Governo do Distrito Federal
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30/03/20 às 13h52 - Atualizado em 31/03/20 às 16h52

Estudantes da ESCS reforçam atendimentos do TeleCovid

Formandos de Medicina irão se revezar durantes os três turnos para ajudar no enfrentamento do coronavírus

 

A partir desta segunda (30), o TeleCovid vai contar com a participação dos estudantes do último ano de Medicina da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS). Cerca de 50 alunos serão voluntários durante todo o período de enfrentamento da pandemia do coronavírus. Eles vão fazer atendimentos e darão um reforço às equipes nos três turnos.

 

“Este é um momento único na saúde pública mundial. Ser voluntário no enfrentamento do coronavírus é um estímulo para os estudantes verem que também precisamos de médicos generalistas, voltados para a atenção primária. Hoje, a maioria dos alunos de medicina quer fazer uma superespecialização. Não é errado se especializar, mas também é importante atuar na linha de frente. Além disso, é o comprometimento social da profissão”, explica Alexandre Garcia, diretor do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu-DF).

 

De acordo com Garcia, os estudantes, divididos em grupos de seis por turno, irão atender as chamadas e orientar desde a forma correta de higienizar as mãos até como proceder em situações mais graves. “Como eles possuem conhecimento médico, conseguem identificar se a pessoa do outro lado da linha está com problemas respiratórios que possam ser indicativos de procurar uma unidade de saúde”, afirma.

 

DEVER SOCIAL – Para o estudante de medicina Giovanni De Toni, 26 anos, este é um momento único de exercer a cidadania e uma forma de retribuir à sociedade todo conhecimento adquirido.

 

“Ser voluntário nessa ação de enfrentamento do Covid-19 me faz enxergar com um olhar epidemiológico que a saúde depende de vários setores da sociedade. Cada pessoa tem um papel importante na saúde coletiva. Neste contexto em que estamos vivendo, quero ajudar e sei que só terei ganhos com isso, como crescimento profissional e pessoal”, avalia.

 

Thiago Blanco, médico e professor da ESCS, avalia o trabalho de voluntariado nesta situação como um compromisso do médico. “Temos obrigação moral e ética de ajudar neste momento. A Covid-19 é um enfrentamento de todos”, observa.  Segundo o professor, a suspensão temporária das aulas está servindo para ajudar nessa força-tarefa.

 

Além dos estudantes, haverá professores de diversas formações para orientar e supervisionar o trabalho dos alunos durante todo o período de pandemia e de trabalho voluntário na unidade de teleatendimento. A previsão é que o TeleCovid receba o trabalho voluntário de alunos de medicina de mais duas instituições privadas.

 

TELECOVID – Localizadas no Centro Integrado de Operações de Brasília (CIOB), as 20 linhas telefônicas da unidade já recebem, em média, mais de 1,7 mil ligações por dia. A força-tarefa é composta por servidores das Polícias Militar e Civil, Corpo de Bombeiros, SLU, BRB, CEB, Caesb, Defesa Civil, além do Samu e da Secretaria de Saúde. Os telefones do TeleCovid são 190, 193 e 199.

 

O teleatendimento funciona 24 horas. À noite, o serviço do TeleCovid é prestado diretamente por técnicos de enfermagem do Samu, que repassam a ligação para enfermeiros da unidade caso seja necessário.

 

A depender da situação, os profissionais tiram as dúvidas pertinentes e informam se a pessoa se classifica, ou não, dentro dos sintomas de coronavírus. Também é enfatizada a importância do isolamento domiciliar, reduzindo assim a procura desnecessária de pacientes às unidades de saúde.

 

Durante a ligação, se a pessoa for classificada como um possível caso, ela será orientada, a depender da situação, a se dirigir à unidade básica de saúde (UBS) mais próxima de sua casa, ou a acionar o Samu 192.

 

CIOB – Usado para ações de segurança pública, o Centro Integrado de Operações de Brasília tem o objetivo de concentrar dados de operações e ações sigilosas do Corpo de Bombeiros, monitorando o número de contágios do coronavírus no DF, no Brasil e no mundo.

 

A unidade recebe dados de postos de saúde, hospitais, laboratórios e consegue formar uma base que permite saber quando, como e onde está havendo contágio. O centro é coordenado pelos bombeiros, que trabalham em conjunto com representantes das secretarias de Saúde e Casa Civil, além da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e das vigilâncias Sanitária e Ambiental.

 

Jurana Lopes, da Agência Saúde

Fotos: Geovana Albuquerque, da Agência Saúde