Governo do Distrito Federal
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27/10/21 às 18h48 - Atualizado em 27/10/21 às 19h32

Do cuidado com o paciente ao entretenimento na internação

Conheça o técnico de enfermagem Denivaldo Camargo quem se dedica, há quase 30 anos, a cuidar e alegrar os pacientes do Hran

 

ADRIANA SILVA, DA AGÊNCIA SAÚDE-DF | EDIÇÃO: JOHNNY BRAGA

 

Sorrisos e alegria, essa é a receita que o técnico de enfermagem Denivaldo Camargo costuma prescrever aos seus pacientes. Apaixonado também por artes cênicas, o Herói da Saúde tem formação acadêmica em palhaçaria realizada no Canadá, no ano de 2016. As pitadas de alegria dão força ao seu trabalho desenvolvido há anos no Hospital Regional da Asa Norte (Hran) e que já ajudaram na recuperação de centenas de pessoas.

 

Dênis trabalha no Hran há quase 30 anos – Foto: Breno Esaki/Agência Saúde-DF

Denis, como prefere ser chamado, faz questão de unir suas duas paixões: a saúde e a alegria. Em 2022, ele completará 30 anos de dedicação ao Sistema Único de Saúde. Desde 1992, quando ingressou na rede, o técnico de enfermagem passou por quatro setores no Hran e tem muitas histórias para contar.

 

“Muitos pacientes manifestavam um olhar curioso e afetivo. Com os adultos, mais vividos, nós nos aproximávamos devagar para eles poderem absorver a ideia de que em hospital também tem palhaço. Quebrado esse primeiro impacto, os donos das histórias eram eles. Sempre tinham os mais cativantes e que queriam nos abraçar de tanta felicidade, porém, a gente dava um jeito e inventava uma coreografia com música para evitar o contato e o perigo da contaminação”, recorda.

 

Até o ano de 2001, ele se dedicou no atendimento na unidade de clínica médica, onde também iniciou as visitas aos pacientes. Nesse setor, ele atuou como técnico de enfermagem trazendo as medicações, e levando sorrisos, alegria e, mesmo que por alguns minutos, alívio e esperança para quem está em um leito de hospital.

 

Profissional é técnico de enfermagem e atua com palhaçaria – Foto: Breno Esaki/Agência Saúde-DF

Depois da experiência com internação de adultos, Denis foi trabalhar no pronto-socorro pediátrico. E lá se foram mais 11 anos, de 2001 a 2012, em que pôde continuar conciliando suas duas paixões.

 

“As crianças, muitas delas, queriam nos seguir pelos corredores do Hran. Era muito engraçado porque elas são tímidas no início do contato e depois começam a propor brincadeiras e sempre pediam mais e mais”, ressalta.

 

Paixão pela alegria

 

Denis fazia parte do “Projeto Risadinha – Ação pelo riso e pela saúde!”, que, desde 1998, atua nos corredores e enfermarias do Hospital Regional da Asa Norte (Hran). E foi a convite do diretor do hospital à época, que ele iniciou as apresentações de espetáculos como teatro de rua, com bonecos e máscaras. No início, ele fazia rodas de pacientes nos corredores onde se apresentava.

 

A alegria de Denis é levar alegria aos pacientes do Hran – Foto: Breno Esaki/Agência Saúde-DF

“Eu não estava satisfeito com as apresentações, sentia que os pacientes estavam desconfortáveis e as apresentações cansavam eles, pois tinham que ficar de pé para acompanhá-las. Eu percebi que isso atrapalhava o fluxo das rotinas das equipes de enfermagem, médica e de limpeza”, relata.

 

Percebendo essa dificuldade, Denis e outros colegas decidiram levar aquele trabalho para os leitos dos pacientes. Dessa forma, as visitas passaram a ser individualizadas de acordo com o estado clínico de cada um.

 

“De 2002 até 2013, mantivemos o Projeto Risadinha funcionando semanalmente e as visitas aconteciam nas quintas-feiras para pacientes (crianças e adultos), acompanhantes, e funcionários do ambiente hospitalar”.

 

Creche no hospital

 

Em 2012, Denis foi transferido para a creche dos servidores do hospital, local em que as servidoras lactantes deixavam seus bebês enquanto trabalhavam. Foi nesse setor que ele atuou até o início da pandemia, quando a creche foi fechada pelo fato de o Hran ter se tornado referência no atendimento a pacientes com covid-19.

 

Foto: Breno Esaki/Agência Saúde-DF

Atualmente, o técnico de enfermagem é chefe do Núcleo de Ensino e Pesquisa do hospital (NUEP), mas não deixou de lado os planos sociais do “palhaço” que ele representa.

 

A formação profissional de Denis vai além da profissão de técnico de enfermagem. Ele é doutor em artes cênicas  pela Universidade de Brasília (UnB) e também é docente no ensino superior das disciplinas Prática de Montagem, Produção e Gestão Teatral e História do Teatro III.

 

Para o futuro, Denis planeja se aposentar pela Secretaria de Saúde e partir para algo em que, segundo ele, já pensa há algum tempo. “Me formei pela UnB de forma gratuita e hoje quero devolver o que o governo investiu na minha formação. Então, após minha aposentadoria, dedicarei os próximos cinco anos da minha vida à formação acadêmica de novos palhaços que possam atuar nos hospitais da rede pública de saúde do DF. Após formar essa turma, me dedicarei ao ensino superior como docente nas artes cênicas, numa universidade pública federal”, revela.

 

Na semana do servidor, a série Heróis da Saúde irá destacar, ao longo do período, o trabalho dos profissionais da rede pública do DF e suas respectivas missões profissionais e trajetórias de vida com os cidadãos e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde.

 

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