Governo do Distrito Federal
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8/03/13 às 19h30 - Atualizado em 30/10/18 às 14h58

Meninas do CEF 01 da Estrutural são vacinadas contra HPV

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Em abril campanha começa em todas as escolas do DF

Foto: Renato Araújo

As 364 meninas matriculadas no Centro de Ensino Fundamental 01 da Estrutural, que nasceram entre 2000 e 2002, foram as primeiras a receber a vacina contra o papiloma vírus (HPV). A partir do dia 1° de abril, a vacinação será realizada em todas as escolas públicas e particulares do DF. O governador Agnelo Queiroz e o secretário de Saúde, Rafael Barbosa, acompanharam o início da campanha. A meta é imunizar de 64 mil estudantes que estão dentro da faixa etária da campanha contra a doença, principal causadora do câncer de colo do útero, que mata cerca de 90 mulheres por ano no DF.

O sucesso da imunização, uma ação pioneira no país depende muito da parceria com a Secretaria de Educação. Professores estão sendo treinados por técnicos da SES para ajudar na vacinação e orientar as famílias das estudantes sobre a importância da ação. As meninas só poderão ser imunizadas mediante apresentação do documento de identidade e do termo de autorização, assinado pelos pais e ou responsáveis.

Para garantir a efetividade da vacina é necessária a aplicação de três doses, com intervalo de 60 e 180 dias após a primeira dose. O calendário de vacinação foi trabalhado de acordo com o calendário escolar das escolas públicas e privadas, respeitando o período das férias. A primeira dose será aplicada de 1º a 26 de abril, a segunda, de 3 a 28 de junho e a terceira de 30 de setembro a 1º de novembro.

Cada dose da vacina custa R$ 73 e a Secretaria de Saúde investiu cerca de R$ 13 milhões na compra de 192 mil doses. A partir de 2014, a imunização será exclusiva para meninas de 11 anos, com o objetivo de assegurar proteção contra quatro tipos do HPV (6, 11, 16 e 18), antes do início da vida sexual,
Duas vacinas contra HPV foram aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e estão comercialmente disponíveis em clínicas privadas: a quadrivalente, que confere proteção contra HPV 6, 11, 16 e 18; e a vacina bivalente, que confere proteção contra HPV 16 e 18.

O Ministério da Saúde ainda estuda a viabilidade de introdução da vacina no calendário nacional. A Comissão de Assuntos Sociais do Senado aprovou, em setembro, um projeto de lei que propõe a aplicação de vacinas contra o HPV em meninas com idade entre nove e 13 anos, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta agora será analisada pela Câmara dos Deputados.

A doença
Os HPVs são vírus capazes de infectar a pele e as mucosas. A transmissão se dá por contato direto com o local infectado, sendo que a principal forma de transmissão é pela via sexual. Quando a infecção persiste, ela pode resultar no desenvolvimento de lesões precursoras, progredindo para o câncer, principalmente no colo do útero, mas também na vagina, vulva, ânus, pênis, orofaringe e boca.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), existem mais de 100 tipos diferentes de HPV, sendo que 40 deles podem infectar o trato ano-genital.

Prevenção
O uso do preservativo durante o ato sexual não protege totalmente da infecção pelo HPV, pois não cobre todas as áreas passiveis de contaminação. Na presença de infecção na vulva, na região peniana e proximidades, o HPV poderá ser transmitido, mesmo com o uso da camisinha. O preservativo feminino, se usado desde o início do ato sexual, protege de forma mais eficaz.

Para evitar o surgimento do câncer de colo do útero é importante que as mulheres façam exames preventivos (Papanicolau ou Citopatológico), que podem detectar as lesões precursoras. Quando essas alterações que antecedem o câncer são identificadas e tratadas, é possível prevenir a doença em 100% dos casos.

As lesões clínicas se apresentam como verrugas ou lesões denominadas condilomas acuminados e popularmente chamadas “crista de galo”, “figueira” ou “cavalo de crista”. Têm aspecto de couve-flor e tamanho variável. Nas mulheres podem aparecer no colo do útero, vagina, vulva, região pubiana, perineal, perianal e ânus. Em homens, podem surgir no pênis (normalmente na glande), bolsa escrotal, região pubiana, perianal e ânus. Essas lesões também podem aparecer na boca e na garganta, em ambos os sexos.

O tratamento apropriado das lesões precursoras é imprescindível para a redução da incidência e mortalidade pelo câncer do colo uterino. Só o médico, após a avaliação de cada caso, pode recomendar a conduta mais adequada.

Hugo Mendes