Governo do Distrito Federal
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6/04/16 às 20h30 - Atualizado em 30/10/18 às 15h14

Jovens ajudam Banco de Leite do Hospital de Santa Maria

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Há sete anos, estudantes do Centro de Ensino Fundamental 201 recolhem potes de vidros  na comunidade para doadoras

BRASÍLIA (6/4/16) – Bater na porta de vizinhos e até desconhecidos, para arrecadar frascos que possam ser usados na coleta de leite materno, se tornou parte da rotina dos estudantes do Centro de Ensino Fundamental 201 de Santa Maria. O objetivo da iniciativa, que recebeu o nome Corrente do Bem, é contribuir com o trabalho do Banco de Leite do Hospital Regional de Santa Maria, que fornece o alimento para bebês internados.

O trabalho solidário existe desde 2010 e, durante os sete anos de parceria entre a escola e o Banco de Leite, foram arrecadados 1.970 frascos, uma média de 280 frascos por ano. Em um recorte de 2015, quando o número de doadoras ficou em 356, foram arrecadados 370 potes, ou seja, mais de um recipiente por doadora. No ano, o banco também coletou 1.245 litros do alimento, distribuídos a 319 crianças.

A escola promove diversas atividades para recolher os recipientes. “Já fizemos gincanas; trabalhos escolares para doação dos vidros que valiam nota; bem como rifas em troca de um frasco para sortear produtos de beleza que foram doados pela própria equipe do banco de leite”, contou a vice-diretora da escola, Margareth de Brito, que teve a iniciativa de desenvolver o projeto quando ainda trabalhava na biblioteca.

B. E, de 15 anos, é uma das estudantes que contribui. Quando foi dar à luz à Manuella Ribeiro, hoje com três meses, teve que ficar internada no Hospital Materno Infantil. Deixou a figura de arrecadadora de vidros, passou a reunir outras mães que também estavam internadas para doar leite, e acabou ganhando o apelido de líder da “Máfia do Bem”.

“Manuella nasceu com glicemia baixa, eu também não produzi leite o suficiente nos quatro primeiros dias. Fiquei internada e minha filha recebeu leite do banco do hospital. Comecei a conversar com as outras mães e consegui convencer a todas a doar. Senti na pele a necessidade desse trabalho. Pela iniciativa, recebi esse apelido”, contou a estudante.

Foi por conta própria que os alunos também começaram a arrecadar os vidros com a comunidade de Santa Maria. “É muito difícil para um adolescente sair de casa para bater de porta em porta para pedir, mas estamos fazendo esse trabalho porque sabemos da importância. Eu mesma, quando nasci, recebi leite dos bancos porque minha mãe teve um problema no seio”, revelou a estudante Ana Bárbara de Oliveira, 14 anos.

Os meninos também não ficaram de fora da iniciativa. Gustavo Cruz, 14 anos, já começou a coletar os frascos para serem doados neste ano. “Sempre peço para minha mãe comprar café solúvel e maionese, com embalagem de vidros e tampa de plástico. Também peço para os vizinhos e visito algumas casas. Estou com uns 20 vidros para doar”, contabilizou, ao dizer que já recebe doações espontâneas por ser conhecido na comunidade pelo trabalho que faz.

A enfermeira, Flávia Lemes, conta que a equipe de saúde também contribui com as ações educativas. “Visitamos a escola para incentivar a ação e fornecemos diversas informações para que os alunos saibam mais sobre as doações. Também já organizamos visitas de algumas turmas que foram até o banco conhecer o nosso trabalho”, contou.

Segundo ela, muitas mães passaram a doar depois de serem informados pelos estudantes sobre o serviço do Banco de Leite. “Com a divulgação da necessidade da doação de leite feita pelos estudantes no momento de pedir um frasco, muitas mães nos procuraram para ajudar”, contou.

Além disso, cada vez que os militares do Corpo de Bombeiros vão à casa de uma mãe, eles entregam um pote vazio e recolhem outro cheio de leite. “Esses vidros são reutilizáveis, então, com o surgimento do projeto conseguimos manter uma quantidade suficiente de recipientes para a coleta”, finalizou Lemes.

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