Governo do Distrito Federal
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2/12/14 às 18h45 - Atualizado em 30/10/18 às 15h11

DF ganha maior laboratório de microbiologia da América Latina

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Complexo reduzirá o risco de mortalidade por infecção em até 40% e o tempo de internação em até 60%

BRASÍLIA (02/12/14) – O Laboratório Central (Lacen), da Secretaria de Saúde do DF, inaugurou na manhã desta terça-feira, (02), a reforma do maior Complexo de Microbiologia Integrada e Automatizada da América Latina.

“Não é uma simples reforma do Lacen, é uma mudança total na saúde pública. Nós hoje, para fazer determinadas análises, levamos de 15 a 20 dias e passaremos a fazer algumas em até dez hora. Esse tempo ganho faz com que possamos reduzir em até 40% os óbitos por infecção e o tempo de internação em até 60%”, ressaltou a secretária de Saúde do DF, Marília Coelho Cunha.

Além do Complexo de Microbiologia, a área reformada contará ainda com um Laboratório de Toxicologia e uma Sala de Coleta com três boxes, um deles infantil, que deve ampliar a atual capacidade de 220 usuários atendidos por mês. Cem, dos 255 profissionais do Lacen, vão trabalhar no complexo.

“Estamos entregando à população o maior laboratório de microbiologia da América Latina, com capacidade para atender a demanda do DF pelos próximos 20 anos. Cerca de dois mil metros quadrados da unidade passaram por obras para atualizar a infraestrutura. Com essa reforma, conseguiremos passar das  atuais 760 mil análises anuais para mais de 1,5 milhão”, frisou o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz.

A responsável pela Saúde no DF também explicou aos presentes o potencial de arrecadação do laboratório que, nos últimos seis meses, passou a ter um faturamento de R$ 6 milhões mensais junto ao Ministério da Saúde e, com a reforma, espera-se que possa superar os 25 milhões de reais mensais, que poderão ajudar a custear a saúde. “Hoje é o início de uma nova era para a saúde do Distrito Federal”, ressaltou o diretor do Lacen, Thiago Mendonça.

A Secretária destacou a importância da análise de alimentos que a estrutura passará a realizar e lembrou que, só no ano passado, aproximadamente 130 mil pessoas foram internadas devido à intoxicação gastrointestinal.

A estrutura é inaugurada com parte das análises já funcionando e realizará a mudança de equipamentos de forma progressiva, para que a população não fique, em nenhum momento, desatendida. As obras duraram apenas três meses, consequência de um longo processo de planejamento que começou no início do ano passado.

Entre os equipamentos mais sofisticados que já estão funcionando na área reformada do Lacen, encontra-se o Vitek-MS,  concebido para a rápida identificação de microrganismos, com base na tecnologia MALDI-TOF (do inglês, matrix assisted laser desorption ionization – time of flight). É esse aparelho que permite que o laudo da análise de bactérias passe de 10 dias a dez horas.

Entre os novos equipamentos do complexo encontram-se, ainda, 28 microscópios e 60 freezers específicos para acondicionar o material a ser processado em condições ideais de temperatura.

O tratamento das doenças, a identificação e a detecção de surtos hospitalares terão mais agilidade pois, com as novas análises, entre elas tipagem molecular de bactérias e fungos, será possível uma melhor investigação e assim acabar com a transmissão das infecções hospitalares, evitando que surtos surjam ou prosperem, como o das superbactérias KPC, NDM e OXA-48, altamente resistentes a medicações.

Atividades

O Lacen realiza análises laboratoriais de média e alta complexidade relacionadas às necessidades diagnósticadas no âmbito da Vigilância em Saúde que compreendem as Vigilâncias Epidemiológica, Sanitária, Ambiental e de Saúde do Trabalhador.

O laboratório de Microbiologia Integrada e Automatizada, além do diagnóstico bacteriológico e fúngico de doenças causadas por esses agentes, irá também realizar o monitoramento da qualidade de alimentos, da água de consumo humano e ambiental, bem como, da qualidade microbiológica de medicamentos, produtos para saúde, saneantes e detergentes enzimáticos, entre outros produtos utilizados no Sistema Único de Saúde.

Fazem parte da atividade de microbiologia o diagnóstico e controle de mais de 30 doenças transmissíveis, dentre as quais se destacam Aids, tuberculose, meningite, dengue, hepatite, leptospirose, cólera e difteria.

O prédio onde funciona o Laboratório Central abrigava antes o antigo Instituto de Saúde do DF – ISDF, inaugurado em 1978, que passou a ser Lacen no ano 2000. Desde sua construção, o edifício nunca havia passado por reformas.

Referência

O Lacen do Distrito Federal integra a Rede Nacional de Laboratórios de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde como Laboratório de Referência Regional (Centro-oeste e parte da região Norte) para coqueluche, dengue, difteria, enteroinfecções bacterianas (salmonelose, febre tifóide e cólera), febre amarela e meningites bacterianas.

A estrutura fica localizada na 601 Norte, atrás do Serpro que se encontra na Via L2 Norte.

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