Governo do Distrito Federal
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14/04/20 às 17h15 - Atualizado em 22/04/20 às 16h31

População em situação de rua recebe atendimento médico

Consultório na Rua atenderá três vezes por semana nos alojamentos instalados no autódromo

 

A Secretaria de Saúde, em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Social (SEDES), está prestando atendimento à população em situação de rua abrigada nos alojamentos provisórios instalados no Autódromo Internacional Nelson Piquet.

 

Desde o dia 8 de abril, as equipes do Consultório na Rua estão realizando, três vezes por semana, atendimento às pessoas em situação de rua instaladas no autódromo. As equipes de Consultórios na Rua têm por propósito potencializar estratégias utilizadas no território, criando redes e vínculos, cujo  objetivo é garantir o cuidado integral desta população através da inserção na rede de saúde e intersetorial.

 

O secretário de Saúde Francisco Araújo considera importante esse trabalho das equipes, em parceria com a SEDES, “porque essa é uma população extremamente vulnerável à proliferação do coronavírus, e se eles ficarem nas ruas, sem acompanhamento e assistência, corremos o risco de ter uma contaminação muito forte e grave nesse público”. Ele ressalta que, no caso da Covid-19, a melhor estratégia é a prevenção, “atuar antes que a doença se instale”.

 

Já a gerente de Atenção à Saúde à População em Situação Vulnerável e Programas Especiais, Denise Leite Ocampo, explica que “serão três dias na semana porque a maioria das pessoas acolhidas tem agravos crônicos e, uma vez sanadas as questões agudas e realizado o manejo das questões crônicas, as equipes vão avaliar as intercorrências que surgirem”.

 

FINALIDADE – A equipe de saúde tem a finalidade de fazer o atendimento de todas as pessoas, realizar o perfil de saúde deles, o diagnóstico situacional e planejamento das ações em saúde. Além disso, identificar aqueles com febre e sintomas respiratórios para tomar as providências quanto à Covid-19.

 

De acordo com Alan Fonseca, técnico de enfermagem e integrante da equipe do Consultório na Rua, primeiro é feita a triagem com anotação de todas as queixas dos pacientes, depois, os profissionais aferem a pressão e encaminham para o atendimento com o médico. Os casos mais graves são encaminhados para os hospitais.

 

O morador de rua Valmiro Oliveira, 46 anos, foi atendido pela equipe do Consultório na Rua, nesta terça-feira (14), e ficou satisfeito com o trabalho. “Esse é um atendimento necessário para nós, que moramos na rua e quando precisamos de uma consulta médica, muitas vezes somos tratados com preconceito e descaso por causa da nossa situação”, desabafa.

 

A principal queixa de Valmiro é a abstinência de drogas e dores abdominais constantes. Ele conta que os pais são idosos e moram em Santo Antônio do Descoberto (GO), mas como ele estava na rua correndo risco de contrair o coronavírus, preferiu ficar no alojamento.

 

CONSULTÓRIO NA RUA – É uma modalidade de equipe Saúde da Família que funciona na Secretaria de Saúde do DF, bem como em outros estados, e que foi implementada pelo Ministério da Saúde para atendimento específico às pessoas em situação de rua. A equipe de Consultório na Rua pode ser composta por vários profissionais, entre médicos, assistentes sociais, enfermeiros, técnicos em enfermagem e psicólogos.

 

Segundo Denise, as equipes de Consultórios na Rua objetivam potencializar estratégias usadas no espaço de atendimento, o que gera redes e vínculos entre os atendidos, a partir do propósito de inserção deles na rede de saúde e intersetorial.

 

INSTALAÇÕES – O autódromo é uma unidade de acolhimento com capacidade para 200 pessoas, administrado pela Secretaria de Desenvolvimento Social (SEDES) e organizado pelo Instituto Tocar, contratado pela pasta. Os alojamentos começaram a funcionar no dia 7 de abril e está previsto para seguir por 90 dias ou enquanto durar a pandemia. O local está abrigando cerca de 160 pessoas.

 

O diretor do Instituto Tocar, Elkin Páez, informou que o objetivo é manter todos os moradores em situação de rua instalados no local. “Como a maioria tem comorbidades como diabetes, hipertensão e doenças crônicas, queremos que eles cumpram a quarentena aqui, evitando que saíam e contraiam o coronavírus. Tudo para evitar ao máximo que eles tenham que ir aos hospitais”, explica.

 

A ideia da iniciativa, além de proteger as pessoas vulneráveis nesse tempo de pandemia, é evitar que a contaminação da Covid-19 prolifere-se entre essa população e, consequentemente, pela cidade.

 

Texto: Jurana Lopes, da Agência Saúde
Fotos: Geovana Albuquerque/Agência Saúde

Consutório na rua atende população de rua instalada no autódromo