Governo do Distrito Federal
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25/06/14 às 18h20 - Atualizado em 30/10/18 às 15h11

Anemia falciforme, uma doença que exige cuidados especiais

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Diagnóstico precoce e tratamento adequado reduzem sofrimento de pacientes

 

A anemia falciforme é uma das doenças genéticas mais comuns no Brasil. Estimativas do Ministério da Saúde mostram que acada ano nascem no país cerca de 3.500 crianças portadoras de doença. Vinte por cento delas não vão atingir cinco anos de idade, porcomplicações diretamente relacionadas à enfermidade – uma doença hereditária e que atinge principalmente a população negra. O diagnóstico precoce e o tratamentoadequado são fundamentais na redução da morbidade(adoecimento) e mortalidade destas crianças.

O paciente com doença falciforme apresenta alterações no sangue. As hemácias ou glóbulos vermelhos da maioria das pessoas são arredondadas, as das pessoas acometidas pela doença tem a forma de foice ou meia-lua (daí o nome falciforme). As hemácias falciformes são mais rígidas e têm dificuldades para passar pelos vasos sanguíneos mais finos, causando assim a obstrução desses vasos e dificuldade na circulação do sangue (micro infartos). Estes micro infartos locais provocam crises de dor e comprometimento progressivo de diversos órgãos.

Devido ao problema, o paciente tem anemia com cansaço e sente dor em diversos órgãos e aumenta o risco de acidentes vasculares cerebrais e tromboses. Os doentes falciformes também ficam mais expostos a infecções, feridas difíceis de cicatrizar, fadiga e icterícia (olhos amarelados).

“A doença compromete mais frequentemente os afrodescendentes”, aponta o coordenador de Hemotologia da SES-DF, Alexandre Caio. Segundo ele, as mutações da anemia falciforme apareceram na África e conferiram uma maior resistência a infecção de malária. “Como a malária é endêmica na África houve uma seleção natural dos indivíduos com a mutação”.

Perfil da doença

Conforme dados do Ministério da Saúde, nascem no Brasil cerca de 3.500 crianças por ano com a doença (1 a cada mil nascidos vivos) e 200 mil (ou 1 a cada 35 nascidos vivos) com traço falciforme(que receberam de um dos pais o gene da doença). A pessoa com o traço falciforme não apresenta sintomas, portanto não precisa de tratamento especializado, mas deve saber que se tiver filhos com outra pessoa que também herdou o traço, poderá ter uma criança com anemia falciforme.

O Distrito Federal registra o nascimento de 323 crianças com traço falciformee 9com a doença para cada 10.000 nascidos vivos a cada ano. Estima-se que existam 5.000 pacientes nas cidades da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (RIDE/DF) com a doença.

Esses números se configuram como uma questão de saúde pública. A distribuição da doença falciforme está dispersa na população de forma heterogênea, com prevalência mais alta nos estados com maior concentração de afro descendentes. A taxa de mortalidade é considerada alta. Cerca de 20% das crianças não alcançam 5 anos de vida se não tiverem acompanhamento médico adequado. Já a mortalidade perinatal varia de 20 a 50%.A incidência é maior que doenças como aids e dengue.

Se não tratada, 50% dos pacientes não atingem os 18 anos de idade e alguns podem ficar com graves sequelas. A mortalidade das crianças nos primeiros 10 anos de vida tem diminuído, há alguns anos era de apenas 20 anos. Após a implantação dos programas de diagnóstico neonatal, educação e atenção integral ao paciente, a criança com a doença passou a apresentar 85% de chance de sobrevida aos 20 anos.

O diagnóstico é feito na triagem neonatal por meio do teste do pezinho. Os pacientes não submetidos a este exame são submetidos ao exame denominado eletroforese de hemoglobina. “Ainda existem pacientes não diagnosticados no Distrito Federal e entorno sobretudo por desconhecimento da doença”, alerta o medico.

Tratamento

Outra medida importante é o exame que previne os acidentes vasculares cerebrais. O tratamento é importante para reduzir a anemia e o número de crises contribuindo de forma decisiva para a melhoria da qualidade de vida do paciente. O tratamento oferecido atualmente, segundo o coordenador, é integral, com assistência completaaos pacientes e acompanhamento na rede pública de saúde. “As crianças tem como referência o Hospital da Criança de Brasília e os adultos podem ser tratados noshospitais regionais. Os casos de alta complexidade são encaminhados ao Hospital de Base”, ressalta.