Governo do Distrito Federal
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23/11/21 às 11h10 - Atualizado em 23/11/21 às 11h59

Pela saúde, bem-estar e reencontros: conheça o papel do serviço social

Dentre outras atribuições, o setor busca recuperar a rede familiar, social ou afetiva de pacientes da rede pública

 

CAMILA HOLANDA, DA AGÊNCIA SAÚDE-DF | EDIÇÃO: JOHNNY BRAGA  | REVISÃO: JULIANA SAMPAIO

 

A pele amarelada logo denuncia o avanço da doença. Odília Silva, de 56 anos, foi diagnosticada no começo deste mês com insuficiência hepática, causada pelo câncer nas vias biliares localmente avançado. Ela havia perdido completamente o contato com seus familiares, que não moram em Brasília, desde maio, quando teve o celular furtado. Quando chegou ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran), passou pela entrevista social e revelou o desejo de reencontrar os parentes. Foi aí que começou a jornada do Núcleo de Serviço Social (NSS) do hospital em busca da família de Odília.

 

Odília é paciente do Hran e recebeu assistência do núcleo de serviço social – Foto: Breno Esaki/Agência Saúde-DF

“Acionamos a rede e entramos em contato com o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) de Porto Velho, baseados num endereço antigo que ela tinha. Localizamos uma filha, que confirmou não ver a mãe há 18 anos”, relata Jamaira Barcelos, assistente social no Hran. No dia seguinte, a médica que atendia a paciente fez uma videochamada explicando a situação e, prontamente, a família veio para Brasília.

 

Jamaira explica que o principal público do NSS são os pacientes idosos desacompanhados, as pessoas em situação de rua e os pacientes com problemas de saúde mental. “Vemos a saúde de forma mais ampla, permeada por múltiplos fatores determinantes. Por isso, entendemos que ter a família presente é fundamental para o processo de recuperação ou de tratamento, para dar suporte ao nosso usuário”, conta a assistente social.

 

Odília e a irmã Zilma reencontraram-se no Hran graças ao trabalho do serviço social – Foto: Breno Esaki/Agência Saúde-DF

A irmã de Odília, Zilma Vieira, chegou há duas semanas de Rio Branco, no Acre, para fazer companhia. “É feliz e triste ao mesmo tempo”, relata. Segundo a acompanhante, a felicidade deve-se ao reencontro. A tristeza, entretanto, resulta do contexto no qual acontece a união. Na semana passada, Odília foi transferida para o Hospital de Apoio de Brasília (HAB), onde recebe os cuidados paliativos e a família pode ficar mais próxima. “Ela foi muito feliz de poder reencontrar a família nesse momento que chamamos de fase de terminalidade, pelo avançar da doença”, afirma Jamaira.

 

A assistente social, que atendeu Odília desde o primeiro dia, emociona-se ao falar do caso: “a família ter vindo tão rapidamente foi uma felicidade, porque, muitas vezes, quando se perde o vínculo, não há essa aproximação”, conta.

 

Reencontros também ocorrem com o trabalho desenvolvido pelos núcleos de serviço social – Foto: Breno Esaki/Agência Saúde-DF

 

Serviço Social na Secretaria de Saúde

 

Histórias como a de Odília fazem parte da rotina dos Núcleos de Serviço Social (NSS). O atendimento começa com a abordagem social. Nesse momento, é feita uma entrevista e são identificadas as necessidades de cada pessoa.

 

Por isso, além de buscar a rede de apoio dos pacientes, os NSS também oferecem orientações relativas aos direitos sociais dos usuários. “Uma situação muito comum é encontrar pacientes internados sem a documentação civil, sendo necessário realizar os devidos encaminhamentos para garantir o acesso aos direitos básicos de cidadania”, ressalta Priscila Nolasco, gerente de Serviço Social da Secretaria de Saúde.

 

Jamaira Barcelos é assistente  social do Hran – Foto: Breno Esaki/Agência Saúde-DF

Ao todo, são 12 núcleos, espalhados por todos hospitais da rede pública do Distrito Federal. Há, ainda, uma equipe no Hospital Materno-infantil de Brasília Dr Antônio Lisboa (Hmib). Segundo a gerente, até agosto deste ano, as unidades de Serviço Social realizaram 36.571 atendimentos. Os hospitais de Base e de Santa Maria também possuem núcleos de serviço social sob gestão do Iges-DF.

 

Os assistentes sociais dos hospitais também orientam os pacientes em relação ao funcionamento da rede de saúde, articulam e possibilitam o acesso a serviços, benefícios e programas de outras áreas, como previdência social e educação. “Muitas vezes, a orientação do assistente social sobre como acessar os benefícios sociais, como o de prestação continuada, ou previdenciários, como aposentadoria ou auxílio-doença, que são essenciais para garantir o direito social do usuário”, explica Priscila.

 

 

Os NSSs também participam do processo de desospitalização e viabilizam a alta responsável de pacientes com demandas sociais, com ou sem referência familiar. Priscila explica que, em casos nos quais os vínculos familiares ou sociais estão corrompidos ou fragilizados, “o Serviço Social articula-se com outras políticas públicas para viabilizar o acesso do paciente a unidades de acolhimento numa perspectiva de proteção integral”, afirma. “Isso é promover saúde”, destaca a gerente.

 

Ainda em busca da família

 

Porém, nem todos pacientes que chegam em situação vulnerável têm a mesma felicidade de Odília. João Freitas, por exemplo, deu entrada no Hran no dia 19 de janeiro deste ano. Vítima de agressão física, tinha um ferimento feito por enxada na perna esquerda. João vivia em situação de rua e chegou desorientado ao hospital. Após passar por avaliação psiquiátrica, foram identificadas demência e doença mental de etiologia alcoólica.

 

O serviço social do Hran procura pela família de João – Foto: Breno Esaki/Agência Saúde-DF

Então, o NSS procurou a Polícia Civil e conseguiu localizar, pelo menos, o documento de identidade de João. “Acionamos o Instituto de Identificação, que é uma forma de verificar se tem o contato de algum familiar pelos registros”, conta Jamaira. Porém, nenhum familiar foi localizado.

 

Desde então, João segue internado, enquanto aguarda vaga em uma instituição de longa permanência. Até julho, ele era o quinto na fila.

 

Foto: Breno Esaki/Agência Saúde-DF

Ele diz que nasceu na cidade mineira de Araxá e possui dois irmãos, Joana e Júlio. Porém, perdeu contato com eles há muitos anos. Caso alguém conheça João ou parentes dele, pode ligar para o NSS do Hran, no número (61) 2017-7008.

 

Para quem acompanha os casos, a espera também é angustiante. “É muito importante poder trazer um pouco de conforto para o paciente que está aqui, muitas vezes sozinho e sem suporte. A internação já é um processo difícil, estar num hospital é muito complicado”, relata Jamaira. A assistente social sente-se realizada ao relembrar de reencontros promovidos pelo NSS. “Para mim é uma alegria muito grande. É uma satisfação ser assistente social”, finaliza.

 

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