Governo do Distrito Federal
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15/10/12 às 19h25 - Atualizado em 30/10/18 às 14h57

Hospital da Criança realiza mutirão inédito

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A estudante Andressa Ramos do Nascimento, 14 anos, foi um dos 72 pacientes examinados no mutirão promovido pelo Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB), segunda-feira (8). A ação, inédita, reuniu especialistas de vários estados para examinar crianças e adolescentes. O mutirão de doppler transcraniano serve para detectar a possibilidade de acidente vascular cerebral (AVC) em pacientes com doença falciforme.

“Essa atividade é mais um exemplo do trabalho magnífico que faz o Hospital da Criança”, destacou o secretário-adjunto de Saúde, Elias Miziara. “Nosso reconhecimento a todos os médicos que ajudam a quem precisa”, disse. Médicos especialistas de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Amazonas, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e DF participam do mutirão. “Além de prevenir o AVC, essa mobilização permite a troca de experiências”, diz o diretor do Hospital da Criança, Renilson Rehem.

O ambulatório de doppler transcraniano do HCB é o único em funcionamento na rede pública de Saúde do DF. Para que o número de exames seja alcançado, os médicos voluntários disponibilizaram equipamentos próprios. O doppler transcraniano é feito por aparelho de ultrassom que avalia o risco de acidente vascular cerebral por meio da medição do fluxo de sangue nas artérias do cérebro. É um procedimento não invasivo – não há perfuração ou necessidade de sedação.

“Temos que buscar a profilaxia primária, ou seja, antes que corram os danos”, frisa a presidente Academia Brasileira de Neurologia, Elza Tosta. Para ela, ações como está são uma oportunidade de um futuro livre do AVC para essas crianças e adolescentes.

A ação é resultado de parceria do Hospital da Criança com a Coordenação de Neuropediatria da Secretaria de Saúde e a Academia Brasileira de Neurologia que aproveitou a vinda dos médicos para o 8º Congresso Mundial de AVC, que será realizado em Brasília, do dia 10 a 13 de outubro.

Doença Falciforme

A doença falciforme é uma das alterações genéticas mais frequentes no Brasil. A mutação produz uma hemoglobina anormal, conhecida como “S”, que determina alterações da forma dos glóbulos vermelhos do sangue. Esses tomam forma de foice, daí a denominação da doença falciforme. As consequências clínicas são a anemia hemolítica crônica e os fenômenos de obstrução nos vasos sanguíneos que levam a dores agudas nos ossos e articulações, além de lesão nos vasos.

O acidente vascular cerebral (AVC) é uma das mais temidas complicações da doença falciforme e as crianças a partir de três anos são as mais afetadas. A incidência pode chegar a 11%. O exame do doppler transcraniano é o melhor instrumento para identificar pacientes com maior risco de ter um AVC. A partir do resultado, medidas terapêuticas como o programa de transfusão regular podem ser tomadas.

Celi Gomes