Governo do Distrito Federal
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2/05/16 às 22h10 - Atualizado em 30/10/18 às 15h14

Internação domiciliar ganha ciclo de estudos

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Eventos atualizarão técnicas de atendimento

BRASÍLIA (2/05/16) – Após apresentar a palestra inicial do I Centro de Estudos em Internação Domiciliar, realizado na sede da Secretaria de Saúde , nesta segunda-feira (2), ao ser questionado sobre o que considerou mais importante no doutorado em Avaliação da Função Respiratória de Pacientes Neuromusculares na Universidade Paris-Saclay, o fisioterapeuta Dante Brasil Santos respondeu sem hesitar: “mesmo com recursos limitados, profissionais e até os familiares podem ser treinados para reconhecer preventivamente sinais do agravamento de infecções pulmonares e dar sobrevida com mais qualidade a essas pessoas”.

A afirmação do fisioterapeuta, que teve acesso a sofisticadas técnicas terapêuticas na universidade francesa, não deixou de causar alguma surpresa na audiência do evento, composta por profissionais multidisciplinares que atuam principalmente nas 16 equipes dos Núcleos Regionais de Atendimento Domiciliar, distribuídos em todas as regiões de saúde do Distrito Federal.

“Essa informação, aparentemente simples, mostra a extrema importância de promovermos a difusão de conhecimentos atualizados que, nem sempre, exigem recursos financeiros para sua aplicação”, destaca a gerente de Atenção Domiciliar da SES/DF, Maria Leopoldina Villas-Boas.

A partir desse primeiro evento, a médica pretende promover regularmente apresentações acadêmicas, técnicas e científicas que apoiem o trabalho das equipes de atenção domiciliar da Secretaria de Saúde, hoje responsáveis pelo atendimento a 1.361 pacientes, sendo 832 em oxigenoterapia. “Depois desse ciclo inicial, pretendemos estabelecer um calendário regular de eventos, pelo menos a cada dois ou três meses”, estima a médica.

AUTO-CUIDADOS – A segunda palestra do dia contemplou a atuação dos profissionais de saúde em relação aos cuidados paliativos – uma abordagem que melhora a qualidade de vida dos pacientes e familiares diante de doenças que ameaçam a continuidade da vida, justamente um dos focos do trabalho das equipes que fazem o atendimento domiciliar. A apresentação ficou a cargo da psicóloga Giselle Silva, que centrou a exposição nos autocuidados que os profissionais devem ter ao enfrentar as situações extremas do ciclo final da existência.

“Existe uma clara defasagem na formação dos profissionais de saúde em relação à realidade do atendimento durante a fase final da vida das pessoas, quando estão envolvidos não somente problemas orgânicos de impossível resolução, mas, na mesma medida, problemas emocionais e existenciais do indivíduo e da família, para os quais não existem técnicas objetivas de enfrentamento”, define a psicóloga.

Para Giselle Silva, os profissionais envolvidos no acompanhamento da “fase final do paciente” devem adotar uma postura de autocuidados com a sua própria saúde, pois as jornadas de atendimento a pessoas que passam por esse momento podem ser extenuantes. “É preciso compartilhar as experiências e entender os limites de cada um na prestação de cuidados paliativos, uma ação gratificante, mas que exige coragem”, pondera.

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