Governo do Distrito Federal
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6/03/20 às 14h40 - Atualizado em 9/03/20 às 16h36

DF registra 7.010 casos prováveis de dengue

Região de saúde com maior número é a Sudoeste, com 1.247 registros

 

A Secretaria de Saúde registrou 7.010 casos prováveis de dengue no Distrito Federal, entre 29 de dezembro de 2019 e 29 de fevereiro deste ano. Do total, 6.405 (91,4%) são de residentes do DF e 605 (8,6%) de pacientes de outros estados que foram notificados aqui. Os dados são do último Boletim Epidemiológico, apresentados em coletiva de imprensa, nesta sexta-feira (6).

 

O documento aponta que houve um aumento de 160% no número de casos prováveis de 2020, quando comparado ao mesmo período de 2019. Os gestores da pasta avaliaram que entre os fatores que contribuíram estão as chuvas e o crescimento da circulação do soro tipo 1 da dengue, que apesar de ser considerado mais brando, tem uma alta taxa de transmissão.

 

“Nesses casos, os pacientes precisam de hidratação e repouso domiciliar para se recuperar”, explicou o secretário-adjunto de Assistência à Saúde, Ricardo Tavares, que acrescentou: “a dengue possui cinco soros tipos diferentes. Em Brasília, no ano passado, tínhamos mais do soro tipo 2, que não tem uma capacidade forte de disseminação, mas é mais letal. Nesse ano, predomina o soro tipo 1, que tem gravidade menor, o que explica uma redução nos óbitos”.

 

No período analisado pelo boletim atual, a quantidade de óbitos permaneceu a mesma, de apenas um morador da Região de Saúde Centro-Sul. Em comparação com o período anterior, de 30 de dezembro de 2018 a 23 de fevereiro de 2019, seis óbitos foram registrados.

 

RANKING – A região de saúde com maior número de registros foi a Sudoeste, que abrange Taguatinga, Samambaia, Águas Claras, Vicente Pires e Recanto das Emas, registrando 1.247 casos. Depois, a Norte, com 1.217 ocorrências em Planaltina e Sobradinho. Em terceiro lugar ficou a Sul, com 956 registros no Gama e Santa Maria. As três regiões de saúde totalizam 53,38% dos casos do DF.

 

O aumento pode ser observado em todos os grupos etários, com destaque para a faixa etária de 20 a 29 anos, que subiu de 174 para 287 casos prováveis, em comparação com o mesmo período do ano passado. Depois, os da faixa etária entre 30 a 39 anos, que aumentou de 164 para 254 casos prováveis.

 

“É uma faixa etária que ainda não tinha sido exposta ao soro tipo 1 da dengue e, agora, está sendo acometida”, informou o gerente de Vigilância das Doenças Transmissíveis, Fabiano Martins. “Mas crianças e idosos são ainda os mais acometidos e estão no grupo de risco maior para a letalidade da dengue”, ressaltou.

 

Do total, os casos graves subiram de três para seis, em comparação com o último Boletim Epidemiológico, e os com sinais de alarme aumentam de 70 para 127 registros.

 

AÇÕES – Desde o ano passado, diversas ações de prevenção e controle foram colocadas em prática, com o objetivo de eliminar focos do mosquito, reduzir os casos de dengue e outras arbovirores, além de promover a conscientização da sociedade no combate ao Aedes.

 

Uma das principais foi a contratação de 600 agentes comunitários de saúde (ACS) e de Vigilância Ambiental (AVAs) para inspecionar os domicílios, que totalizam 92,7% dos focos do mosquito. “O que o DF espera com essa ação é adentrar os domicílios é eliminar os focos que tem dentro as casas”, ressaltou Fabiano Martins.

 

Ações continuadas são realizadas nas regiões administrativas para inspeção dos domicílios, feitas por agentes de Vigilância Ambiental, com suporte do Corpo de Bombeiros Militar do DF (CBMDF). Também é usado fumacê nas ruas e em condomínios indicados por líderes comunitários, trabalhando com manejos ambientais e educação ambiental.

 

As iniciativas incluem a instalação de salas de hidratação oral e venosa em unidades de saúde, utilização de drones para verificação de terrenos com edificações fechadas ou abandonadas e, também, helicópteros. Além disso, cemitérios são vistoriados, carros abandonados pelas ruas são retirados, e paradas de ônibus antigas que acumulam água passaram por limpeza.

 

Muitas dessas ações são estruturadas na Sala Distrital de Combate ao Aedes Aegypti, formada por representantes de vários órgãos do GDF. O objetivo é promover a articulação intersetorial, além das medidas de prevenção e controle das doenças transmitidas pelo mosquito. Participam as secretarias de Saúde, Casa Civil, Cidades, Educação, e órgãos como Corpo de Bombeiros, SLU, Detran, Defesa Civil, Novacap, entre outros.

