Governo do Distrito Federal
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1/06/20 às 8h12 - Atualizado em 2/06/20 às 9h19

Mortalidade materna diminuiu no Distrito Federal entre os anos de 2018 e 2019

Capacitação e reorganização do sistema de saúde colaboraram

 

ÉRIKA BRAGANÇA, DA AGÊNCIA SAÚDE

 

Foto: Freepik (Banco de Imagens)

Em um ano, o Distrito Federal reduziu a quantidade de óbitos maternos. A Razão de Mortalidade Materna (RMM), um dos principais indicadores de qualidade de atenção à saúde das mulheres, em 2018, estava em 47,6 caiu para 21,3, em 2019. Quanto mais baixo esse número, melhor o nível de atenção dada. As causas que mais tem atingido esse público no DF são hemorragia, sepse e hipertensão.

 

O secretário de Saúde, Francisco Araújo, destaca que a forte queda dos números de 2018 para os de 2019 é fruto principalmente das estratégias de áreas responsáveis pela rede de saúde pública no Distrito Federal. Em pouco tempo, a pasta conseguiu uma melhoria importante nesse índice, que também engloba a rede particular. “Os investimentos, planejamento e ações do governo Ibaneis são fatores determinantes nessa conquista, que também precisa ser atribuída ao esforço e dedicação dos profissionais de saúde”, pontua.

 

Para esse resultado, várias ações foram realizadas no âmbito da Rede Cegonha, bem como a efetivação de diversas oficinas e capacitações e a reorganização dos Comitês de Óbitos Maternos nas Regiões de Saúde do DF. A transformação do atendimento no DF para a Estratégia Saúde da Família (ESF) e distribuição das equipes foram apontadas ações acertadas que ajudaram a Saúde a chegar às populações com maior vulnerabilidade em casa.

 

Diminuir a mortalidade materna é um desafio que envolve vários atores públicos e privados. Nesse contexto, a Saúde encabeça as políticas públicas para o Distrito Federal e busca constantemente o alinhamento das ações nesse campo. Realiza, por exemplo, um encontro qualificado para discutir todos os óbitos maternos ocorridos no DF, envolvendo a Câmara Técnica de Ginecologia e Obstetrícia da SES, juntamente com o Comitê de Óbito Central e os comitês presentes nas sete regiões de saúde.

 

Por isso, o Comitê de Óbito Central realiza, de forma permanente, capacitações, oficinas e reuniões que ajudam a identificar ações imediatas e em longo prazo para combater o problema. São parceiros nessa caminha a Rede Cegonha, Referência Distrital de Ginecologia e Obstetrícia, Diretoria de Enfermagem, Gerência de Terapia Intensiva do Serviço Móvel de Urgência (Samu) e a Escola de Aperfeiçoamento do Sistema Único de Saúde (EAPSUS). Em 2019, a área conseguiu realizar 12 cursos com treinamento de 322 profissionais que poderão replicar esse conhecimento.

 

Miriam Santos, presidente do Comitê Central de Prevenção e Controle do Óbito Materno Fetal e Infantil do DF informa que a taxa de mortalidade materno-infantil pode ser atribuída a uma maior aproximação da atenção primária, por meio do ESF, junto às mães de maior vulnerabilidade. Esse fato refletiu diretamente nos indicadores.

 

“Antes, no atendimento tradicional, a demanda era pela busca da paciente, com a ESF, mapeamos os territórios e os agentes comunitários de saúde realizam o cadastro dessa paciente e visita a casa. É uma busca proativa, preconizada pelo Ministério da Saúde, e que permite o acompanhamento dessa gestante. Mesmo que ela não vá à unidade, um profissional consegue ir até ela”, ressaltou.

 

É a partir dessa organização, inclusive da estruturação da atenção secundária que a gestora comemora os números. Santos destacou que a portaria de vinculação da gestante à unidade de parto evita que essa mãe recorra a outras unidades de saúde para atendimento, acarretando numa espera sem regulação e sobrecarga a outros serviços. Outro fato que não poderia passar despercebido pela profissional, é a criação da carreira do enfermeiro obstetra na SES. Das 20 vagas em concurso, a pasta já convocou todos os aprovados, além de profissionais do cadastro reserva, totalizando 65 profissionais convocados.

 

Brasil – O país também comemora a diminuição da mortalidade materna que teve redução de a razão de mortalidade materna (RMM) em 8,4%. Em 2018, a RMM no país foi de 59,1 óbitos para cada 100 mil nascidos vivos, enquanto no ano anterior era de 64,5. A hipertensão, hemorragias, infecção puerperal e aborto são as principais causas diretas. Já sobre as causas indiretas, destaca-se doenças do aparelho circulatório, respiratório, AIDS e doenças infecciosas e parasitárias maternas.

 

A qualificação dos óbitos foi apontada como uma conquista. Em 2009, apenas 55% dos óbitos de mulher em idade fértil (entre 10 e 49 anos de idade) foram investigados. Já em 2018, esse percentual subiu para 91%, o que demonstra uma melhora da cobertura de investigação com maior acompanhamento e qualificação desses dados.

 

SAIBA MAIS – Óbito materno é definido como a morte de uma mulher, ocorrida durante a gestação, parto ou dentro de um período de 42 dias após o término da gestação, por qualquer causa relacionada com a gravidez, não incluídas causas acidentais ou incidentais.