Governo do Distrito Federal
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29/12/21 às 10h12 - Atualizado em 29/12/21 às 10h13

Dezembro está acabando, mas prevenção ao HIV deve ocorrer durante todo o ano

Rede pública disponibiliza tratamento completo, mas a prevenção ainda é a melhor estratégia para se evitar a infecção

 

CAMILA HOLANDA, DA AGÊNCIA SAÚDE-DF | EDIÇÃO: JOHNNY BRAGA

 

O último mês do ano, na Saúde, é marcado pela campanha Dezembro Vermelho, que foca na prevenção e no diagnóstico precoce de HIV, assim como no tratamento da Aids. Essas medidas, porém, podem e devem ser mantidas sempre, para evitar a contaminação pelo vírus e o desenvolvimento da doença.

 

Dados da Secretaria de Saúde apontam um decréscimo no número de novos casos de HIV e de Aids em 2020. De infecção pelo vírus da imunodeficiência humana, o DF registrou 690 infecções no ano passado, 90 casos a menos do que em 2019. Já da doença adquirida pelo HIV, foram 249 novos casos em 2020, ante 293 no ano anterior.

 

 

A RTD de infectologia, Lívia Pansera, explica que o HIV é transmitido principalmente por relações sexuais (vaginal, anal ou oral) desprotegidas com pessoas vivendo com o vírus e sem tratamento adequado. Também pode acontecer a transmissão vertical, que é quando a mãe que vive com HIV sem tratamento passa o vírus para o filho durante a gestação, o parto ou a amamentação. “Pode, ainda, ser transmitido pelo compartilhamento de objetos perfurocortantes contaminados, como agulhas e alicates”, acrescenta a médica.

 

Para evitar a contaminação, a melhor estratégia é a prevenção combinada. “Essa combinação é definida pela própria pessoa, de acordo com seu momento de vida e o contexto de vivência da sua sexualidade”, explica Leidijany Paz, enfermeira do Centro Especializado em Doenças Infecciosas (Cedin), referência no tratamento de pessoas com HIV no Distrito Federal.

 

Segundo a profissional, a técnica consiste no uso simultâneo de diferentes abordagens de prevenção, como uso de preservativos, tanto o masculino quanto o feminino, uso de gel lubrificante, terapias antirretrovirais, como a PreP (profilaxia pré-exposição), e a testagem regular.

 

Teste para detectar o vírus HIV está disponível na rede pública de saúde – Fotos: Breno Esaki/Agência Saúde-DF

Para definir a melhor combinação, é preciso identificar a sua autopercepção do risco de exposição ao HIV. “Quando você está mais exposto? Quando está sob efeito de bebida alcoólica ou outra substância que altera a consciência? Quando está solteiro? Quando está na ‘balada’? Quando está num relacionamento estável e não conversa sobre prevenção de IST? Qual a melhor prevenção combinada para o momento que você está vivendo atualmente?”, questiona a enfermeira.

 

“É importante que a autopercepção de risco de exposição ao HIV venha acompanhada de uma consequente redução desse risco, com a incorporação de uma ou mais estratégias de prevenção”, explica Leidijany.

 

Suspeita de contaminação

 

Caso surja a suspeita de adquirir o HIV devido à exposição sexual (consentida ou vítima de violência) ou acidente biológico com perfurocortantes ocorridos nas últimas 72 horas, “a pessoa exposta pode ser avaliada na unidade de saúde quanto à possibilidade de receber a PEP, profilaxia pós-exposição”, explica Lívia.

 

Se suspeitar da infecção há mais tempo, a rede pública de saúde disponibiliza gratuitamente testes para HIV, sífilis e hepatites B e C, que podem ser encontrados nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) na Rodoviária do Plano Piloto.

 

Nas UBSs e no CTA da Rodoviária do Plano Piloto o usuário do SUS pode fazer o teste rápido de HIV – Fotos: Breno Esaki/Agência Saúde-DF

E, se o resultado do teste for positivo, também é oferecido o tratamento clínico-ambulatorial em unidades de saúde especializadas. Nesses serviços, o usuário tem acesso às consultas médicas, exames específicos de monitoramento e ao tratamento com medicamentos antirretrovirais (ARV). “A pessoa que tiver o diagnóstico de infecção pelo HIV, após avaliação médica adequada, deve iniciar a terapia antirretroviral o quanto antes”, afirma a RTA de infectologia.

 

Os antirretrovirais impedem a replicação do vírus HIV no organismo da pessoa, evitando o enfraquecimento do sistema imunológico e o desenvolvimento da Aids, a síndrome da imunodeficiência adquirida. “Por isso, o uso regular dos ARV é fundamental para aumentar o tempo e a qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV e reduzir o número de internações e infecções por doenças oportunistas”, defende Leidijany.