 

TENDAS – Para reforçar o combate ao Aedes aegypti, a Secretaria de Saúde instalou oito tendas de acolhimento para pacientes com suspeita de dengue, localizadas em Planaltina, Guará, Taguatinga, Gama, Paranoá, Brazlândia, Asa Norte e Sol Nascente. Nelas, 2.397 pessoas foram atendidas, no período de 19 de fevereiro a 2 de março – uma média de 188 atendimentos por dia.

 

De acordo com o secretário-adjunto de Assistência à Saúde, algumas das tendas serão redirecionadas a partir da próxima semana, em função do número de casos. “Planaltina, por exemplo, apresentou uma redução, devido as ações desenvolvidas, então ela deve ser uma das primeiras a ter alteração. A ideia é tirar das proximidades do hospital e colocar próximo a uma UBS que funciona até 22 horas”, informou Ricardo Tavares.

 

Para ampliar ainda mais esse serviço, o Instituto de Gestão Estratégica em Saúde (Iges-DF) também levantou tendas de hidratação, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Sobradinho e na UPA de Ceilândia. Ao todo, 1.278 pacientes foram atendidos nas duas estruturas. Pelo menos 536 tiveram a confirmação da doença. A previsão é que mais uma tenda seja instalada na UPA de São Sebastião e outras duas no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM).

 

Em todos esses espaços, a assistência é prestada por técnicos de enfermagem, enfermeiros e, quando necessário, são encaminhados para avaliação médica, que é soberana aos testes rápidos. Os pacientes com sintomas clássicos da dengue são acolhidos, fazem os exames para a confirmação da doença (se necessário), recebem hidratação oral e tratamento para os sintomas.

 

O objetivo principal é diagnosticar a dengue precocemente e iniciar o tratamento imediato, evitando as complicações decorrentes da doença. Além disso, o serviço ajuda a desafogar as emergências dos hospitais.

 

PARCERIA COM O GOIÁS – A Secretaria de Saúde também cedeu outras duas tendas de acolhimento para atender casos suspeitos da doença em Valparaíso de Goiás e no Novo Gama. O pedido foi feito pelos prefeitos dos dois municípios e autorizado pelo governador Ibaneis Rocha. Com as tendas cedidas pelo DF, os municípios ficam responsáveis por conseguir a equipe de saúde para os atendimentos.

 

“Apesar de não ser a maior incidência, a Região Sul, com o Gama e Santa Maria, é onde detectamos a maior procura de pacientes que não são do DF, mas dos dois municípios. Por isso, pactuamos essa parceria com o Entorno”, pontuou o secretário-adjunto de Assistência à Saúde.

 

“Se não contermos essa taxa no Entorno, ela vem para o DF. E também há surto de dengue em Santo Antônio e Águas Lindas, em pessoas economicamente ativas. Fica difícil concluir se o foco de transmissão é no DF ou exatamente no Goiás. Por isso, estamos montando essas parcerias de forma estratégica”, afirmou o subsecretário de Vigilância à Saúde, Divino Valero.

 

SINTOMAS – A dengue é uma doença febril grave transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que precisa de água parada para se proliferar.

 

O período do ano com maior transmissão são os meses mais chuvosos. Assim, é importante manter a higiene e evitar água parada todos os dias, porque os ovos do mosquito podem sobreviver por um ano até encontrar as melhores condições para se desenvolver.

 

Os principais sintomas da dengue são: febre alta superior a 38.5ºC; dores musculares intensas; dor ao movimentar os olhos; mal-estar; falta de apetite; dor de cabeça e manchas vermelhas no corpo.

 

COMBATE AO AEDES – O engajamento da população é fundamental no combate ao Aedes aegypti. A principal forma de se prevenir contra as doenças transmitidas pelo mosquito é manter o monitoramento constante nas residências, sempre buscando evitar água parada e a proliferação do inseto.

 

Confira algumas dicas:

– Mantenha caixas d’água, tonéis e barris de água tampados;

– Mantenha garrafas de vidro ou plástico sempre com a boca para baixo;

– Encha os pratinhos ou vasos de planta com areia até a borda;

– Limpe as calhas com frequência, evitando que galhos e folhas impeçam a passagem da água;

– Em caso de identificação de focos do mosquito, acione a Vigilância Ambiental pelo telefone 160.

 

Leandro Cipriano, da Agência Saúde
Fotos: Breno Esaki/Saúde-DF