Governo do Distrito Federal
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23/05/16 às 21h00 - Atualizado em 30/10/18 às 15h15

Pacientes do São Vicente de Paulo ganham sala de leitura

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Atividades ajudam na recuperação das funções psíquicas 

BRASÍLIA 23/05/16 – A partir de uma roda de leitura do livro “M.P. pede S.O.S”, de Simão Pedro Lamounier, realizada no Pronto-Socorro Dia do Hospital São Vicente de Paula (PS-Dia), a enfermeira Laura Cardins Girão observou a dificuldade de leitura dos pacientes por falta de hábito e baixa escolaridade, agravada pelo comprometimento das funções psíquicas decorrentes do transtorno mental, e percebeu a importância de abrir um espaço para apoiar a reabilitação cognitiva dos usuários.

A partir da motivação da enfermeira, a equipe do PS-Dia se mobilizou e promoveu um bazar terapêutico que custeou a compra de livros, mesas e piso vinílico e culminou na instalação da sala “Arte e Cultura Laura Cardins” – nome atribuído pelos servidores do setor, devidamente registrado numa placa em homenagem à idealizadora do projeto, em funcionamento desde o dia 18 de maio.

Foi necessário abrir a área somente para a leitura, uma vez que não havia espaço adequado para outras atividades. Para isso, foi preciso organizar o local com puffs, mesas grandes e redondas com o propósito de aproximá-los durante a interpretação dos textos, lidos à frente de imagens de telas famosas em molduras, para estimular o interesse dos pacientes.

“A leitura e a pintura quando integradas são ferramentas que estimulam o interesse pelo conhecimento. O paciente, quando vê a imagem de uma tela que foi pintada há séculos, sente-se curioso e surge espontaneamente um interesse pela leitura. Assim, consegue-se estimular as funções psíquicas prejudicadas no curso do transtorno psíquico, como a linguagem, memória, atenção, concentração, afetividade organização do pensamento e melhorar as relações interpessoais e o enriquecimento cultural” define Laura Cardins.

O PS-Dia funciona no período diurno do HSVP e conta com uma equipe multiprofissional e residentes das diversas áreas, que atende usuários com diversos diagnósticos psíquicos. Nesse espaço, a equipe desenvolve atividades como dinâmicas de grupo, oficinas de desenho, colagem, pintura em tela e jogos lúdicos.

Na sessão inaugural participaram do grupo de leitura nove pacientes e três servidores que aprovaram a ideia. Um dos usuários, Leonardo (nome fictício), 25 anos, com diagnóstico de transtorno afetivo bipolar, ao se debruçar na leitura sobre o pintor Renoir não escondeu o entusiasmo. ” Gostei bastante sobre a história, pois nunca havia ouvido falar dele e fiquei inspirado a ler mais sobre este incrível pintor”.

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