Governo do Distrito Federal
Governo do Distrito Federal
13/12/19 às 16h19 - Atualizado em 17/12/19 às 17h30

Um ano de mudanças estruturais na Região Central de Saúde 

COMPARTILHAR

 

 

Manutenções, força-tarefa em hospitais e novos atendimentos marcaram o ano

 

Os esforços da atual gestão para renovar a estrutura da rede pública de saúde e garantir serviços de qualidade já têm mostrado resultados positivos na Região de Saúde Central, uma das maiores do Distrito Federal, que engloba Asa Sul, Asa Norte, Cruzeiro, Sudoeste, Octogonal, Varjão, Vila Planalto, Lago Sul e Lago Norte.

 

Uma das unidades mais beneficiadas é o Hospital Regional da Asa Norte (Hran). Desde agosto deste ano, o local passou pela troca das tubulações da rede de esgotos e substituição das fiações deterioradas na rede elétrica. Contou ainda com a limpeza das calhas e dutos para reduzir prejuízos no período de chuvas. Houve inclusive a retirada de vazamentos e infiltrações em vários pontos do hospital.

 

Contudo, um dos pontos mais elogiados pelos pacientes foi a recente manutenção de quatro banheiros: um no Pronto-socorro da Obstetrícia e três no Pronto-socorro da Clínica Médica. Eles passaram por pinturas, troca de azulejos e de sanitários.

 

A mudança foi mais do que bem-vinda para a auxiliar de limpeza Rita Francisca, 47 anos. Ela acompanha o marido, Francisco Veronaldo, internado no Pronto-socorro da Clínica Médica. “A estrutura está muito boa. Antes, era bem difícil de usar. As pessoas também não respeitavam muito e depredavam. Agora está ótimo, limpo, com uma cara nova”, relata.

 

Quem também percebeu as mudanças no hospital foi o mecânico José Berto Fernandes. Nos últimos 12 anos, foi internado várias vezes no Hran devido a crises de convulsão. Hoje, de forma voluntária, ajuda a pacientes sozinhos ao fazer companhia a eles nas épocas de Natal e Ano Novo.

 

“Isso aqui melhorou bastante, principalmente os banheiros. As paredes deles e os sanitários estão novos. Para quem passou muito tempo aqui, como eu, sabe a diferença que faz um banheiro estruturado”, comentou.

 

Até o fim de dezembro, há previsão de que R$ 2.179.597,13 sejam usados para as manutenções prediais no Hran, nas unidades básicas de saúde (UBS) e nas policlínicas da Região de Saúde Central. Também estão na lista o Centro Especializado em Diabetes, Obesidade e Hipertensão (Cedoh) e o Hospital Dia. Pinturas, impermeabilização dos telhados e revitalização das redes elétrica e hidráulica estão em andamento nos locais.

 

AVANÇOS – Além das manutenções prediais, o Hran também foi destaque em ações pontuais, relacionadas aos atendimentos considerados de referência em várias especialidades. Lá, ocorreu uma das iniciativas mais importantes deste ano – a realização da primeira cirurgia do Brasil pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para tratar diabetes do tipo 2.

 

Antes, a operação era feita no país apenas como pesquisa e de forma experimental, e na rede privada. Contudo, em 2018, o Conselho Regional de Medicina (CRM), pela Resolução n° 2.172, autorizou a inserção do tratamento cirúrgico para o diabetes.

 

Pouco tempo depois, o governador Ibaneis Rocha sancionou a Lei n° 6.343/2019, que estabelece no SUS a inclusão desta cirurgia como opção de tratamento para pacientes com diabetes do tipo 2. “Isto garantirá uma expansão muito grande do atendimento em Brasília, possibilitando uma vida melhor para muitos desses pacientes”, garantiu, à época, o secretário de Saúde, Osnei Okumoto.

 

Foto: Cristiano Eduardo/SBD-DF

AÇÕES – Também não faltaram ações organizadas em força-tarefa para atender os pacientes. Na área de Dermatologia, 584 pessoas foram atendidas no Hran, durante o Dezembro Laranja, campanha voltada aos cuidados relacionados ao câncer de pele. Outros 16 pacientes que estavam em lista de espera para cirurgia de vasectomia passaram por consulta no hospital – o número representou metade da fila de espera atual.

 

Mais uma boa notícia foi a doação de um novo equipamento para o hospital, com objetivo de auxiliar nos exames de crianças com fissura labiopalatina. O Hran possui uma unidade referência neste tipo de tratamento, que atende pacientes vindo de todo o Centro-Oeste.

 

Foto: Divulgação/Saúde-DF

O aparelho de última geração, chamado de nasofibroscópio, possui uma fibra ótica na ponta e é usado para avaliar a cavidade nasal dos pacientes até a laringe. O equipamento ajuda a detectar onde exatamente está a fissura, antes, durante ou após uma cirurgia.

 

“É uma doação de mais de R$ 400 mil em material de cirurgia. São de ponta e vão ajudar muito a nossa equipe multiprofissional”, agradeceu o diretor do hospital, Leonardo Ramos.

 

Mais uma área de referência que teve destaque foi a Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ) do Hran. Em junho, recebeu quatro vítimas da explosão de um barco em Cruzeiro do Sul, no Acre. Pouco tempo depois, especialistas do estado visitaram o hospital para saber mais sobre a expertise da unidade, que atende entre 250 a 300 pacientes por ano.

