Governo do Distrito Federal
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3/08/17 às 12h27 - Atualizado em 30/10/18 às 15h18

“A tão sonhada lucidez”

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Esse é o título da carta em que o jardineiro Nilson Bernardes agradece ao CAPs Candango

BRASÍLIA (3/8/17) – Gratidão. Esse é o sentimento presente em diversas cartas recebidas pelos servidores do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas (CAPs AD III), mais conhecido como CAPs Candango, entregues por pacientes atendidos na unidade, localizada no Setor Comercial Sul.

Tudo começou com a carta do jardineiro Nilson Bernardes, 44 anos. “Eu sempre quis falar da minha gratidão pelo que a equipe fez na minha vida, mas não conseguia me expressar falando. Então, resolvi escrever”, conta. A carta, entregue para a terapeuta ocupacional Marina Esselin, foi lida durante uma oficina de comunicação promovida na unidade e acabou incentivando outros pacientes a fazerem o mesmo.

Quem não soube se expressar em palavras, fez desenhos. Mas cada um a seu modo. Ali entre os escritos também estava o texto de Ivoneide Pires de Oliveira, 45 anos. “Em um momento em que eu já havia perdido tudo, recebi aqui um amor que nem mesmo a minha família conseguia me dar”, ressalta.

Quando a gerente do CAPs, Maria Garrido, soube das cartas, estava de atestado médico. “A gente vem de um período de muitos enfrentamentos, inclusive com comerciantes da região, contrários à população que fica próxima ao CAPs. E saber desse reconhecimento e carinho me deu um combustível para continuar desenvolvendo esse trabalho e voltar logo para a unidade”, diz.

TRATAMENTO – Nilson e Ivoneide fazem parte de um universo de cerca de 1,7 mil pacientes em atendimento no CAPs Candango. Além do tratamento medicamentoso, a preocupação da equipe é criar vínculos, oferecendo tratamento mais humanizado, de modo que os pacientes permaneçam na tentativa de reinserção social.

Tem funcionado. O reconhecimento ao trabalho está por todo lado, desde o abraço apertado já no acolhimento até os diversos cartazes espalhados pela unidade, com palavras de carinho.

MUDANÇA – Nilson e Ivoneide só têm mesmo a agradecer. Ele chegou ao centro em 2005, teve muitas recaídas, mas encontrou no trabalho forças para voltar a ter sentimentos, como ele mesmo define. “Antes, só pensava nas drogas e no álcool. Hoje, já tenho perspectiva de futuro, de arrumar um emprego e até de conseguir um grande amor”, elenca, contando que está há nove meses sem fazer uso de drogas.

Hoje, Ivoneide agradece por ter recuperado a família, formada por seus quatro filhos e pela mãe. “Todos estão percebendo a minha mudança. Minha mãe brigava comigo porque eu frequentava o Caps. Dizia que eu não era louca para estar num lugar desses. Hoje, ela quer é conhecer o lugar responsável por minha mudança”, conta.

Ela, que começou com uma depressão grave e, não tendo encontrado ajuda, partiu para o uso de álcool e drogas, conta que desde que iniciou o tratamento no CAPs, há três anos, sempre que tem recaídas, em vez de beber ou usar drogas, procura a unidade. “Aqui eles conversam, dão apoio e força”, completa.

O CAPs Candango funciona 24 horas por dia. O acolhimento é sempre de 7h às 22 horas, com exceção de quinta-feira, quando ocorrem as reuniões de equipes.

Confira as fotos aqui.

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