da família e comunidade, Ana Carolina Eger, de xadrez; a assistente social Cristiane Monteiro, ao centro, e a psicóloga Juliana Passos. Foto: Mariana Raphael

 

MELHORAS – Como os grupos são abertos, não há um número específico de encontros para cada participante. Eles vão ficando na medida em que há necessidade.

 

Quando é necessário encaminhamento para outras unidades da rede, como o PAV e o Caps, o acompanhamento é feito nos dois locais.

 

“Porém, fazemos uma devolutiva aos participantes, seja ao final do grupo ou em consulta individual, onde verificamos o que está melhorando”, diz a psicóloga. Ela conta que a melhora na agressividade e também mudanças comportamentais dos pais são as mudanças mais perceptíveis.

 

“Muitas vezes vêm crianças com suspeita de alguma patologia psicológica e a gente acaba descobrindo que é apenas uma questão comportamental, um reflexo do comportamento dos pais ou cuidadores. Por isso, é importante colocar os pais nessa prevenção”, observa a assistente social.

 

Uma das participantes, Talita Serafim, mãe da Isabela Santos, de 9 anos, conta que já conseguiu se corrigir bastante nos últimos cinco meses nos encontros.

 

“Recebi a reclamação da escola de que ela estava muito dispersa e resolvemos investigar para ver se era algum problema de saúde. Mas, já no grupo, consegui mudar comportamentos meus que a influenciavam, como impor regras e rotinas quando ela volta da escola. Antes, ela ficava deitada no sofá e não queria fazer nada. Hoje, ela já olha a rotina grudada na geladeira e espontaneamente vai fazendo o que é preciso”, conta.

 

TEXTO: Alline Martins, da Agência Saúde