Governo do Distrito Federal
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14/06/18 às 19h22 - Atualizado em 30/10/18 às 14h58

Gestores e especialistas defendem Saúde da Família em fórum nacional

Encontro reuniu mais de 350 profissionais e docentes da área de saúde. Foto: Mariana Raphael

 

O Fórum Nacional de Atenção Primária à Saúde promoveu, nesta quinta-feira (14), a mesa-redonda Perspectivas das Estratégias de Saúde da Família no Brasil, que reuniu mais de 350 profissionais e docentes da área de saúde no auditório da Associação Médica de Brasília (AMBr).

 

Integrante da mesa, o secretário de Saúde, Humberto Fonseca, defendeu as mudanças promovidas no Distrito Federal pela conversão do modelo tradicional de atenção primária para a Estratégia Saúde da Família (ESF), cuja cobertura populacional aumentou de 32%, em 2017, para 69,1% em março deste ano.

 

De acordo com Fonseca, o aumento foi possível a partir da constatação da existência de grande quantitativo de profissionais na atenção primária que não atuavam conforme as diretrizes da Saúde da Família.

 

Sem fazer nenhuma contratação, foi possível reorganizar as atividades desses servidores, capacitá-los e, dessa forma, criar mais 324 equipes da ESF, sobrando ainda 400 enfermeiros e 1.000 técnicos de enfermagem.

 

“A situação era absurda. Tínhamos 80% do orçamento da Saúde comprometido com pessoal, mas não conseguíamos aproveitar essa força de trabalho. Por isso, acreditamos que a Saúde da Família é o melhor modelo, com a melhor realocação de recursos”, garantiu Fonseca.

 

Apesar das resistências à implantação do novo modelo no início das mudanças, vindas de diversos setores da sociedade, o secretário acredita que, com o passar do tempo, a população terá consciência dos efeitos benéficos trazidos pela Saúde da Família. Para que essa percepção seja conquistada, ele conta com o suporte dos profissionais da atenção primária.

 

“Precisamos muito que, na ponta, tenhamos a consciência que esse é o momento de fortalecer a Saúde da Família. Se nós não estivermos unidos, de forma que fique claro para a população que esse é um modelo que traz qualidade, que diminui o adoecimento e, efetivamente, gera um vínculo das equipes com as pessoas, nós não vamos conseguir”, disse Fonseca.

 

DADOS – Segundo o diretor substituto do Departamento de Atenção Primária do Ministério da Saúde, Allan Sousa, atualmente 63,7% da população brasileira está coberta pela Estratégia Saúde da Família, com 42.467 equipes que cuidam de mais de 131 milhões de cidadãos.

 

“Ao longo dos últimos 15 anos nós praticamente dobramos as coberturas populacionais. Para se ter ideia da magnitude disso para o Brasil, isso sempre impressiona as pessoas de outros países que nos visitam”, comentou Sousa.

 

Outro dado foi trazido pela médica de família e comunidade e professora de medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Patrícia Chueiri. De acordo com o estudo apresentado por ela no evento, em Joinville (SC), indivíduos atendidos pela ESF tiveram risco de morte 42% menor em relação as pessoas que não eram atendidas pela Saúde da Família.

 

“A ESF diminui o risco absoluto e de morte em 16,4%”, ressaltou Chueiri, ao apontar a necessidade de se divulgar mais as vantagens da ESF. “A Saúde da Família é muito superior, em coisas muito claras. Mas temos que nos comunicar de forma a mostrar isso para além dos profissionais que já atuam nisso, chegando à população”, completou.

 

EVENTO – Promovido pela Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) e a Associação Brasiliense de Medicina de Família e Comunidade (ABMFC), o fórum termina amanhã (15).

 

O evento celebra os 30 anos do Sistema Único de Saúde (SUS) e também comemora os 40 anos de Alma-Ata – declaração formulada por ocasião da Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde, reunida em Alma-Ata, no Cazaquistão (ex-república socialista soviética), de 6 a 12 de setembro de 1978.

 

TEXTO: Leandro Cipriano, da Agência Saúde