Governo do Distrito Federal
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4/04/14 às 14h09 - Atualizado em 30/10/18 às 15h10

Ambulatório de Insuficiência Cardíaca Congênita do Guará é referência no DF

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Com dez anos de existência, possui 196 prontuários ativos

Diminuir a mortalidade, melhorar a qualidade de vida e promover a independência dos pacientes são os objetivos que o ambulatório de Insuficiência Cardíaca Congênita busca atingir. O trabalho, realizado no Hospital Regional do Guará, é único em Brasília e recebe pacientes indicados inclusive pela rede particular. Com dez anos de existência, possui 196 prontuários ativos.

O serviço que começou em 2004 e contava apenas com um consultório. Atualmente, funciona com uma equipe multidisciplinar e conta com dois cardiologistas, técnico de enfermagem, enfermeiro, fisioterapeuta, assistente social, psicóloga e nutricionista. As áreas ajudam a acompanhar o paciente na sua totalidade. Segundo o médico cardiologista responsável pela unidade, Lucimir Maia, com a fragilidade causada pela doença surgem outros problemas que muitas vezes precisam ter a intervenção de outra área.

“Com a equipe, atendemos o paciente conforme as suas necessidades. Já descobrimos até caso de analfabetismo. Lidamos com muitos pacientes que acabam apresentando quadro de depressão devido à dependência que se instala, porque não consegue fazer nada, inclusive trabalhar. Então, ele acaba se culpando e se sentindo um peso para a família”, explicou Maia.

Para o tratamento, os pacientes são encaminhados por cardiologistas de unidades de saúde do DF. São pessoas que apresentam quadro de falência do coração em que o tratamento não surte mais efeito por causa do avanço da doença ou de outras que afetam o órgão, sendo necessária a indicação de transplante.

O trabalho da equipe é retardar esse processo. “Costumo dizer que o nosso ambulatório é uma antessala do transplante. Muitos pacientes já chegam aqui com a sentença de que terão que passar por esse procedimento. Tentamos adiar ao máximo esse desfecho e principalmente, o pior cenário que é a morte. Pela ciência, a expectativa de vida da doença em fase terminal é de cinco anos. Mas, temos vários pacientes aqui que superaram essa média e estão comigo até hoje”, afirmou o médico.

Francisco Sales é um desses pacientes e chegou a ficar internado por um ano. Com 78 anos, é acompanhado pelo ambulatório desde a sua abertura. “Eu não conseguia fazer mais nada. Desde o início, o tratamento sempre foi muito atencioso. Já estava desenganado e hoje, eu tenho qualidade de vida e faço exercícios leves. Sigo à risca as recomendações. Fiz apenas cirurgia de marca-passo, não precisei fazer o transplante e saí da fila. Graças a Deus e ao atendimento minucioso dos médicos e da equipe”, afirmou.

Em internações, a doença só perde para o Acidente Vascular Cerebral (AVC). Em média, um paciente que sofreu derrame fica internado até 30 dias. Já o que tem Insuficiência Cardíaca Congênita, fica até 15 dias. Com isso, o ambulatório também trabalha para diminuir essa estatística e consequentemente, o gasto que se tem com o paciente na rede pública. De acordo com Maia, quanto mais complexo o quadro, mais tempo ele permanece hospitalizado. Cerca de 20% dos casos são novos, mas 80% das internações são de casos antigos.

O serviço também acumula conquistas, uma delas foi o passe livre para os cardiopatas que não eram contemplados pela lei e a participação na Câmara Técnica de Transplantes. Enfrenta o desafio da ampliação da unidade, mas esbarra no interesse dos profissionais e também no perfil para o trabalho.

“Tentamos ampliar, mas não temos obtido êxito na adesão dos profissionais que afirmam não ter perfil. Cada paciente exige uma estratégia diferente de abordagem, não há uma receita de bolo. Isso demanda tempo. As consultas são demoradas e temos que estudar caso a caso”, ressaltou Maia. O médico comemora cada vida que consegue tirar da fila de transplante e se sente satisfeito no que faz.

Atualmente, existe um projeto para que o ambulatório se torne um programa e receba incentivos. Além disso, poderia ser integrado ao Sistema de Regulação. Todos os exames necessários são encaminhados pela unidade e alguns, como o eletrocardiograma, são realizados no hospital.

A doença

Os sintomas da insuficiência cardíaca normalmente começam aos poucos. No início, podem aparecer apenas quando se está mais ativo. Com o passar do tempo, problemas respiratórios e outros sintomas podem começar a serem percebidos mesmo ao descansar.

No entanto, os sintomas de insuficiência cardíaca podem também aparecer de repente, logo após um ataque cardíaco ou outro problema cardíaco.

Os sintomas mais comuns da insuficiência cardíaca são:

Falta de ar na atividade física ou logo após estar deitado por um tempo
Tosse
Inchaço dos pés e tornozelos
Inchaço do abdome
Ganho de peso
Pulso irregular ou rápido
Sensação de sentir o batimento cardíaco (palpitações)
Dificuldade para dormir
Fadiga, fraqueza, desmaios
Perda de apetite, indigestão

Por Érika Bragança, da Agência Saúde DF
Atendimento à imprensa:
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