Governo do Distrito Federal
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15/04/13 às 19h15 - Atualizado em 30/10/18 às 14h58

Diagnóstico de câncer bucal no Hospital da Asa Norte

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150 casos da doença foram registrados em 2012, no DF

O serviço de Odontologia do Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), o mais bem equipado da rede, está habilitado a realizar o diagnóstico do câncer bucal. “Funcionando em uma área muito bem montada, esse serviço conta com especialistas dedicados e promove atendimento em todas as áreas da Odontologia”, descreve o coordenador geral de Saúde da Asa Norte, Paulo Feitosa.

No HRAN funciona a Unidade de Estomatologia, área que tem como finalidade prevenir, diagnosticar além de tratar as doenças que se manifestam na cavidade da boca e no complexo maxilo-mandibular. “Depois que o HRAN ganhou um Centro de Especialidade Odontológica, fui convidado a desenvolver esse trabalho no hospital, realizando o diagnóstico de câncer bucal”, diz Eliziário Cesar Leitão, odontólogo e especialista em estomatologia.

O Distrito Federal registrou 150 casos primários de câncer bucal, em 2012, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Em 2012, no HRAN foram diagnosticados 21 casos. No ano anterior foram 30. No Brasil, de acordo com o INCA, foram registrados 14.170 mil casos de câncer bucal em 2012.
Segundo o odontólogo Eliziário Leitão, 40% das pessoas morrem no país, nos primeiros cinco anos, devido ao estágio do tumor estar muito avançado. Essa doença engloba os cânceres de lábio, cavidade oral (mucosa bucal, gengivas, palato duro, língua oral e assoalho da boca), além da orofaringe.

Fatores de Risco
O especialista aponta o consumo de tabaco e de álcool como alguns dos fatores de risco. “Há também uma correlação estreita entre o câncer bucal e o cigarro. Os riscos aumentam quando o tabagista também é alcoólatra. Quando a pessoa fuma e bebe, existe o feito sinérgico que aumenta em 15 vezes a possibilidade do câncer bucal”, explica.

Outros fatores de risco são idade superior a 40 anos, o uso de próteses dentárias mal-ajustadas, exposição solar sem proteção, no caso do lábio, além do Papilomavírus humano (HPV), principalmente associado ao câncer de orofaringe, segundo recentes dados científicos. O profissional cita ainda a alimentação e higiene bucal precária como fatores coadjuvantes.

Autoexame bucal e Sintomas
Como um dos métodos preventivos, o especialista recomenda o autoexame bucal. “O paciente deve fazer em frente ao espelho e avaliar toda a estrutura como a bochecha, os dois lados da língua e também o ‘assoalho de boca’, além de todas as estruturas da cavidade oral”, explica Eliziário. De acordo com ele, essa ação deve ser realizada constantemente, a fim de evitar o diagnóstico tardio de câncer bucal, principalmente nos portadores dos fatores de risco.

“Diferentemente de uma afta, esse tipo de câncer não dói, no estágio inicial”. De acordo com ele, há três situações preocupantes em que o paciente deve estar atento ao realizar o autoexame. “A primeira é uma ferida, uma úlcera que não cicatriza. Em até três semanas, no máximo, as células da mucosa bucal se reproduzem, portanto, nesse período as feridas deveriam cicatrizar. Se uma ponta de um dente estiver machucando, claro que não vai cicatrizar, mas se não houver um fator causal o paciente deve procurar atendimento”, informa o odontológo.

A segunda situação que o especialista aponta é uma área branca, chamada de leucoplasia, um tipo de lesão que pode evoluir para o câncer bucal. “O terceiro tipo conhecido como eritroplasia, mais raro, porém, mais grave, se apresenta como placa de coloração avermelhada na boca”, define Dr. Eliziário.
Consideram-se como sinais de câncer bucal em estágio avançado a dificuldade para falar, mastigar e engolir, além de emagrecimento acentuado, dor e presença de linfadenomegalia cervical (caroço no pescoço). “O câncer bucal pode levar à perda óssea, provocando a mobilidade dos dentes, pode afetar também a língua e a mandíbula. Se no início não dói, no estágio avançado o paciente sente muita dor”, comenta.

Diagnóstico Precoce
“A incidência de câncer bucal é alta devido ao diagnóstico tardio. Muitas pessoas ainda vinculam esse tipo de câncer ao médico e não ao odontolólogo. Embora o tratamento seja uma atribuição do cirurgião de cabeça e pescoço, quem faz o diagnóstico também somos nós, além da prevenção, reservando ao médico a atribuição do tratamento cirúrgico destes tumores”, afirma. O especialista orienta o paciente a procurar uma unidade básica de saúde mais próxima de sua residência e, se houver alguma suspeita, será encaminhado ao CEO, com especialista em Estomatologia.

Pessoas com mais de 40 anos de idade, dentes fraturados, fumantes e portadores de próteses mal-ajustadas devem evitar o fumo e o álcool, realizar a higiene bucal, procurar tratamento dentário e ir à consulta odontológica de controle. Outra recomendação é ter uma dieta saudável. Além disso, para prevenir o câncer de lábio, deve-se evitar a exposição ao sol sem proteção.
Tratamento
Sejam isolados ou associados, os métodos terapêuticos aplicáveis ao câncer de boca são a cirurgia, a radioterapia, além da quimioterapia. Para lesões iniciais, ambas apresentam bons resultados e sua indicação vai depender da localização do tumor e das alterações funcionais provocadas pelo tratamento.
A cirurgia radical do câncer de boca evoluiu com a incorporação de técnicas de reconstrução imediata, que permitem largas ressecções e uma melhor recuperação do paciente. Nos casos mais avançados, emprega-se a quimioterapia associada à radioterapia, quando a cirurgia não é possível. O prognóstico, nestes casos, é extremamente grave, tendo em vista a impossibilidade de se controlar totalmente as lesões extensas, a despeito dos tratamentos aplicados.

“A cura para o câncer bucal depende da fase em que a lesão foi diagnosticada. Os estágios vão de 1 a 4. No primeiro, a chance de cura é de 90%. À medida que evolui, esse percentual cai para 30% e o paciente fica mutilado devido à extensão da ressecção”, explica o especialista.

Patrícia Kavamoto