Governo do Distrito Federal
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19/11/21 às 16h28 - Atualizado em 19/11/21 às 16h43

Projeto garante direitos sexuais e reprodutivos de mulheres vulneráveis

Parceria entre a Secretaria de Saúde e a Universidade de Brasília (UnB) visa aprimorar os cuidados aos pacientes

 

AGÊNCIA SAÚDE-DF*

*Com informações da Secom UnB

 

Um projeto desenvolvido na Unidade Básica de Saúde (UBS) 17 de Ceilândia, coordenado pelo médico Danilo Amorim, foi selecionado, em primeiro lugar, no edital do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) para a Mostra Nacional de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde, na categoria (eixo 3), intitulada Ações de educação permanente em saúde (EPS) no enfrentamento da pandemia da covid-19.

 

A parceria é entre a Secretaria de Saúde e a Universidade de Brasília (UnB) e zela pela saúde sexual de mulheres desde o início da pandemia. Intitulada Estratégias para a garantia de direitos sexuais e reprodutivos durante a pandemia de covid-19 no âmbito da Atenção Primária à Saúde, a iniciativa oferece assistência médica a moradores da região do Sol Nascente/Pôr do Sol, usuários da UBS 17.

 

O evento acontece de 30 de novembro a 2 de dezembro, de forma remota, no canal do Conass no YouTube, cujo foco é identificar, incentivar e premiar as experiências dos trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS) no enfrentamento da covid-19. O projeto também foi selecionado para integrar um livro, que será publicado pelo Conass junto com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

 

“O reconhecimento da mostra foi muito bom. A equipe recebeu de forma muito positiva. Isso serviu para incentivar que continuemos implementando as ações dessa experiência, mas também fez com que tivéssemos mais gás para conduzir as outras experiências que já estávamos planejando”, declara Danilo Amorim quem também é professor da Faculdade de Medicina da UnB. Para ele, “isso vai ajudar bastante a pensar e construir novas estratégias [de atenção à saúde na UBS]”.

 

Equipe

 

A concepção das ações desenvolvidas na unidade envolveu seis estudantes da graduação em Medicina e oito do curso de Saúde Coletiva da Faculdade UnB Ceilândia (FCE), além de pós-graduandos da Escola Superior de Ciência da Saúde (Escs) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os profissionais de saúde da UBS 17 também colaboraram na execução.

 

“O projeto apresentou novos conhecimentos e formas de abordagens, que puderam ser aplicados durante as consultas, além de propiciar uma rede de contato dentro da UBS em que podíamos buscar apoio em caso de dúvidas ou necessidade de suporte em procedimentos administrativos, atendimentos e condutas nessa área [de saúde sexual reprodutiva]”, relata Tainã Sousa, interna na UBS 17 e graduanda do nono semestre de Medicina.

 

O projeto

 

A iniciativa nasceu em junho de 2020, com o objetivo de diminuir o impacto causado à saúde das mulheres no cenário pandêmico. As estratégias elaboradas basearam-se na troca de expertises entre profissionais de saúde e estudantes.

 

“Quem já sabia foi ensinando e virou uma troca de aprendizado muito grande. Isso é muito importante em todo o processo de trabalho para o profissional se sentir valorizado. A autoconfiança melhora e a visão que os pacientes têm da gente também, porque percebem que nós estamos sempre ali nos atualizando e melhorando os processos de trabalho”, analisa Andressa Lima, residente de Medicina de Família e Comunidade pela Escs na UBS 17.

 

A partir da percepção de que a pandemia estava afetando de forma desproporcional a vida das mulheres, o Grupo de Educação Permanente – espaço de troca dialógica entre os profissionais de saúde da UBS 17 – identificou alguns problemas que expuseram as mulheres ao risco de não terem seus direitos sexuais e reprodutivos garantidos. “Em alguns casos, principalmente do nosso território, o desemprego aumentou muito”, menciona Danilo Amorim. “Então, a gente percebeu que a vida delas [das mulheres] foi desproporcionalmente afetada durante a pandemia”.

 

Nesse período, observou-se um aumento no número de gestações indesejadas e de abortos inseguros. Com isso, profissionais e estudantes sensibilizaram-se a desenvolver estratégias para diminuir esse impacto e garantir os direitos sexuais das pacientes atendidas na unidade.

 

Dispositivo intrauterino

 

Com as ações promovidas, a equipe, que antes não fazia a inserção de dispositivo intrauterino (DIU) hoje conta com nove profissionais qualificados para prestar o serviço. A demanda era grande, mas graças ao projeto mais de cem mulheres – de setembro de 2020 a junho de 2021 – já foram beneficiadas. A fila está zerada e, por isso, a unidade faz a inserção do DIU no mesmo dia em que a paciente sinaliza o desejo.

 

Uma das beneficiadas com a inserção do DIU foi Eliane Alkmim, de 35 anos, que é dona de casa e tem dois filhos. Ela é fumante, na última gestação foi diagnosticada com pressão alta e não estava se adaptando com o anticoncepcional. A paciente também não conhecia o método contraceptivo. “Estou gostando muito, sinto-me bem com ele e arrependo-me de não ter colocado antes”, compartilha. “Para mim foi muito importante. Na rede particular é caro, eu não tinha condições de colocar, e na rede pública de saúde, na UBS, me ofereceram essa oportunidade. Foi ótimo para mim e para minha saúde também”, comemora Eliane.

 

Outras ações

 

Os profissionais e os estudantes que trabalham na UBS também implantaram ações para tornar a unidade um ambiente acolhedor à comunidade LGBTQIA+. Houve diálogo entre a equipe, e uma das preocupações foi melhorar a abordagem com esse grupo de pacientes. Também foi elaborado um perfil com competências relacionadas à saúde sexual reprodutiva (SSR) consideradas essenciais para os profissionais assistirem a população. Outra ação com foco na excelência foi a realização de treinamentos na UBS para padronizar algumas condutas. Para isso, foi aberto um espaço para compartilhamento de saberes, buscando tornar o coletivo profissional mais seguro na hora de prescrever medicamentos.

 

O projeto também fomentou a participação masculina na saúde sexual das mulheres, no sentido de incluir os parceiros na decisão do uso do método contraceptivo, no pré-natal e no cuidado da criança, no caso dos pais. As estratégias foram debatidas em grupo pela equipe. No momento, são consolidados os dados do aumento da participação dos homens no pré-natal. Para isso, as consultas com a presença dos parceiros são registradas.

 

O projeto hoje

 

No momento, o projeto está focado em intensificar atividades relacionadas à violência sexual. Serão realizadas reuniões com o Centro de Especialidade para Atenção às Pessoas em Situação de Violência Sexual, Familiar e Doméstica (Cepav), para ajustar os fluxos de colaboração com a UBS em relação aos atendimentos e encaminhamentos de pacientes.