Governo do Distrito Federal
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3/01/22 às 17h09 - Atualizado em 5/01/22 às 12h15

Hran busca maior agilidade para transplante de pele

Após 15 cirurgias bem-sucedidas, unidade vai ganhar credenciamento do Ministério da Saúde

 

HUMBERTO LEITE | EDIÇÃO: MARGARETH LOURENÇO | REVISÃO: JULIANA SAMPAIO

 

O Hospital Regional da Asa Norte (Hran) será o primeiro centro hospitalar do DF a solicitar material dos bancos de pele para cirurgias. A unidade de saúde prepara-se para ser credenciada pelo Ministério da Saúde como apta a realizar cirurgias de transplante de pele.

 

“O processo se tornará mais rápido, porque hoje precisamos fazer tudo intermediado pelo Ministério da Saúde”, informa o médico Ricardo de Lauro, chefe da unidade de queimados do Hran. O hospital já conta com equipe qualificada para os procedimentos necessários. Nos últimos três anos, foram 15 cirurgias desse tipo, incluindo o caso de uma criança de três anos que teve 40% do corpo queimado em um acidente doméstico com álcool.

 

Pele humana oriunda do banco de pele da Santa Casa de Misericórdia, em Porto Alegre – Foto: Breno Esaki/Agência Saúde-DF

 

“Um dos grandes desafios de uma unidade de queimados é diminuir a morbidade e a mortalidade dos pacientes com mais de 30% da superfície corporal atingida por queimaduras graves, situação em que há escassez de pele do próprio indivíduo”, explica o cirurgião plástico Fernando Pontes Andrade, responsável técnico da equipe de transplante. O procedimento é indicado para casos de traumatismos.

 

Utilizar a pele humana, obtida de um doador falecido, na mesma ocasião da retirada de órgãos e de outros tecidos, como córnea, fígado, coração, pulmão, rins etc, é uma técnica que apresenta resultados melhores que outras opções, como uso de tecidos de animais ou curativos tecnológicos. “A pele é um dos maiores sistemas do nosso corpo e cumpre funções essenciais para nosso organismo, protegendo-nos contra todo tipo de infecção, perdas de água e sais, participa da regulação da nossa temperatura, permitindo a homeostase, que é a capacidade de manter o organismo em estabilidade, além de ser através dela que percebemos o mundo através do tato”, completa Ricardo de Lauro.

 

O Hran não será ainda uma unidade credenciada para fazer a retirada do tecido de doadores, nem terá um banco de pele. Em caso de necessidade, a equipe do DF deve especificar a quantidade de pele que necessita e o tecido é transportado por via aérea, em aeronaves comerciais ou da Força Aérea Brasileira. No caso da criança de três anos operada em 2021, foi preciso 1,7 mil cm² de pele para o transplante.

 

O superintendente da Região Central de Saúde, Pedro Zancanaro, informou que foram realizadas adequações físicas na unidade de queimados do Hran e treinamentos para os servidores. Agora, a equipe é instruída sobre os procedimentos adequados para solicitações aos bancos de pele, que atualmente são quatro no Brasil: em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba. “No Hran nós somos referência na região Centro-Oeste. Com a otimização do tratamento de queimados, haverá um maior giro de leitos”, afirma.