Governo do Distrito Federal
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5/04/13 às 18h13 - Atualizado em 30/10/18 às 14h58

Ações para a terceira idade no Centro de Saúde nº 02 de Santa Maria

Uma série de ações com foco na saúde de pessoas idosas vem sendo realizadas no Centro de Saúde nº 2 de Santa Maria. A ideia é que a partir de um acolhimento focado neste público seja possível encaminha-los para os grupos e atividades oferecidos pela Secretaria de Saúde do DF.

Mesmo recebendo os idosos durante todos os dias da semana, os profissionais do centro elegeram a sexta-feira como um dia especialmente dedicado ao grupo. “Geralmente eles nos procuram por alterações na pressão arterial e outros sintomas comuns na terceira idade. Neste momento nós aproveitamos para falar sobre as outras atividades”, explica a enfermeira Maria José.

Os grupos mais tradicionais são o de diabetes e hipertensão, onde os pacientes recebem acompanhamento e as orientações que irão se desdobrar em melhoras significativas na saúde de cada um. Diante da identificação da necessidade de cuidados específicos relacionados à diabetes ou hipertensão, o paciente é encaminhado para consultas médicas, exames, além de palestras relacionadas a uma alimentação saudável.

A partir do perfil dos pacientes destes dois grupos o centro de saúde criou mais um para oferecer um programa de estimulo à prática de atividades físicas. Com encontros as segundas, quartas e sextas-feiras, sempre às 8h e a orientação de profissionais de educação física, os idosos fazem caminhadas, sessões de alongamento e ginástica na área externa do centro. Há ainda a medição constante do índice de massa corporal dos idosos. O trabalho, que apresenta inúmeros resultados positivos, contribui diretamente para o controle do peso dos pacientes, aumento da autoestima e estabilização da pressão.

A novidade agora é o grupo iniciado em fevereiro, focado no desenvolvimento de potencialidades dos idosos e na interação entre eles. A ideia é fazer com que os participantes construam conhecimentos a partir da experiência de cada um. Segundo a Dra. Josélia Nunes, gerente do Centro, a criação de mais um grupo vem para atuar num campo distinto da questão dos medicamentos e procedimentos médicos. “Saúde não é só dar remédio. Eles precisam de muito mais. Por isso nós pensamos em montar grupos, pensar em terapias alternativas e propor momentos de troca”, esclareceu a gerente.

Para o primeiro encontro, além da participação do músico Paulo Paz e da massagista Cledionice Braga, a professora Déia de Souza contribuiu para a construção de uma ideia comum para o grupo. Nascida em Feira de Santana (BA), a professora de filosofia faz trabalhos manuais a partir de materiais em desuso. “Minha mãe sempre dizia: aprenda tudo o que você puder na vida. Não perca nem uma oportunidade. Porque se você casar com um homem rico não irá fazer vergonha a ele e se casar com um que for pobre você vai saber se virar”, conta de maneira bem-humorada. Mas Déia parece ter seguido os conselhos da mãe correndo o Brasil aprender tudo que podia, antes de se dedicar às salas de aula. Em 2007, no entanto, perdeu o emprego e se viu em uma situação financeira delicada. “Entrei em pânico. Depois de anos lecionando vi que tudo estava desmoronando. Mas foi aí que eu “botei pra quebrar”, conta. Em busca de sustento a professora começou a desenvolver objetos artesanais e mostrar para as pessoas. “Hoje eu só trabalho por encomenda. Deu certo até demais. É por isso que estou aqui pra conversar com elas, perceber o que elas têm vontade de fazer e pensar em um projeto para o grupo” revela a professora visivelmente animada com o grupo de acabara de conhecer.

A perspectiva de um futuro com desafios e cheio de trabalho faz brilhar os olhos de Maria de Jesus, piauiense de 91 anos. Uma das primeiras a chegar, a aposentada soube do novo grupo durante as aulas de ginástica que frequenta três vezes por semana. “Os exercícios são muito legais e a gente faz ouvindo musica. Eu adoro este tipo de coisa. Só dormir e comer dentro de casa não dá não é? Por isso que participo de tudo que me convidam”, conta Maria de Jesus que enquanto observa com curiosidade os bordados mostrados por Déia. “Eu gosto desse posto porque aqui eles cuidam da saúde da gente a ainda inventam coisa pra distrair”, revela a aposentada antes de aceitar a proposta da professora Déia que acaba de sugerir que todo o grupo a ajude na produção da próxima encomenda grande que receber. “O que ganharmos, dividiremos entre todas nós”, finaliza Déia entre aplausos das novas colegas de trabalho.

Bruno Estrela