Governo do Distrito Federal
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2/12/20 às 19h34 - Atualizado em 3/12/20 às 15h11

Novas restrições e mais rigor na fiscalização devem frear o aumento de novos casos da Covid-19

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Secretaria de Saúde conta com Fecomércio e sindicatos para ações educativas

 

JOSIANE CANTERLE

 

Foto: Geovana Albuquerque/Agência Saúde DF

 

A aplicação ou suspensão de restrições no funcionamento de estabelecimentos comerciais está condicionada à taxa de transmissão do novo coronavírus e a ocupação hospitalar no Distrito Federal. O monitoramento semanal feito pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica tem norteado as decisões da Secretaria de Saúde e é uma das informações essenciais repassadas ao governador, Ibaneis Rocha, para embasar as decisões tomadas durante a pandemia. Uma nova ferramenta importante para as novas deliberações está em curso, que é a aplicação do inquérito epidemiológico.

 

Esses e outros assuntos foram abordados durante entrevista do secretário de Saúde, Osnei Okumoto, ao programa CB Poder, programa transmitido pela TV Brasília e o jornal Correio Braziliense.

 

Um dos pontos abordados foi o recente decreto do Governo do Distrito Federal com a limitação do horário de fechamento dos restaurantes e bares, que devem restringir as atividades até as 23h. Okumoto explicou que, além do aumento da taxa de transmissibilidade, que está em 1.3 – que é preocupante -, a maioria do público que frequenta os estabelecimentos até mais tarde é de grande maioria jovem, que costuma ser assintomático, mas, mesmo assim, pode transmitir o vírus para pessoas do grupo de risco, que habitualmente desenvolve a forma mais  grave da Covid-19 e acaba sendo o maior grupo que evolui a óbito.

 

“A transmissão acontece justamente quando a gente relaxa nas medidas de segurança, então, de tudo o que a gente vem falando desde o início da pandemia que é evitar aglomerações, utilizar máscara, que é a utilização do álcool em gel, tudo isso é muito importante”, reforçou o gestor.

 

A fiscalização de todos os tipos de estabelecimentos é realizada pela Vigilância Sanitária, pela Secretaria de Saúde, e pelo DF Legal. Bares, igrejas, shoppings e outros passam constantemente por vistorias sobre o cumprimento das regras e, quando necessário, podem ser notificados, multados ou fechados.

 

Já a Diretoria da Vigilância Epidemiológica tem como uma das suas responsabilidades realizar o monitoramento semanal da taxa de transmissibilidade do novo coronavírus no DF. Para isso, um cálculo é feito levando em conta os novos casos registrados a cada sete dias. Atualmente, a taxa é de 1.3, ou seja, cada 100 pessoas transmitem para 130. O índice considerado aceitável é de 1 ou menor que isso. Os dados para esse cálculo são extraídos a partir do resultado dos exames realizados pelo Laboratório Central de Saúde Pública, laboratórios privados e os dados repassados ao Ministério da Saúde por meio do sistema de notificação compulsória.

 

O secretário afirmou que a pasta adiantou-se a uma possível segunda onda em vários pontos importantes. “Mesmo com a desmobilização dos leitos a gente deixou tudo muito bem organizado para que possam ser reativados esses leitos de Covid, caso haja necessidade. Hoje temos 205 leitos de UTI, sendo que 30 a 35% estão ocupados, então, temos aí uma margem muito grande de leitos disponíveis e no caso de enfermarias são 290 leitos, sendo que a gente tem 130 vagos. A gente tem aí uma margem muito importante observada”, resumiu Okumoto.

 

Foto: Geovana Albuquerque/Agência Saúde DF

 

Outra ferramenta importante para balizar as próximas decisões em relação à pandemia é o inquérito epidemiológico que teve início nesta quarta-feira (02). Para este estudo serão testadas 230 pessoas em cada uma das 34 regiões administrativas. “Não são as pessoas que vão procurar a gente, a gente vai procurar os lares por um sorteio”, explicou o secretário. A pasta utilizou o IPTU para sortear os endereços. No caso de haver mais de um morador na residência maior de 18 anos e que queira participar da pesquisa, uma nova escolha aleatória será feita. Okumoto anunciou que a pesquisa deve ser encerrada no próximo dia 15 para até o dia 18 de dezembro a pasta ter o compilado em mãos com os resultados dos estudos.

 

A expectativa é que a análise dessa amostragem possa permitir entender o comportamento do vírus até agora, no momento atual e antever ações futuras. Os testes que estão sendo aplicados identificam os anticorpos IgG e IgM, que têm a capacidade de negativar quem nunca teve a doença, identificando quem está com a Covid ou apontando quem já teve. A análise será realizada pelo corpo de especialistas da Secretaria de Saúde.

 

Parcerias para a educação da população

 

Com o aumento da taxa de transmissão do vírus uma das preocupações é com as festas de final de ano. Na última terça-feira (01) o secretário teve uma reunião com a Fecomércio que chamou outros 11 sindicatos do setor produtivo local. Em compromisso para propagar as medidas de segurança as entidades contribuirão com campanhas educativas. “Quando apresentei o índice de transmissibilidade de 1.3, reafirmando a necessidade de manter os cuidados para que a transmissão não seja tão grande e, assim ter um natal com as lojas funcionando, com todos podendo exercer as suas atividades e estar até mesmo com as suas famílias, todos entenderam e vão trabalhar com as informações para produção de folder, spots de rádio, teremos veiculação de informativos, de educação em saúde para que a gente possa ter tranquilidade e sem transmissão”, contou Okumoto.

 

O gestor da saúde afirmou, ainda, que “as medidas restritivas de agora visam garantir maior tranquilidade nos períodos de festas, reduzindo a transmissão do vírus”.