Governo do Distrito Federal
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13/11/13 às 13h16 - Atualizado em 30/10/18 às 15h09

Gestantes usuárias de drogas contam com atendimento especializado

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HMIB é referência na Rede de Saúde

O Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB) é o centro de referência no Distrito Federal no atendimento às gestantes usuárias de álcool e outras drogas. A equipe do Núcleo de Atendimento Terapêutico (NAT) estuda criação do primeiro protocolo brasileiro de atendimento a essas mães.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), um terço da população diagnosticada como dependente químico é de mulheres em idade reprodutiva. Dados do Ministério da Saúde ainda apontam que 9% a 12% da população brasileira são dependentes de álcool e até 2% de crack.

“Estamos enfrentando um problema grave. Segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente dois milhões de brasileiros são dependentes de drogas”, relata o diretor de Saúde Mental da Secretaria de Saúde, Augusto César de Farias.

Diante do aumento do consumo de entorpecentes, foram retomados os temas de debate sobre o assunto, que passou a ser considerado um problema de saúde pública, mas que ainda caminha para vencer a batalha do enfrentamento ao consumo de crack e outras drogas.

“Ainda não há no Brasil um protocolo específico para o atendimento das gestantes usuárias de drogas e também faltam referências bibliográficas. Por isso, estamos criando um protocolo médico e psicossocial com a equipe multidisciplinar para discutirmos e criarmos o melhor fluxo de atendimento para assistir a essas mulheres e suas especificidades porque a demanda tem aumentado gradualmente”, relata a chefe psiquiatra do NAT do HMIB, Marjorie Moreira de Carvalho.

No hospital foram destinadas três profissionais formadas em psiquiatra, psicologia e assistência social para tratar os casos de gestação de risco por entorpecentes. O trabalho dos profissionais consiste atualmente na intervenção nos momentos de crise assim, quando as mães são admitidas na emergência, a equipe do Centro Obstétrico solicita o atendimento. O período de internação geralmente é ampliado para até seis semanas, além de ser feita a sensibilização para a adesão ao tratamento e a desintoxicação. Após a alta hospitalar, a rede de saúde conta com o suporte das Varas de Infância, os Caps Ad e as Comunidades Terapêuticas para receberem os pacientes.

“Antes essas mães passavam pelo Hospital São Vicente de Paulo e depois no Hospital de Base, mas o HMIB possui obstetras especializados em gravidez de alto risco que geralmente é o caso dessas mães, portanto, elas devem ser encaminhadas ao HMIB assim que for detectada a gestação”, explica a psiquiatra Maria Marta Freire.

O fluxo de atendimento dessas mulheres foi adaptado para atender a mudança do perfil das usuárias, que passaram a utilizar crack no lugar da merla. Esse comportamento trouxe um quadro de agressividade extremada por parte das pacientes. Apesar de apresentarem níveis socioeconômicos variados, geralmente são moradoras de rua. Além disso, apresentam patologias como turberculose, sífilis, aids, hepatites.

“Essas mulheres  também sofrem com o preconceito, exclusão social e apresentam histórias de abandono, negligência e todo tipo de violência. Por causa dessa especificidade, a criação do vínculo e a adesão ao tratamento são questões problemáticas no sucesso da intervenção. A dependência orgânica é tão forte que a motivação é boicotada”, explica a psicóloga do programa, Marina Kohlsdorf.

O tratamento também se estende aos recém-nascidos que geralmente apresentam diversas complicações como prematuridade, baixo peso, complicações respiratórias, má formação e abstinência. Em geral, os sinais de Síndrome de Abstinência Neonatal incluem irritabilidade, disfunção gastrointestinal, sucção exagerada e choro agudo.

“A abstinência em recém-nascidos depende das drogas, do tempo de uso, da quantidade e do metabolismo materno. Este estado pode se resolver sem medicação, a não ser quando se associa ao uso de múltiplas drogas e ao curto tempo entre o uso materno da droga e o nascimento”, explica o neonatologista, Paulo Margotto.

A equipe planeja fazer treinamentos nas unidades dos hospitais principalmente com os profissionais que trabalham nas emergências e o objetivo é oferecer na Rede de Saúde um tratamento integral e preventivo e não só fazer intervenção em crise.

ONDE ENCONTRAR AJUDA:
• Centros de Referência de Assistência Social (CRAS),
• Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS)
• Centro de Atenção Psicossocial de Álcool e outras Drogas 24 h (CAPS AD III)
• POP
• SAMU

Por Ana Luiza Greca, da Agência Saúde DF
Atendimento à Imprensa
(61)3348-2547/2539 e 9862-9226

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