Governo do Distrito Federal
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2/06/14 às 16h06 - Atualizado em 30/10/18 às 15h11

HMIB realiza primeira cirurgia fetal da Rede Pública do DF

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Técnica inovadora aumentou as chances de sobrevivência do recém-nascido

 

Equipe multidisciplinar do Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB) realizou, em maio, a primeira cirurgia fetal de alta complexidade da Rede Pública. Foi constatado em uma consulta no pré-natal de E.D, de 26 anos, vinda da Bahia, que seu bebê apresentava uma malformação congênita. Um tumor benigno comprometia o pulmão esquerdo do feto e lhe dava poucas perspectivas de sobrevivência após o nascimento por métodos convencionais.

Para aumentar as chances do bebê após a cirurgia, o caso foi amplamente discutido em reuniões com profissionais de diversas áreas como, por exemplo, a medicina fetal, obstetrícia, neonatologia, cirurgia pediátrica, anestesiologia, hematologia e cardiologia até chegar à escolha da estratégia inovadora que resultou no sucesso do procedimento.

Segundo o chefe da cirurgia pediátrica, Paulo Lassance, o procedimento escolhido é conhecido como EXIT (tratamento intraparto extra útero). A operação fetal é realizada durante cesariana com preservação da circulação feto placentária que permite o manuseio seguro das vias aéreas do feto com risco de obstrução.

Após constatar condições ideais para o nascimento do bebê, a paciente, que estava com 37 semanas de gestação, foi submetida à intervenção cirúrgica. A equipe de obstetras realizou a liberação parcial do feto durante a cesariana, assegurando a circulação intra-placentária. O feto, portanto, permaneceu ligado à mãe pelo cordão umbilical durante todo o procedimento cirúrgico de retirada do tumor. O cordão só foi cortado após o término do procedimento que durou 75 minutos e transcorreu sem complicações.

“Ao realizar a cesariana de alto risco, tomamos os cuidados necessários para evitar o descolamento da placenta que foi imprescindível para garantir a segurança do bebê”, comenta a chefe da unidade de obstetrícia, Lucila Nagata.

Além da atuação dos obstetras e cirurgiões pediatras, os anestesistas também tiveram um papel fundamental para garantir o sucesso da cirurgia. Segundo a chefe da unidade de anestesia do hospital, Lucilia Nolasco, o hospital disponibilizou quatro anestesistas para entregar a mãe em condições estáveis e com o útero plenamente relaxado e o feto sedado monitorado para evitar asfixia fetal para que os cirurgiões pudessem intervir.

“O caso, devido a sua complexidade, foi analisado para que chegássemos aos medicamentos e as dosagens ideais para manter os pacientes estáveis”, explica Lucilia.

Para a coordenadora-geral de Saúde da Asa Sul, Roselle Bugarin Stennhouwer, a circunstâncias inerentes ao método EXIT e a participação integrada da equipe multidisciplinar foi vital para garantir a segurança e a qualidade da assistência prestada aos pacientes.

“Estou orgulhosa porque o trabalho conjunto e planejado conseguiu elevar o patamar do atendimento da alta complexidade ao binômio materno-infantil do HMIB”, relata Roselle.

Ana Luiza Greca da Cunha, da Agência Saúde DF

 

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