 

A visita da equipe do Acre não foi a única recebida pelo hospital. Em julho, o Hran recebeu a consultoria do Hospital Moinhos de Vento, localizado em Porto Alegre.

 

Trata-se de uma visita de diagnóstico, que integra as ações do Projeto Paciente Seguro, desenvolvido pela unidade gaúcha em parceria com o Ministério da Saúde, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).

 

Em setembro, a representante da Embaixada da Suécia, a médica Anette Âquist Falkenrot, quis conhecer o funcionamento do hospital, além do fluxo de atendimento e as ferramentas digitais utilizadas no local.

 

HMIB – Outro hospital da região que passou por melhorias neste ano foi o Materno Infantil de Brasília (Hmib). Há mais de 20 anos sem uma reforma estruturante, agora a unidade conta com mais de 2,7 mil metros quadrados revitalizados. Além disso, todo o telhado está sendo substituído e a laje passa por impermeabilização.

 

Tudo foi feito em seis etapas, sem interrupção no atendimento e sem fechar leitos. Diversos setores passaram por revitalização da estrutura, como os corredores do ambulatório, o central e o de acesso, bem como a Pediatria, Radiologia, Policlínica, o alojamento conjunto onde ficam as mães e os bebês, e a Emergência Pediátrica.

 

Os serviços fazem parte do programa SOS DF Saúde e contou com um investimento total de R$ 866.455,58, recursos provenientes de um convênio firmado em 2008 entre a Secretaria da Saúde e o Ministério da Saúde, mas que somente foi viabilizado na atual gestão.

 

E as manutenções não pararam por aí no Hmib. Também foram iniciadas na Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal (Ucin), fundamental para fortalecer a aplicação do Método Canguru, já existente no hospital. O objetivo é humanizar o ambiente e proporcionar um melhor cuidado com as mães e os bebês. A previsão é de que as revitalizações sejam concluídas em fevereiro de 2020, com um investimento de cerca de R$ 900 mil no local.

 

Contudo, os benefícios para o hospital, em 2019, não se restringiram apenas a essas melhorias. A unidade foi habilitada pelo Ministério da Saúde como Serviço de Referência em Doenças Raras e se junta, nesta área, ao O Hospital de Apoio.

 

Com isso, a Secretaria de Saúde passará a receber verba federal a ser investida no tratamento de pessoas com essas doenças em mais um hospital da rede pública do Distrito Federal. A expectativa é que sejam repassados cerca de R$ 40 mil por mês.

 

HAB – O Hospital de Apoio de Brasília (HAB) também passou por manutenção predial ao longo desta gestão. Há pelo menos quatro anos sem revitalizações na estrutura, a unidade ganhou novos espaços para garantir melhores condições de trabalho aos servidores e conforto aos pacientes.

 

Os ambulatórios, o novo espaço de atividades coletivas e as alas da Enfermaria da Internação, Reabilitação e Cuidados Paliativos receberam pintura, troca do piso, reparos no teto, além da retirada de itens danificados e antigos. Os pacientes têm sido remanejados conforme a necessidade, sem prejuízo ao atendimento.

 

Além disso, parte do telhado foi substituído e a laje passou por impermeabilização nas áreas descobertas. As telhas quebradas, rachadas ou trincadas foram trocadas e as que ainda podiam ser reaproveitadas foram remanejadas para outros pontos.

 

Quem agradece, além dos servidores, são os pacientes que utilizam os serviços disponibilizados pelo HAB. Um dos mais requisitados é a hidroterapia, usada para acelerar a reabilitação dos usuários da rede pública.

 

Com foco na humanização, também são realizadas na unidade reuniões entre cadeirantes que estão internados e os que receberam alta, com o objetivo de incentivar os pacientes a investir com maior afinco na recuperação.

 

ADOLESCENTRO – Outra unidade de saúde referência do Distrito Federal, localizada na Região Central, é o Adolescentro, especializado no acolhimento e no tratamento de adolescentes e suas famílias. Os mais de quatro mil atendimentos mensais refletem o impacto do serviço prestado aos usuários da rede pública de saúde.

 

Em 21 anos de existência, o órgão atendeu adolescentes com depressão, ansiedade, transtornos alimentar e de aprendizagem, que fizeram automutilação ou tentaram suicídio. Uma das grandes vantagens da unidade é utilizar a abordagem biopsicossocial, incluindo os responsáveis pelos jovens na compreensão e na solução das questões trazidas.

 

Um destaque entre os serviços oferecidos é o Grupo da Diversidade, que compõe o cuidado com os jovens nas questões relacionadas às diversidades sexual e de gênero. Ou seja, cuida das especialidades da sexualidade LGBTI, serviço agraciado com o Boas Práticas em Atenção Psicossocial.

 

Como o Adolescentro integra a Atenção Secundária, avalia-se, nesta gestão, a possibilidade de regular as consultas, com os pacientes passando antes pela Atenção Primária para, depois, ser encaminhados à unidade. Estuda-se inclusive capacitar os médicos de família para atender os casos mais leves de saúde mental. Os mais graves serão referenciados ao Adolescentro.

 

Leandro Cipriano, da Agência Saúde

Fotos: Breno Esaki/Saúde-DF