Governo do Distrito Federal
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25/08/17 às 12h29 - Atualizado em 30/10/18 às 15h18

Rodas de conversa ajudam a tirar ansiedade de papais de recém-nascidos

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 Troca de informações contorna questões que tiram o sono de muitas famílias

BRASÍLIA (25/8/17) – “Será que nunca mais vou dormir?”. “Ele não consegue sugar meu leite”. “Porque ele está chorando tanto?”. Essas e outras dezenas de perguntas fazem parte do universo de quem acabou de ter um bebê. De tanto ouvir questionamentos semelhantes em suas consultas, a psicóloga do Banco de Leite Humano do Hospital Regional de Taguatinga, Shyrlene Brandão, resolveu implementar um projeto para tirar um pouco da ansiedade e das dúvidas, principalmente dos papais de primeira viagem.

Assim, há cerca de quatro meses, ela iniciou uma roda de conversa na sala de espera do banco de leite do HRT. “Acontece sempre às quartas-feiras pela manhã. Quando percebo a sala cheia, inicio um bate papo, deixando que as mães e seus familiares tragam suas incertezas, dúvidas, problemas e troquem experiências”, explica a psicóloga.

Presente ao terceiro encontro do projeto, a mamãe de primeira viagem Danielle Alves de Souza achou a conversa válida por poder trocar experiências com outras mães, com o apoio de uma psicóloga. “Estes 12 dias da chegada do Davi têm sido desafiadores, porém, muito especiais. Vim ao banco de leite porque ele estava com dificuldades para pegar a mama, mas acabei recebendo muito mais do que busquei”, relata. “Encontrar isso no SUS, com essa qualidade, é realmente impressionante, porque é gratuito para todos”, completou.

“A roda de conversa também serve como uma espécie de triagem, pois no bate papo conseguimos identificar algumas demandas mais complexas, que precisam de atendimento individual, como em um caso recente em que uma mãe, doadora de leite humano, estava em sofrimento por ter de voltar ao trabalho e deixar a criança. Então, estamos a acompanhando”, conta a psicóloga.

INSEGURANÇA – Não importa a idade quando o assunto é a chegada de um bebê em casa. Aos 45 anos, a bancária Edna Áurea Timbó viu toda a experiência de vida ir embora ao se ver diante de uma criança de poucos centímetros.

“Eu me sentia uma supermulher, que fazia tudo. Mas quando minha filha nasceu, senti como se eu tivesse uns 17 anos, muito frágil, apesar de toda a ajuda recebida do meu marido”, conta. Ela e o esposo, Auricélio, participaram do encontro com a psicóloga Shyrlene e os demais pais, e garantem: “Estamos saindo daqui bem menos ansiosos do que chegamos.”

Para participar das rodas de conversa, não é preciso se inscrever nem mesmo estar participando de algum outro programa do Banco de Leite Humano. Basta chegar ao local, que fica no ambulatório do HRT, sentar-se e começar o bate- papo, sempre às quartas-feiras pela manhã.