Governo do Distrito Federal
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9/11/16 às 20h07 - Atualizado em 30/10/18 às 15h16

Famílias retiradas do Noroeste têm dia dedicado à saúde

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Foram oferecidas consultas clínicas e testes de HIV/sífilis entre outros

BRASÍLIA (9/11/16) – As famílias de catadores de material reciclável removidas de área pública do Setor Noroeste no dia 31 de outubro, agora instaladas no Espaço Eureka, nos 906 nortes, receberam nesta quarta-feira (9), uma série de atendimentos de prevenção e promoção à saúde. O objetivo é assegurar um nível satisfatório das condições sanitárias no local, até a transferência definitiva, que deverá ocorrer nos próximos vinte dias.

“Determinamos uma atenção especial ao grupo que, devido à situação das moradias provisórias em barracas e ao período de chuvas, esta suscetível à maior incidência de doenças infecto-respiratórias e à exposição de focos de insetos e roedores, que podem elevar a incidência da dengue e outras enfermidades”, informou o secretário de saúde do DF, Humberto Fonseca, que acompanhou pessoalmente as ações de assistência.

“Estamos monitorando o grupo, em diversas frentes. As equipes multiprofissionais do Consultório na Rua, do Centro de Saúde 11 da Asa Norte e da Vigilância Ambiental estão realizando um amplo diagnóstico da situação de saúde das famílias, por meio de consultas clínicas, testes de HIV/Sífilis, avaliação bucal, avaliação de transtornos mentais, orientação sobre prevenção de doenças sexualmente transmissíveis – inclusive com distribuição de preservativos – e inspeção no ambiente para identificação focos de Aedes e outros insetos”, relata a diretora de Atenção Primária da SES/DF, Célia Becker.

Impedir a proliferação de larvas do Aedes, mosquito transmissor da dengue, é uma das prioridades da vigilância ambiental. Após uma minuciosa inspeção no terreno, quase totalmente coberto pelas barracas dos recicladores, não foi encontrado nenhum foco do inseto.
“Consideramos o ponto estratégico de atenção, pois os materiais recicláveis, como latinhas e pets, além das coberturas plásticas das barracas, podem acumular água e rapidamente estabelecer focos do Aedes. Para evitar o problema, faremos inspeções semanais até a transferência das famílias”, assegura o gerente de controle de endemias e animais peçonhentos da Diretoria de Vigilância Ambiental (Dival), Petrônio Lopes. Como medida de profilaxia, foi aplicado um inseticida biológico no local, para evitar a infestação de insetos rasteiros, como baratas e escorpiões.

De acordo com a Defesa Civil, das 77 famílias removidas inicialmente, 42 que cumpriram os requisitos foram contempladas com unidades habitacionais no Paranoá Parque. Outras 24 foram integradas ao programa de aluguel social, das quais 11 já encontraram novas moradias. As 11 restantes receberam passagens para retornar aos estados de origem. Atualmente, das 244 pessoas removidas, 180 ainda permanecem no Espaço Eureka, aguardando o encaminhamento.

Para ampliar o leque de ações de assistência oferecidas no local, a SES/DF está atuando em parceira com outros órgãos públicos e entidades não-governamentais, que tem disponibilizado às famílias uma série de serviços sociais, como a emissão de documentos básicos e orientação sobre demandas jurídicas, sob a responsabilidade da Defensoria Pública do DF. “O nosso propósito é inserir essas pessoas na rede de proteção sócio-assistencial e assegurar o cumprimento dos seus direitos básicos”, explica a defensora pública Roberta de Ávila.

Essa reinserção social está modificando a vida das famílias removidas. Algumas habitavam a área no Noroeste há 20 anos e agora estão encontrando um novo posicionamento social. Silvana Rodrigues Maranhão, que trabalhava com seu marido na coleta de materiais recicláveis há 10 anos na antiga área, foi uma das contempladas com a unidade habitacional no Paranoá. “Nossa vida vai mudar, mas enquanto estamos aqui no Espaço Eureka o atendimento está ótimo, todo mundo está sendo consultado e atendido. A gente recebe café da manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar – e ainda tem salada de frutas”, diz, sorrindo.

Ao lado, a amiga Francisca Maria, que também receberá moradia, já faz planos para a nova vida. “Vamos continuar a trabalhar com reciclagem em um galpão no Paranoá, que vai ser entregue daqui a dois meses. Só que agora vai ser com a cooperativa que o governo ajudou a gente a criar, que já tem até nome: Pops de Rua Abrindo Caminhos”, conta com satisfação. Quando indagada sobre quais caminhos pretendem abrir, responde rápido como quem já não duvida. “Queremos ir bem alto – o céu é o limite”.

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