Governo do Distrito Federal
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5/07/18 às 17h31 - Atualizado em 30/10/18 às 14h58

Fonoaudiologia do HRC ajuda crianças no processo de leitura

A pequena Luany, de 8 anos, foi uma das atendidas pelo projeto – Foto: Mariana Raphael, da Agência Saúde

 

Dois projetos desenvolvidos na fonoaudiologia do Hospital Regional de Ceilândia (HRC) foram destaque no último Congresso Internacional de Dislexia, realizado em junho deste ano. Ambos têm ajudado crianças no processo de leitura e alfabetização e os resultados refletiram na fila de espera para atendimento nessa especialidade na unidade.

 

“Nem toda criança que está na fila esperando consulta de fonoaudiologia tem algum transtorno. Com os projetos, a gente atende em grupos e conseguimos identificar se a criança tem transtorno ou se é somente um problema familiar, emocional ou de adaptação”, explica a fonoaudióloga responsável pelos projetos, Renata Monteiro.

 

Ela diz, ainda, que a criança que não tem transtorno começa logo a ler e já é liberada. Dessa forma, as vagas de consulta são disponibilizadas para quem realmente tenha algum transtorno, como dislexia e déficit de atenção.

 

Um dos projetos, intitulado Steve Jobs (Projob), é voltado para crianças já diagnosticadas com dislexia. “Usamos um método que utiliza pseudopalavras, ou seja, palavras que não têm significado semântico. Através disso, fizemos adaptação da técnica para trabalhar a leitura das crianças com diagnóstico de dislexia para aquisição da leitura”, detalha Renata.

 

Ela conta que os resultados aparecem em menos de seis meses. “Com outros métodos, os mesmos resultados eram alcançados em dois anos”, destaca.

 

Atualmente, 10 crianças com idade entre 8 e 16 anos, não alfabetizadas, são atendidas durante um período de seis meses. “Temos um protocolo de atendimento para que ele não fique desassistido depois que sai do projeto”, complementa a fonoaudióloga.

 

O atendimento acontece às segundas, quartas, quintas e sextas-feiras, com 30 minutos de estimulação, individualmente.

 

LEITURA – Outro projeto desenvolvido na unidade, chamado de Visconde de Sabugosa, ajuda no processo de leitura. Além de identificar quem tem transtorno e quem tem apenas dificuldade, a técnica utilizada consegue alcançar o que se propõe: levar as crianças a ler as primeiras palavras.

 

Projeto Visconde do Sabugosa ajuda crianças a lerem as primeiras palavras – Foto: Mariana Raphael, da Agência Saúde

 

“O projeto acontece com grupos de até cinco crianças com idade entre 8 e 16 anos, que têm dificuldade no aprendizado da leitura. Aquelas que apenas têm dificuldade, conseguem ler em curto prazo e logo são liberadas. Quem tem transtorno, ao fim do projeto, vai para avaliação diagnóstica para identificar qual o problema de saúde ela tem”, explica Renata Monteiro.

 

A pequena Luany Barbosa Nery, 8 anos, logo deve ser liberada do projeto. Segundo a mãe da garota, Neuza de Barros, a filha troca algumas letras na hora de pronunciar palavras e, por isso, buscou ajuda. “O ‘R’ costuma não sair em palavras como prato, branco e percebia que ela não fazia esforço para tentar falar corretamente”, conta.

 

Com dois meses de projeto, a menina já se dá conta quando fala errado e, imediatamente, corrige. “Ás vezes eu falo errado só para ver a reação dela e ela já me corrige”, observa Neuza.

 

Neuza observou que a filha já se dá conta quando fala errado – Foto: Mariana Raphael, da Agência Saúde

 

Segundo Renata Monteiro, Luany não tem transtorno algum, é apenas uma garota agitada e com dificuldades para prender a atenção.

 

A intervenção acontece em 27 sessões, cada uma com duração de 50 minutos. Aquelas crianças diagnosticadas com algum transtorno ainda são acompanhadas por quatro meses de alta assistida.

 

TEXTO: Alline Martins, da Agência Saúde